Após mais de uma década de desenvolvimento, filme reúne equipe vencedora do Oscar, aposta na tecnologia clássica VistaVision, maquiagem impressionante e uma sátira grandiosa sobre poder, ego e o fim do mundo, marcando um novo capítulo na carreira de Tom Cruise
Depois de dominar as bilheterias mundiais durante décadas com franquias como Missão: Impossível e Top Gun, Tom Cruise decidiu dar um passo completamente diferente em sua trajetória. Em "Digger", novo longa dirigido pelo mexicano Alejandro G. Iñárritu (Birdman, O Regresso, Babel), o astro surge praticamente irreconhecível graças a um elaborado trabalho de maquiagem protética e interpreta um personagem complexo, excêntrico e moralmente ambíguo, distante do tradicional herói de ação que consolidou sua carreira.
O filme, produzido pela Warner Bros. Pictures em parceria com a Legendary Pictures, chega aos cinemas brasileiros em 1º de outubro de 2026 cercado de enorme expectativa. Não apenas por reunir dois dos maiores nomes do cinema contemporâneo, mas também por representar uma das produções mais ambiciosas dos últimos anos.
Na trama, Cruise interpreta Digger Rockwell, um magnata do petróleo considerado o homem mais poderoso do planeta. Convencido de que é o único capaz de salvar a humanidade, ele inicia uma corrida desesperada para impedir uma catástrofe global provocada justamente por uma de suas próprias empresas. O resultado é uma narrativa que mistura humor ácido, suspense, crítica política, drama psicológico e elementos de sátira social em escala épica.
Uma ideia que perseguiu Iñárritu durante dez anos
Embora o anúncio oficial tenha acontecido apenas em 2024, a origem de "Digger" é muito mais antiga. Alejandro G. Iñárritu revelou que a ideia nasceu logo após concluir O Regresso, em 2015. Desde então, o cineasta passou praticamente uma década aperfeiçoando o roteiro até encontrar a forma ideal de contar a história.
Segundo o diretor, o projeto tornou-se quase uma obsessão criativa. A intenção era construir um filme que unisse humor, tragédia e reflexão filosófica, discutindo o poder, a responsabilidade humana e a fragilidade das grandes lideranças diante de crises globais.
O encontro entre dois perfeccionistas
A parceria entre Tom Cruise e Alejandro G. Iñárritu era desejada havia muitos anos. Cruise contou que assistiu a "Amores Brutos" (Amores Perros) quando o longa foi lançado e ficou profundamente impressionado com o talento do diretor mexicano.
O ator afirmou que chegou a telefonar para amigos em Hollywood recomendando o trabalho de Iñárritu e dizendo que aquele cineasta mudaria a indústria. Mais de duas décadas depois, finalmente surgiu a oportunidade de trabalharem juntos.
Durante a apresentação do primeiro trailer, Cruise declarou que jamais havia participado de um projeto semelhante. "Nunca tive um trabalho que me desafiasse dessa maneira." Segundo o ator, a liberdade criativa oferecida por Iñárritu fez com que ambos ultrapassassem constantemente seus próprios limites durante as filmagens.
Grande parte da repercussão inicial de "Digger" surgiu após a divulgação do primeiro trailer. Nas imagens, Tom Cruise aparece praticamente irreconhecível graças ao trabalho do lendário maquiador Kazu Hiro, vencedor de dois Oscars e conhecido por suas transformações extremas em filmes como O Destino de uma Nação e O Escândalo.
Além das próteses faciais, Cruise passou por mudanças na postura corporal, voz, expressão e movimentação para construir Digger Rockwell, personagem descrito como ao mesmo tempo carismático, assustador, arrogante e vulnerável.
Diversos veículos internacionais classificaram essa como a transformação mais radical da carreira do ator desde "Trovão Tropical" (Tropic Thunder).
Tecnologia do passado para criar o cinema do futuro
Outro aspecto que chama atenção nos bastidores é a decisão de filmar todo o longa utilizando VistaVision, formato cinematográfico clássico criado na década de 1950.
A produção utilizou equipamentos restaurados, incluindo câmeras históricas e lentes Leica especialmente desenvolvidas para o projeto. O diretor de fotografia é Emmanuel Lubezki, vencedor de três Oscars consecutivos e colaborador frequente de Iñárritu.
Tom Cruise, defensor da experiência tradicional nas salas de cinema, revelou que um dos momentos mais emocionantes das filmagens era simplesmente ouvir o funcionamento mecânico da câmera registrando imagens em película.
Segundo ele, toda a equipe chegou a parar diversas vezes apenas para apreciar aquele som, considerado quase uma homenagem à história do cinema.
Elenco reúne vencedores do Oscar e grandes nomes do cinema
Além de Tom Cruise, "Digger" apresenta um elenco formado por alguns dos artistas mais respeitados da atualidade.
Entre eles estão Sandra Hüller, Riz Ahmed, John Goodman, Jesse Plemons, Michael Stuhlbarg, Emma D'Arcy, Sophie Wilde, Robert John Burke e Burn Gorman.
Nos bastidores, a equipe técnica também impressiona. Além de Lubezki na fotografia e Kazu Hiro na maquiagem, o design de produção é assinado por Dennis Gassner, outro vencedor do Oscar. O roteiro foi escrito por Iñárritu em parceria com Alexander Dinelaris, Nicolás Giacobone e Sabina Berman.
Uma aposta diferente para Tom Cruise
"Digger" representa a primeira grande produção original estrelada por Tom Cruise em muitos anos, após um longo período dedicado quase exclusivamente às franquias de ação.
O próprio ator afirmou que enxerga o longa como um dos trabalhos mais importantes de seus 45 anos de carreira, destacando que nunca havia encontrado um personagem com tamanha complexidade emocional.
A crítica especializada também vê o projeto como um forte candidato a marcar presença nas principais premiações internacionais de 2027, graças à combinação entre o prestígio de Iñárritu, o elenco de alto nível e a ousadia artística da produção.