segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Saúde mental na terceira idade exige atenção e quebra de tabus, alerta especialista

Solidão, aposentadoria e perdas emocionais podem impactar o bem-estar após os 60 anos; entenda os sinais e saiba como prevenir

O envelhecimento vai além das mudanças físicas e traz impactos diretos à saúde mental. Após os 60 anos, fatores como aposentadoria, perdas afetivas, solidão e alterações no papel social podem gerar sofrimento emocional e comprometer a qualidade de vida. O alerta é do docente de Psicologia da Faculdade Serra Dourada Altamira, Alexsandro Prates.
Segundo o especialista, o processo de envelhecer envolve transformações profundas que exigem adaptação emocional. “O envelhecimento é marcado por mudanças significativas que podem gerar insegurança, medo da dependência e ansiedade em relação à finitude da vida”, explica. Ele ressalta que essas experiências exigem que o idoso ressignifique sua identidade, enfrentando perdas que vão além do luto pela morte de pessoas próximas.
A aposentadoria, embora represente uma conquista social, também pode trazer desafios emocionais. “A aposentadoria pode provocar a perda do papel produtivo, da rotina e do reconhecimento social, afetando a autoestima e o senso de utilidade”, pontua Alexsandro. Quando o luto não é devidamente elaborado, o sofrimento tende a se intensificar, podendo evoluir para quadros mais graves.
Outro fator de risco apontado pelo psicólogo é a solidão. A diminuição da rede de apoio, o afastamento de vínculos e o preconceito relacionado ao envelhecimento favorecem o isolamento social. “Esses fatores, quando associados, aumentam a vulnerabilidade a transtornos como depressão e ansiedade na terceira idade”, destaca.
Apesar da relevância do tema, a saúde mental na velhice ainda enfrenta barreiras culturais. De acordo com o especialista, muitos sintomas são erroneamente tratados como naturais do envelhecimento. “O tabu contribui para que o sofrimento emocional seja normalizado, dificultando o diagnóstico e atrasando o tratamento adequado”, afirma.
Familiares e cuidadores devem ficar atentos a sinais como tristeza persistente, isolamento progressivo, alterações no sono e no apetite, perda de interesse por atividades antes prazerosas, irritabilidade frequente e queixas físicas sem causa aparente. “Esses sinais não devem ser ignorados e indicam a necessidade de avaliação por profissionais de saúde mental”, alerta.
A prevenção, segundo Alexsandro Prates, passa pelo fortalecimento da autonomia e das relações sociais. “Estimular o protagonismo do idoso, respeitar sua capacidade de decisão e evitar a superproteção são atitudes fundamentais”, pontua. A participação em atividades comunitárias, culturais, religiosas ou esportivas também contribui para reduzir o isolamento e ampliar o sentimento de pertencimento.
No contexto do Janeiro Branco, campanha dedicada à conscientização sobre saúde mental, o psicólogo reforça a importância de ampliar o diálogo sobre o envelhecimento emocional. “Cuidar da saúde mental na terceira idade é garantir dignidade, escuta e respeito. Envelhecer emocionalmente bem não significa ausência de sofrimento, mas a capacidade de enfrentar desafios, adaptar-se às mudanças e construir novos sentidos para a vida”, conclui.

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