O Brasil vive, em 2026, uma expansão acelerada do mercado de apostas online, cenário que traz consequências sociais e econômicas ainda pouco discutidas nas empresas. A prática, antes vista apenas como lazer, tem contribuído para o aumento do endividamento dos trabalhadores, muitos deles recorrendo a empréstimos para tentar cobrir prejuízos gerados por plataformas digitais de jogos e “joguinhos” com promessa de recompensas rápidas.
Dados recentes mostram que 19% dos usuários de internet no Brasil já apostaram online neste ano, o equivalente a quase 30 milhões de brasileiros conectados, segundo a última edição da pesquisa TIC Domicílios. Paralelamente, o Brasil deve fechou 2025 como o quinto maior mercado mundial de apostas online, com receita estimada em cerca de R$ 22 bilhões, segundo projeção publicada pelo portal internacional Yogonet.
Esse crescimento reflete o movimento da indústria regulada, que registrou, apenas no primeiro semestre, R$ 17,4 bilhões em receita líquida de apostas (GGR), segundo relatório do Ministério da Fazenda. Nesse período, o gasto médio dos apostadores ativos ficou em R$ 164 mensais.
Mas o que aquece o mercado preocupa o ambiente corporativo. Especialistas apontam que uma parcela crescente de trabalhadores brasileiros tem usado crédito, especialmente consignado e empréstimos pessoais, para sustentar perdas em jogos online. Além do impacto financeiro direto, o tema se entrelaça com saúde mental, foco, produtividade e clima organizacional.
Estudo divulgado em dezembro deste ano estima que jogos de azar e apostas online custem R$ 38,8 bilhões ao país, considerando impactos econômicos e sociais, o que inclui endividamento, perda de renda e queda de produtividade.
Para Pedro Junior, CEO da CUIDARH, esse cenário já se tornou parte da rotina das empresas brasileiras:
“Em 2026 temos observado colaboradores comprometendo uma parcela cada vez maior da renda com empréstimos feitos para cobrir perdas em apostas e joguinhos. Isso não é apenas uma questão financeira: afeta saúde mental, produtividade e relações dentro do trabalho. Se as empresas não se movimentarem agora, o impacto será cada vez maior, e mais difícil de reverter.”
O avanço dos “joguinhos” digitais e das plataformas de aposta também vem acompanhado de uma percepção de risco reduzido e forte apelo comportamental. Quanto mais acessíveis e remuneradas parecem as jogadas, maior a probabilidade de repetição, tentativa de recomposição de perdas e, em consequência, comprometimento da renda do trabalhador.
Por isso, empresas e profissionais de RH já discutem medidas preventivas, que vão desde programas contínuos de educação financeira até suporte emocional e psicológico, passando por políticas internas de bem-estar financeiro e estratégias de monitoramento organizacional mais próximas.
A ausência de diálogo sobre o tema no universo corporativo reforça o risco de o problema se tornar silencioso, e depois emergir de forma grave. Com o fortalecimento do setor de apostas online no Brasil, tudo indica que o fenômeno do endividamento ligado a jogos deve ganhar ainda mais relevância em 2026, exigindo atenção, preparo e novas políticas de cuidado com o trabalhador.
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