Shopping Benfica promove ações de conscientização sobre saúde mental no Setembro Amarelo

Atividades gratuitas com CVV, Sesc e Unifametro acontecem ao longo de setembro e abordam prevenção ao suicídio, escuta e redes de apoio

O Shopping Benfica realiza, durante o mês de setembro, uma programação dedicada à conscientização sobre saúde mental e à prevenção ao suicídio. As ações são realizadas em parceria com o Centro de Valorização da Vida (CVV), Sesc e Centro Universitário Unifametro, e incluem momentos de orientação, escuta e atividades educativas. A iniciativa é gratuita e aberta ao público, sem necessidade de inscrição prévia.
A agenda começou no dia 9 de setembro, com a participação do CVV, das 15h às 18h. No dia 16, será a vez do Sesc, das 12h às 16h. Encerrando a programação, no dia 25, a Unifametro estará no shopping, das 16h às 19h.
A programação da Unifametro terá uma abordagem interativa, com dinâmicas que estimulam a reflexão sobre o cuidado emocional e a importância de contar com pessoas e serviços de referência em momentos de dificuldade. Uma delas é o “Monte sua rede de apoio”, que convida os participantes a identificar pessoas e instituições às quais podem recorrer quando precisarem de ajuda, como familiares, amigos, psicólogos, médicos, Unidades Básicas de Saúde (UBS), Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e o CVV.
Outra dinâmica será o “Semáforo das emoções”, que apresenta situações fictícias para estimular a percepção sobre diferentes estados emocionais e a forma como cada pessoa reage a eles. Já a “Caça aos sinais” propõe a identificação de comportamentos que podem indicar sofrimento emocional e merecem atenção, entre eles isolamento social, mudanças significativas de comportamento, desesperança e abandono de atividades habituais.
Para Cristina Mota, gerente-geral do Shopping Benfica, levar esse tipo de discussão para um espaço de circulação cotidiana também representa uma forma de aproximar informação e acolhimento do público. “Falar sobre saúde mental é também lembrar que ninguém precisa enfrentar sozinho um momento difícil. Muitas vezes, uma conversa, uma escuta atenta ou a indicação de onde buscar ajuda pode fazer diferença para quem está passando por uma situação de sofrimento. Queremos que o shopping seja um espaço onde as pessoas também encontrem caminhos para buscar apoio quando precisarem. O Setembro Amarelo nos convida a ter esse olhar mais cuidadoso para quem está ao nosso lado”, afirma.

Serviço
Setembro Amarelo no Shopping Benfica
16 de setembro – Sesc
Horário: 12h às 16h
25 de setembro – Unifametro
Horário: 16h às 19h
Endereço: Av. Carapinima, 2200, Benfica – Fortaleza (CE)
Informações: https://www.instagram.com/shoppingbenfica

Filme cearense ‘Feito Pipa’ representará o Brasil no Oscar 2027

Dirigido por Allan Deberton e estrelado pelo jovem Yuri Gomes e Lázaro Ramos, drama premiado em Berlim é o escolhido por unanimidade pela Academia Brasileira de Cinema para disputar vaga entre os Melhores Filmes Internacionais

O audiovisual brasileiro vive mais um momento histórico protagonizado pela força criativa do Nordeste. Em anúncio oficial realizado na quarta-feira (16 de setembro de 2026), a comissão de seleção da Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais escolheu, por decisão unânime, o longa-metragem cearense Feito Pipa para representar o Brasil na disputa por uma vaga na categoria de Melhor Filme Internacional do Oscar 2027. O filme superou concorrentes de peso do circuito nacional após consolidar uma sólida temporada em festivais internacionais e arrebatar elogios unânimes da crítica especializada pelo seu rigor estético e extrema sensibilidade humana.
A trama mergulha com lirismo no cotidiano do Sertão Central do Ceará, acompanhando Gugu (vivido pelo estreante Yuri Gomes, de apenas 12 anos), um garoto de imaginação livre criado sob os cuidados afetuosos de sua avó, dona Dilma (interpretada com maestria por Teca Pereira). A calmaria dos dias ganha uma virada dramática quando um período de estiagem severa baixa drasticamente o nível do reservatório local e revela as ruínas submersas de um antigo povoado inundado no passado. Esse cenário quase fantástico serve como pano de fundo para as próprias fissuras do protagonista, que se vê obrigado a lidar com o retorno repentino e a presença complexa de seu pai, personagem de Lázaro Ramos, reabrindo memórias familiares e exigindo uma nova linguagem de afeto.
Os bastidores da produção refletem o compromisso minucioso da equipe em traduzir autenticidade para a tela. Rodado inteiramente em Quixadá e arredores, o projeto enfrentou o calor intenso característico da Caatinga e optou por uma integração profunda com as comunidades locais. Grande parte da figuração e dos papéis de apoio foi preenchida por moradores da região, enquanto a equipe de preparação dedicou semanas a dinâmicas de convivência entre o garoto Yuri Gomes e os veteranos Lázaro Ramos e Teca Pereira. Antes de ligar as câmeras, o elenco passou dias dividindo refeições, conversas e ensaios descontraídos no sertão, permitindo que a química entre avó, neto e pai florescesse de forma espontânea, sem a rigidez dos textos decorados. A direção de arte e a fotografia souberam explorar a mística dos monólitos de pedra e a textura rachada do solo, transformando a geografia física do sertão em um espelho emocional dos silêncios e desejos de liberdade das personagens.
A consagração de Feito Pipa consolida definitivamente a versatilidade e a maturidade autoral de Allan Deberton, cineasta natural de Russas. Deberton despontou nacionalmente com curtas aclamados e alcançou consagração máxima em sua estreia em longas com Pacarrete (2019), marco histórico no Festival de Gramado ao levar oito Kikitos ao narrar a teimosia poética de uma bailarina octogenária (vivida por Marcélia Cartaxo). Pouco antes de desembarcar nas paisagens áridas de seu novo trabalho, o diretor explorou um território completamente distinto ao lançar o longa-metragem O Melhor Amigo, expandindo seu premiado curta homônimo em uma comédia romântica musical, jovem e solar ambientada nas praias de Canoa Quebrada. Ao saltar da energia pop praiana de O Melhor Amigo diretamente para a atmosfera contida e emocionante de Feito Pipa, Deberton reafirma sua amplitude criativa e sua capacidade de retratar o Ceará sob as mais diversas lentes afetivas.
O longa chega à corrida hollywoodiana respaldado por credenciais de peso conquistadas no circuito europeu e latino-americano. Em fevereiro, a obra teve sua estreia internacional no prestigioso Festival de Berlim, de onde saiu laureada com o Urso de Cristal e o Grande Prêmio do Júri na mostra competitiva Generation, voltada a narrativas de formação. A trajetória vitoriosa continuou com passagens calorosas pelos festivais de Guadalajara, Cartagena e Gramado. Produzido pela Deberton Filmes em coprodução com a Biônica Filmes, Feito Pipa terá exibições especiais de gala no Festival do Rio no próximo mês, antes de aportar nas salas de cinema comerciais de todo o país em novembro, data que coincide com o pontapé inicial da campanha promocional da fita em Los Angeles.

Sodiê Doces lança bolo especial e coleção de pratos para celebrar 29 anos

Novo sabor resgata uma decoração que marcou a trajetória da confeitaria, enquanto edição limitada de pratos celebra valores como amor, paz e alegria

A Sodiê Doces completa 29 anos em setembro e marca a data com uma novidade que combina sabor e memória. O Bolo Doce Celebração, criado especialmente para o aniversário da rede, está disponível desde o dia 1º de setembro nas lojas da marca em todo o Brasil. A comemoração também conta com uma coleção especial de pratos colecionáveis, desenvolvida para a ocasião.
O novo bolo, de número 195 no cardápio da Sodiê, é preparado com massa branca, recheio de doce de leite com creme gelado e morangos e cobertura de mousse branca. A decoração inclui raspas de chocolate branco na superfície e nas laterais, além de morangos frescos.

A escolha da apresentação tem um significado especial para a fundadora da marca, Cleusa Maria da Silva. A cobertura retoma um estilo utilizado pela confeitaria durante uma década e foi resgatada como referência para o lançamento comemorativo.
“Durante uma década, os bolos foram cobertos assim e eu quis trazer essa fase como um momento nostálgico para esse bolo de celebração dos 29 anos”, afirma Cleusa.
Fundada em 1997, na cidade de Salto, interior de São Paulo, a Sodiê Doces começou com a produção de bolos artesanais. Ao longo dos anos, a empresa expandiu suas operações por meio do sistema de franquias e passou a atuar em diferentes regiões do país. Atualmente, a rede conta com mais de 400 unidades no Brasil, mantendo os bolos como principal destaque do seu portfólio.
Para Fábio Araújo, diretor-geral da Sodiê Doces, a marca chega ao aniversário com uma estrutura consolidada e planos de continuidade para a expansão da rede.
“Chegamos aos 29 anos com a certeza de que construímos uma franquia consolidada, estruturada e preparada para continuar crescendo. Esse avanço acontece de forma consistente, com responsabilidade nas decisões e respeito ao modelo de negócio que nos trouxe até aqui”, destaca.

Pratos colecionáveis completam a comemoração
Além do lançamento do bolo, a Sodiê Doces preparou três modelos de pratos colecionáveis para celebrar o aniversário. As peças trazem as palavras amor, paz e alegria, escolhidas para representar o espírito das comemorações em torno da mesa.
Os pratos podem ser adquiridos mediante a compra de 1 kg do Bolo Doce Celebração, com o acréscimo de R$ 12,90. A coleção estará disponível por tempo limitado, conforme os estoques de cada loja.
“Chegar aos 29 anos me faz lembrar de cada etapa que construímos. Quis que esse bolo tivesse um pouco dessa memória e que os pratos levassem palavras que têm tudo a ver com o que desejamos quando nos reunimos para comemorar. Amor, paz e alegria nunca podem faltar à mesa”, afirma Cleusa.

Sodiê Doces em Fortaleza
Em Fortaleza, o Bolo Doce Celebração pode ser encontrado nas unidades da Sodiê Doces localizadas nos seguintes endereços:
- Avenida Barão de Studart, 661, Meireles.
- Shopping Iguatemi — Avenida Washington Soares, 85, Piso L1.
- Shopping RioMar Kennedy — Avenida Sargento Hermínio Sampaio, 3100, Piso LS.
- Shopping Parangaba — Rua Germano Franck, 300, Piso L1.

Os pedidos podem ser realizados diretamente nas lojas, pelo aplicativo oficial da Sodiê Doces, disponível para iOS e Android, ou por meio de serviços de delivery, como WhatsApp e iFood.

Serviço:
Bolo Doce Celebração — 29 anos  
- Promoção: na compra de 1 kg do Bolo Doce Celebração, mais R$ 12,90, o cliente pode adquirir um prato colecionável.
- Coleção: três modelos com as palavras amor, paz e alegria.
- Informações: @sodiedocesfortaleza.

Luciano Franco celebra 75 anos com show especial no Cineteatro São Luiz, em Fortaleza

Luciano Franco, o "maestro", está celebrando 75 anos de idade e mais de 60 anos de carreira. E comemora fazendo show especial no Cineteatro São Luiz, na quarta-feira, 16/9, às 19h, com direito a vários convidados/as: Edmar Gonçalves, Cris Fiúza, Edinho Vilas Boas, Thailândia Montenegro, Arnaldho de Sá, Carlinhos Nação, Chico Araújo, Luis Lima Verde e Julio Oliveira. Uma constelação de craques da música do Ceará pra o Brasil. 
Já entre os instrumentistas estão, além do maestro Luciano na guitarra e no violão, Gabriel Geszti (piano), Thiago Rocha (saxofone e flauta), Ednar Pinho (contrabaixo), Paulinho Santos (bateria). O show também marca o lançamento do 19o. disco de Luciano Franco, "Fragmentos do Tempo", álbum em parceria com Julio Oliveira e com a participação de vários intérpretes.
E comemorar é preciso! Afinal, são mais de 60 anos de uma carreira incrível, que levou o maestro a dividir palcos e estúdios com lendas como Clara Nunes, Cauby Peixoto, Dominguinhos (que participou do primeiro disco de Luciano, celebrado em 2025 pelas duas décadas transcorridas desde o lançamento desse trabalho). 
Também tocaram com Luciano lendas como Arismar do Espírito Santo e Roberto Menescal (participantes do disco "Sonho ou Canção", de parcerias de Luciano e Dalwton Moura) e Paulinho Pedra Azul, com quem o maestro lançou em 2024 o disco "Casa das Flores", com direito a show com Paulinho em Fortaleza. 
No palco do Cineteatro São Luiz, na quarta-feira, 16/9, às 19h, Luciano Franco conduz um encontro entre música e poesia, no show "Coletâneas - Onde o Verso Encontra a Música", com melodias de Luciano para letras/poemas de autoria de Paulinho Pedra Azul, Chico Araújo, Luís Lima Verde, Edinho Vilas Boas e Júlio Oliveira, autores de diferentes geografias, trajetórias e universos literários, que encontram na música uma nova forma de permanência para a palavra.
O princípio que orienta o espetáculo é singular: nenhum verso é modificado para se transformar em canção. As melodias e os arranjos de Luciano Franco nascem do próprio ritmo, das imagens, das pausas e da musicalidade presente nos poemas, estabelecendo um diálogo em que a música não adapta a palavra — revela o que nela já era música.
Interpretadas por Edinho Vilas Boas, Edmar Gonçalves, Cris Fiúza, Tailândia Montenegro, Arnaldho de Sá e Carlinhos Nação, as canções percorrem diferentes territórios da música brasileira, entre choro, baião, valsa, samba, balada e música instrumental.
Em uma experiência especialmente próxima, o público ocupa o próprio palco, ao lado dos músicos, em apenas 80 lugares. A proximidade transforma o espetáculo em um momento de escuta, fazendo da respiração, do silêncio e da palavra cantada parte essencial da cena.
O show não procura responder onde a poesia termina para que a música comece. Procura mostrar que, às vezes, basta escutar. Porque antes de ser cantado, todo grande verso já traz consigo uma música em silêncio.
Luciano Franco: autor de mais de duas mil músicas
Luciano Franco compôs mais de duas mil músicas, lançou nada menos que 18 discos e marcou seu nome na história da música do Ceará para o Brasil, como compositor, arranjador, diretor musical, multi-instrumentista que trafega por violão, guitarra, contrabaixo e piano.
Além de seguir registrando suas composições e preparando novos discos autorais, o maestro também assina a direção musical, os arranjos e as gravações do álbum "A Cor do Teu Olhar", de parcerias do saudoso colega Tarcísio Sardinha com Dalwton Moura, lançado em abril deste ano, marcando o aniversário de Sardinha, um outro grande mestre. Também assinou direção musical e arranjos do show "Elas, o Ceará e o Jazz", com as cantoras Ângela Lopes, Mariana Lima (a Mary) e Raara Rodrigues, um espetáculo com repertório integralmente formado por obras de autores cearenses.

Mais sobre o maestro
Luciano Franco é compositor, multi-instrumentista, produtor musical e arranjador, com mais de 60 anos de carreira dedicada à música brasileira. Cearense, nascido em 1951, no município de Cascavel, é autodidata e iniciou sua trajetória artística ainda na juventude, influenciado por sua mãe, a pianista e professora Beatriz Pereira Franco, de quem herdou os olhos claros, além do imenso talento musical.
Com atuação destacada tanto na música instrumental quanto na canção brasileira, Luciano possui 14 álbuns e um DVD ("Forró Brasileiro", com Edinho Vilas Boas e o saudoso Eason Nascimento) e um especial audiovisual ("Luciano Franco - 70 Anos - Ao Vivo na Casa de Vovó Dedé") lançados, com parcerias e participações de grandes nomes da música nacional. Sua obra é reconhecida por sua sofisticação harmônica, originalidade melódica e diálogo constante com a cultura brasileira. Luciano foi premiado em inúmeros festivais da canção, com destaque para três edições do concorrido Festival de MPB do Conservatório de Tatuí-SP, com três composições em parceria com Dalwton Moura, nas interpretações de Paulo Façanha, Edinho Vilas Boas e Luciana Alves, músicas que fazem parte do disco "Sonho ou Canção".
Iniciou sua carreira em bandas de iê-iê-iê e de baile, em Cascavel e Fortaleza, nos anos 60. Entre 1968 e 1972, no Ceará, atuou como músico acompanhante de nomes consagrados como Cauby Peixoto, Clara Nunes, Vanusa, Dóris Monteiro, Maysa, Paulinho da Viola, Martinho da Vila e Beth Carvalho, marcando o início de sua vivência profissional no cenário da música brasileira.
Sua música expressa um profundo compromisso com a cultura brasileira, com ênfase na produção autoral e na valorização dos saberes regionais, em especial do Ceará e de Minas Gerais, com quem mantém vínculos criativos e afetivos através de parcerias como a de Paulinho Pedra Azul.
Autodidata, Luciano desenvolveu um estilo próprio como compositor e arranjador, reconhecido por músicos e críticos como um artista de excelência. Sua obra serve de inspiração para novos compositores, intérpretes e instrumentistas, especialmente no Ceará e em Minas Gerais.
Luciano é um elo entre gerações e tradições. Ao mesmo tempo em que carrega a memória viva da música brasileira das décadas de 60 e 70 — tendo atuado também ao lado de Beth Carvalho, Maysa e Paulinho da Viola —, também é parceiro de artistas contemporâneos, incentivando a continuidade e a renovação da música brasileira.
Seu trabalho é um exemplo claro de como o saber artístico pode se construir fora dos grandes centros e instituições formais, a partir da prática, da escuta, do convívio e da criação compartilhada.
Luciano Franco é um patrimônio vivo da música brasileira. Sua trajetória é uma verdadeira aula de dedicação, sensibilidade e respeito à arte.

Serviço:
Show Luciano Franco e Convidados - 75 Anos. Quarta-feira, 16 de setembro, às 19h, no Cineteatro São Luiz. Ingressos no Sympla. Preços populares. Informações: 85-999733054 (whatsapp).

FESFORT celebra 29 anos de trajetória e destaca a força das esquetes no teatro cearense

Criado em 1997 pelo ator e diretor Carri Costa, Festival de Esquetes de Fortaleza chega à 24ª edição reunindo 20 trabalhos, formação, memória e reconhecimento da trajetória das artes cênicas cearenses

O palco pode ser pequeno. A cena pode durar poucos minutos. Mas uma experiência teatral não se mede pelo tempo.
É a partir dessa compreensão que o FESFORT – Festival de Esquetes de Fortaleza chega, em 2026, aos 29 anos de trajetória, reafirmando uma vocação que acompanha sua história desde 1997: abrir espaço para experimentar, criar, encontrar, discutir e fazer circular o teatro.
A programação da 24ª edição do FESFORT acontece de 21 a 26 de setembro, no Teatro da Praia, em Fortaleza, reunindo 20 esquetes selecionadas, com entrada gratuita. Mais do que uma mostra competitiva, o Festival propõe um ambiente de convivência entre artistas, técnicos, grupos, diferentes gerações e modos de compreender a cena.

Uma história que começou em 1997
O FESFORT nasceu em 1997 de uma iniciativa do ator e diretor Carri Costa, diante da percepção de que Fortaleza precisava ampliar os espaços onde artistas pudessem apresentar experiências de curta duração, testar linguagens, exercitar dramaturgia, direção e interpretação e, sobretudo, colocar seus trabalhos em contato com outros artistas e com o público.
A Cia. Cearense de Molecagem, fundada em 1994, esteve ao lado dessa criação desde os primeiros momentos, como parceira do Festival, relação que permanece até hoje.
A primeira edição aconteceu de 1º a 6 de abril de 1997, no Teatro da Praia. Nascia ali uma experiência que atravessaria diferentes momentos da produção cultural cearense e se tornaria pioneira no Ceará no formato de festival dedicado especificamente às esquetes.
Em 2002, essa trajetória ganhou uma estrutura institucional decisiva com a criação da APTECE – Associação dos Produtores Teatrais do Ceará. A entidade passou a assumir a produção e a realização institucional do FESFORT, fortalecendo sua organização e contribuindo para sua permanência ao longo das décadas.
Teatro da Praia, APTECE e Cia. Cearense de Molecagem formam, assim, uma rede histórica em torno do Festival: o Teatro como casa e território da experiência; a APTECE como responsável por sua realização e continuidade institucional; e a Companhia como parceira que acompanha o projeto desde sua origem.
Em 2010, o reconhecimento de sua importância ultrapassou os limites do palco: o FESFORT passou a integrar o Calendário Oficial do Estado do Ceará, por meio da Lei nº 14.796, de 22 de setembro de 2010.

Antes de ser história, toda cena foi uma experiência

A permanência do FESFORT está diretamente relacionada à sua compreensão da esquete não como uma forma teatral “menor”, mas como território de criação.
Uma cena curta pode ser o primeiro trabalho de um jovem ator. Pode ser o lugar onde um dramaturgo experimenta uma escrita. Pode permitir que um diretor arrisque outra linguagem. Mas também pode ser o espaço escolhido por artistas experientes para condensar uma pesquisa construída ao longo de muitos anos.
Por isso, o FESFORT nunca foi destinado apenas a iniciantes. Ao longo de sua história, artistas em diferentes momentos de suas trajetórias dividiram o mesmo palco. Essa convivência entre experiência e descoberta é uma das características que ajudam a explicar a longevidade do Festival.
A edição de 2026 mobiliza cerca de 118 profissionais distintos, entre artistas e técnicos. São 66 participações de atores e atrizes em cena, correspondentes a aproximadamente 62 intérpretes distintos, além de diretores, dramaturgos, produtores, iluminadores, sonoplastas, figurinistas, cenógrafos e outros profissionais envolvidos na construção dos trabalhos.
Os 20 selecionados apresentam diferentes linguagens e investigações, passando pela comédia, drama, teatro físico, performance, palhaçaria, teatro documental, tragédia contemporânea e outras possibilidades da cena curta.
Estão na programação: Insucesso; Um Santo Remédio; João das Áfricas; Estação Final; Tempo é Dinheiro; Coisas Invisíveis; Diabo a Dois; Clitemnestra; O Julgamento do Artista; Depois das Onze; EuCão; Homem Guabiru; Delícias do Baião; Ofélia; O Cantar das Marés; Traz Essa Estrela; A Dor Profunda de Pantaleão; O Comerciante; Anjos Caídos; e O Auto do Livro.

Formação, encontro e pensamento sobre a cena

Desde sua origem, o FESFORT procura fazer com que a experiência não termine quando a luz do palco se apaga. A dimensão formativa está presente no diálogo entre artistas, na observação dos trabalhos, nos debates e nas atividades de formação que integram o projeto.
Em 2026, essa dimensão prossegue também após a programação principal: as oficinas formativas e a circulação de esquetes pelas Regionais de Fortaleza acontecem em outubro, ampliando o alcance do Festival para além dos seis dias de apresentações no Teatro da Praia.
Também em outubro, o projeto avança em sua dimensão de memória com o lançamento do livro dedicado à trajetória do FESFORT, transformando documentos, lembranças e registros acumulados ao longo dos anos em instrumento de preservação da memória das artes cênicas cearenses.

Gasparina Germano: memória que permanece em cena

Desde sua primeira edição, o FESFORT compreende que olhar para o futuro do teatro também significa reconhecer aqueles que construíram sua história.
Em 1997, a atriz cearense Gasparina Germano foi a personalidade homenageada pelo Festival. Naquele primeiro ano, a premiação ainda se chamava Troféu Teatro da Praia. A partir de 1998, passou a levar o nome da atriz, dando origem ao Troféu Gasparina Germano.
A homenagem tornou-se uma das marcas do FESFORT e atravessou inclusive períodos em que o Festival não pôde realizar suas edições regulares.
Em 2026, a personalidade homenageada será a atriz e diretora Rejane Reinaldo, que receberá o Troféu Gasparina Germano no dia 26 de setembro, passando a integrar a galeria de personalidades reconhecidas pelo Festival.
Na mesma noite, serão entregues os reconhecimentos aos trabalhos e artistas participantes desta edição. O FESFORT não adota a lógica de eleger simplesmente os “melhores”; a premiação reconhece experiências artísticas e diferentes aspectos da criação, a partir da Comissão de Debate e da participação popular.

Comenda Theatro Concórdia

A memória teatral cearense também está presente na Comenda Theatro Concórdia, instituída em 2006 para reconhecer grupos, instituições, produtores e personalidades cuja atuação contribui para a construção das artes cênicas.
Na edição de 2026, serão agraciados a Cia. Palmas Produções Artísticas, na categoria Grupo de Teatro; o Cine Teatro São Luiz, como Instituição Teatral; Davidson Caldas, na categoria Produção Teatral; e Caio Quinderé, como Personalidade Cultural.

A cena continua
Chegar aos 29 anos não significa apenas contabilizar edições. Significa reconhecer artistas que passaram pelo palco, trabalhos que nasceram como experiência e ganharam outros caminhos, encontros que produziram novas criações e uma rede de pessoas que, em diferentes épocas, ajudou o Festival a permanecer vivo.
A edição de 2026 também carrega uma particularidade de sua própria trajetória. O FESFORT atravessou interrupções e dificuldades de financiamento, mas preservou o compromisso com sua continuidade e com a recuperação de sua história.
O 24º FESFORT é realizado pela APTECE – Associação dos Produtores Teatrais do Ceará, com a parceria histórica do Teatro da Praia e da Cia. Cearense de Molecagem, integrando projeto selecionado no 4º Edital de Apoio a Festivais Culturais do Ceará, por meio do Termo de Execução Cultural nº 370/2026.
Antes de ser história, toda cena foi uma experiência.

SERVIÇO
24º FESFORT – Festival de Esquetes de Fortaleza
29 anos – 1997/2026
Quando: 21 a 26 de setembro de 2026
Horário: a partir das 19h
Onde: Teatro da Praia – Av. Monsenhor Tabosa, 177 – Praia de Iracema – Fortaleza/CE
Entrada: gratuita
Homenagem a Rejane Reinaldo e encerramento: 26 de setembro
Realização: APTECE – Associação dos Produtores Teatrais do Ceará
Parcerias históricas: Teatro da Praia e Cia. Cearense de Molecagem
Projeto: 4º Edital de Apoio a Festivais Culturais do Ceará – TEC nº 370/2026
Instagram: @fesfort_festival
Contato: fesfort1@gmail.com

Febre de Arte ocupa o Dragão do Mar com 24h de programação gratuita em Fortaleza

A 2ª edição da feira Febre de Arte, chega ao Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura nos dias 18, 19 e 20 de setembro com uma intensa programação de mais de 24 horas de atividades gratuitas, contando com programação cultural, shows, feira de criatividade em parceria com a Auê, o Febre Talks com palestras sobre a cannabis medicinal, Birôzinho Febre e o II Encontro Nordestino de Associações Canábicas. O evento une cultura, música, inovação, gastronomia, arte, resistência e educação sobre a planta na capital cearense e conta com patrocínio da Adapta e da Liamba 360° e apoios da RocketMed, Iracema, BR Grows, VerdeOuro e Risoflora. 
No dia de abertura, 18/09, a Febre de Arte recebe na Varanda dos Museus, o II Encontro Nordestino de Associações Canábicas, a partir das 10h, com dois debates centrais para as associações de pacientes: "Governança associativa, novos desafios e formas de parceria entre associações frente a RDC 1014" é a primeira roda de conversa. Já às 14h, o II ENAC debate, "A insegurança na rotina das associações: da semente ao cultivo, da receita até a questão logística". 
Entre as associações confirmadas estão: ABRACAM; Adapta; Associação Terapêutica Verde Ouro; Pangaia; ACAFLOR/PB; Risoflora Medicinal/PE; ACMEC; Associação de Cannabis Terapêutica Kátia Maia/PE; Terra Livre — Cannabis Regenerativa; Ceará Saúde Livre; Jardim Yvoty; IRACEMA/CE; AME-CE / Associação Medicinal do Ceará; Aliança Medicinal/PE; Acura Ceará; ACTEC/CE; Medical Agreste/PE ; Amedis/CE; AMME-PE. 
A partir das 17h, ainda na Varanda dos Museus, a programação terá apresentação do grupo Samba Roots, como parte do encerramento cultural do II Encontro Nordestino de Associações Canábicas. 

Sábado e domingo com palestras sobre a cannabis, Birôzinho Febre e atividades culturais no Mini Anfiteatro 
No sábado e domingo, a programação da Febre de Arte recebe, a partir das 16h, o Febre Talks e o Birôzinho Febre, ambos no Mini Anfiteatro do Dragão do Mar. Em ambos os dias, a partir das 17h, o Lounge Ferve ocupa o pátio da Varanda dos Museus com performances e intervenções musicais, recebendo a performance SadSexySongs de Marlus em ambos os dias. Já no sábado, às 20h, o Lounge Ferve terá uma intervenção especial de Gabriel Sammy e do coletivo Ballroom. A Arena Independente, ocupa a área interna da Varanda, recebendo exposições de artistas plásticos com diferentes técnicas, além de expositores e artistas radicados em Fortaleza que apresentam trabalhos autorais. 
No sábado, 19, a programação do Febre Talks terá como tema central: “Ciência, inovação e histórias que transformam”, já no domingo, 20, a programação de palestras terá como eixos centrais os temas: política, regulação e acesso. Estão confirmadas as palestras de: Gabriel Gimenez, consultor especializado em projetos com ampla experiência em regulamentação do Cânhamo e da cannabis medicinal. Ex-diretor da Agência Regulatória do Cânhamo Industrial e da Cannabis Medicinal (ARICCAME), na Argentina, e ex-diretor nacional de articulação Federal no INASE, Instituto Nacional de Sementes, no mesmo país; Dra. Magda Almeida é médica de Família e Comunidade, mestre em Saúde Pública e doutora em Ciências pela Unicamp. Professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC); Bianca Cardial, advogada, militante feminista antiproibicionista. Integra a Rede Reforma e a RENFA, pautando sua atuação política e jurídica na intersecção entre o feminismo e o antirracismo em prol da reforma na política de drogas; Igor Becker, Gestor de Relacionamentos da World Creativity Organization (WCO); Lucas Araújo, geógrafo, filósofo e educador; Dr. Eugenio Franco, CREMEC 15636, pós-graduado em cannabis medicinal com certificação internacional em medicina canabinoide; Ítalo Coelho, advogado, especialista em Direito Criminal e Direito Penal, mestrando em Saúde Pública pela Universidade Federal do Ceará, integrante do Ceará Saúde Livre e candidato a deputado estadual pela Rede Sustentabilidade; Tamára Silva, militante antiproibicionista desde 2007 e co-fundadora da Marcha da Maconha Fortaleza e da RENFA (Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas), onde atualmente é coordenadora de Gestão Institucional; Luisa Cela, psicóloga e mestra em Saúde da Família. Construiu carreira na base, com direitos humanos, cultura e juventude, foi Secretária da Cultura do Ceará e liderou a Lei Aldir Blanc, maior política cultural do país.
Além das palestras, o espaço recebe atividades culturais, apresentações musicais e exibição de curtas-metragens dentro do Birôzinho Febre, como parte da programação cultural. Estão confirmados os artistas, coletivos e bandas: Improvisa Sabiá, Os Bardos, Flow em Flor - Roni Flow + MK085, ENDWO, Regina Kinjo, Brunno Beene, Les Errantes, Banda Lítio, Alinne Madelon, Neurônica e Canil. 

Rua das associações e programação de shows em parceria com Auê feira
A Febre de Arte 2026 conta ainda com uma parceria inédita com a Auê Feira, evento que em mais de 100 edições no Ceará reuniu mais de 500 mil pessoas. A parceria conta com a co-curadoria dos shows e a Rua das Associações, espaço dedicado às organizações da região Nordeste que acolhem pacientes que fazem uso medicinal da cannabis. No sábado, a partir das 17h, o palco Auê pra Geral recebe uma programação especial com os shows de Os Muringa, Juruviara e DJ Thigas. Já no domingo, se apresentam Superbanda, DJ Taina e a banda Infinita Madrugada encerrando a programação com um show especial para o público da Febre. 
Para Gabriela Fernandes, idealizadora da Febre de Arte, a parceria com a Auê Feira estabelece um marco para o evento. 
“A Auê fez escola para todas as feiras, e a honra não podia ser maior. A Febre já nasceu sabendo como esquentar a cena porque a Auê já tinha provado que era possível movimentar a cidade desse jeito. A programação musical foi deliciosamente construída para continuar entregando a qualidade que fez Fortaleza amar a Auê e, ao mesmo tempo, unir novas cenas, sons e encontros para ferver juntos”, destacou Fernandes.  

Serviço
2ª edição da feira Febre de Arte 
II Encontro Nordestino de Associações Canábicas / Febre Talks - Birôzinho Febre/ Arena Independente & Lounge Ferve / Rua das Associações e Palco Pra Geral com Auê Feira 
Datas: 18, 19 e 20 de setembro de 2026
Centro Dragão do Mar.
Todas as atividades têm entradas gratuitas 
Horários:
18/09 (sexta-feira) - 9h às 21h30
19/09 (sábado) - 16h às 22h
20/09 (domingo) - 16h às 22h
Mais informações e programação: www.febredearte.com

Agro pode abrir nova frente de emprego e renda no interior do Ceará

Enquanto o Estado amplia o número de postos formais, informalidade ainda atinge a maioria dos trabalhadores em nove de cada dez municípios. Para Carlos Matos, agroindústria, irrigação e acesso à tecnologia podem mudar esse cenário

A criação de empregos formais avança no Ceará, mas a distribuição das oportunidades pelo território permanece como um dos principais desafios econômicos do Estado. Em julho, foram abertas 4.181 vagas com carteira assinada, elevando para aproximadamente 28,7 mil o saldo acumulado entre janeiro e julho de 2026. Fora dos grandes centros urbanos, porém, boa parte da população continua dependente de atividades informais e ocupações de baixa remuneração.
Estudo publicado pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), em maio deste ano, revela que 91% dos municípios cearenses possuem mais da metade da população ocupada trabalhando na informalidade. Em aproximadamente 31% das cidades, a proporção ultrapassa 70%.
Os índices mais elevados foram encontrados em Salitre, onde 88,2% dos ocupados estavam na informalidade; Parambu, com 80,1%; Aiuaba, com 79,8%; e Piquet Carneiro, com 78,9%. Os dados municipais têm como referência o Censo Demográfico de 2022 e mostram que o problema se concentra, principalmente, no trabalho por conta própria sem CNPJ e nos empregos sem carteira assinada.
Para o empresário, ex-secretário da Agricultura do Ceará e especialista em desenvolvimento regional Carlos Matos, a realidade evidencia a necessidade de recolocar o agronegócio no centro de uma estratégia de geração de emprego e renda no interior.
“O Ceará precisa tratar o agro como uma política permanente de desenvolvimento regional. Isso significa olhar não apenas para a produção dentro da propriedade, mas para toda a cadeia econômica que pode ser formada a partir dela, com assistência técnica, beneficiamento, armazenamento, transporte, comercialização e agroindústria”, afirma.

Potencial econômico
A agropecuária está entre os setores que apresentaram saldo positivo de empregos formais no Ceará em julho. O potencial do segmento, no entanto, vai além das vagas diretamente ligadas ao cultivo, à criação de animais ou à produção de alimentos. A instalação de pequenas e médias agroindústrias pode ampliar a demanda por profissionais nas áreas de logística, manutenção, administração, tecnologia, comércio e prestação de serviços.
Na avaliação de Carlos Matos, o interior cearense ainda perde parte da riqueza que produz porque muitos produtos deixam os municípios sem passar por processos de beneficiamento. Com isso, etapas capazes de agregar valor e criar empregos acabam realizadas em outras regiões.
“Quando uma matéria-prima sai do município sem ser transformada, não é apenas o produto que vai embora. Parte da renda, da arrecadação e dos empregos também sai. Precisamos criar condições para que o produtor avance na cadeia e para que a riqueza permaneça onde ela é produzida”, destaca.
A expansão dessas atividades pode contribuir para reduzir a dependência do trabalho informal. O desafio envolve especialmente municípios pequenos, nos quais a economia está concentrada no comércio, nos serviços públicos, na agricultura de baixa produtividade e no trabalho autônomo.
O rendimento domiciliar mensal per capita do Ceará chegou a R$ 1.390 em 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Embora o indicador tenha avançado e a renda real dos 10% mais pobres tenha crescido mais de 40% entre 2022 e 2025, as diferenças econômicas entre Fortaleza, os polos regionais e os municípios menores permanecem expressivas.

Tecnologia e produtividade
A ampliação do emprego e da renda no campo passa pelo aumento da produtividade, mas o acesso à inovação ainda ocorre de forma desigual. Tecnologias disponíveis no mercado permitem reduzir o tempo de criação do gado, elevar a produção de leite e ampliar a produtividade de cadeias como a carcinicultura e a fruticultura irrigada. Esses recursos, entretanto, permanecem distantes de muitos pequenos e médios produtores.
“O Ceará já dispõe de conhecimento, pesquisa e experiências bem-sucedidas. O que falta é fazer essa tecnologia chegar à ponta. O pequeno produtor não pode ser condenado a produzir menos simplesmente porque não teve acesso à assistência técnica, ao crédito ou aos equipamentos adequados”, observa Carlos Matos.
A qualificação também precisa acompanhar as características econômicas de cada região. Vale do Jaguaribe, Cariri, Serra da Ibiapaba, Sertão Central e Inhamuns apresentam vocações produtivas e condições ambientais distintas. Para Matos, políticas uniformes, desenhadas sem considerar essas diferenças, têm pouca capacidade de alterar a realidade local.
“Cada território precisa ter um projeto próprio, construído a partir de suas potencialidades. Em algumas regiões, a prioridade pode ser a fruticultura; em outras, leite, carne, ovinos, caprinos, mel, camarão ou agroindústria. O desenvolvimento não acontece com uma fórmula única aplicada aos 184 municípios”, afirma.

Irrigação
A recuperação dos perímetros irrigados aparece entre as medidas consideradas essenciais para ampliar a produção e atrair novos investimentos. Essas áreas tiveram participação importante no desenvolvimento da fruticultura e na geração de empregos em diferentes municípios, mas parte delas enfrenta limitações de infraestrutura, gestão e acesso à água.
Para Carlos Matos, a agricultura irrigada precisa voltar a ser tratada como instrumento de desenvolvimento regional, com planejamento hídrico, modernização dos sistemas e uso mais eficiente da água.
“Não podemos discutir o futuro do agro cearense sem recuperar a capacidade produtiva dos perímetros irrigados. Precisamos de uma irrigação moderna, com tecnologia para gastar menos água e produzir mais. Segurança hídrica não significa apenas disponibilidade de água, mas gestão, infraestrutura e eficiência”, diz.
A estratégia também depende da melhoria das estradas, do fornecimento de energia, da conectividade rural e das estruturas de armazenamento. Sem essas condições, produtores enfrentam custos maiores, perdas de produção e dificuldades para alcançar novos mercados.
O crédito é outro ponto decisivo. Linhas de financiamento precisam considerar o ciclo das atividades, os riscos climáticos e a capacidade financeira dos produtores. A assistência técnica, por sua vez, deve acompanhar a contratação do financiamento para evitar que o recurso seja aplicado sem orientação produtiva ou planejamento de mercado.
“O Ceará não precisa copiar o modelo de Goiás, Mato Grosso ou Paraná. Precisa desenvolver o agro que nossas condições permitem liderar: mais tecnológico, eficiente no uso da água, integrado à agroindústria e preparado para gerar riqueza no interior. Não basta produzir mais. É preciso produzir melhor, industrializar mais e fazer essa riqueza permanecer no Ceará”, pontua Carlos Matos.

Tecnologia avança na saúde, mas gestão será decisiva para transformar inovação em melhor atendimento

Expansão da telessaúde e uso de inteligência artificial nas UTIs colocam o Brasil diante de uma nova etapa da assistência; para especialista, desafio passa pela integração entre tecnologia, profissionais, processos e segurança do paciente

A transformação digital começa a ocupar um espaço cada vez maior na assistência à saúde no Brasil. Telessaúde, prontuários eletrônicos, monitoramento remoto e ferramentas de inteligência artificial já fazem parte da rotina de diferentes serviços e devem ganhar escala nos próximos anos. O avanço, no entanto, traz um desafio que vai além da aquisição de equipamentos e sistemas: fazer com que a tecnologia resulte efetivamente em atendimento mais rápido, seguro e eficiente.
O assunto ganhou força nos últimos dias com a apresentação, pelo Ministério da Saúde, da Central de Comando das UTIs Inteligentes do Sistema Único de Saúde (SUS). Instalada no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, a estrutura monitora em tempo real sinais vitais de pacientes internados em seis hospitais do País. Atualmente, são 60 leitos inteligentes em funcionamento, com previsão de expansão para 280 leitos em 14 instituições.
A tecnologia permite acompanhar informações como frequência cardíaca, pressão arterial e níveis de oxigênio e identificar alterações que podem indicar a piora do quadro clínico. A proposta é antecipar situações de risco e oferecer informações adicionais para auxiliar as equipes responsáveis pelo paciente. A decisão clínica, entretanto, continua nas mãos dos profissionais de saúde.
Na avaliação da enfermeira, auditora e especialista em gestão de saúde Rubênia Lauriza, a incorporação dessas ferramentas representa uma mudança importante na organização da assistência, mas exige que a modernização tecnológica seja acompanhada pela revisão dos processos internos das unidades.
“Não adianta termos uma grande quantidade de informações disponíveis se elas não estiverem integradas à rotina assistencial e se as equipes não estiverem preparadas para utilizá-las. Tecnologia precisa significar capacidade de antecipar riscos, reduzir falhas e tomar decisões com mais segurança. É aí que gestão e assistência precisam caminhar juntas”, afirma.

Saúde mais conectada
Outra frente dessa transformação é a telessaúde. O governo federal pretende levar o serviço a 100% das unidades do SUS nos próximos quatro anos. Atualmente, mais de 80% da rede já conta com algum tipo de tecnologia relacionada ao teleatendimento, e mais de 12 milhões de atendimentos foram realizados diretamente pelo Ministério da Saúde em parceria com universidades.
A expansão pode ter impacto especialmente relevante em regiões onde a distância e a disponibilidade de profissionais especializados ainda dificultam o acesso. A telessaúde permite, por exemplo, consultas, avaliações entre profissionais e diagnósticos realizados a distância, funcionando de maneira complementar ao atendimento presencial.
Para Rubênia, porém, ampliar o acesso tecnológico é apenas uma parte do processo. A qualidade da informação registrada, a integração dos sistemas, a definição dos fluxos assistenciais e o acompanhamento dos resultados precisam avançar na mesma velocidade.
“Quando falamos em transformação digital na saúde, não estamos falando apenas de computadores ou inteligência artificial. Estamos falando de uma nova forma de organizar o cuidado. Isso envolve desde o registro correto das informações até o acompanhamento do paciente, a gestão de leitos, os protocolos e a comunicação entre os diferentes profissionais”, observa.
Nesse cenário, a enfermagem ocupa uma posição estratégica. Por acompanhar o paciente de forma contínua e participar diretamente dos processos assistenciais, o profissional de enfermagem está entre aqueles que mais lidam com informações clínicas, protocolos, indicadores e identificação precoce de alterações no estado de saúde.
Rubênia destaca que a tecnologia pode reduzir etapas burocráticas e ampliar a capacidade de acompanhamento das equipes, mas não substitui a avaliação profissional. “A ferramenta pode indicar um risco, organizar informações e chamar atenção para uma alteração. Mas existe uma dimensão do cuidado que depende da observação, da experiência e da capacidade de avaliação do profissional. A tecnologia deve apoiar esse trabalho, e não afastar o profissional do paciente.”

Gestão dos dados
A digitalização também abre outra discussão: o uso das informações produzidas diariamente pelos serviços de saúde. Dados sobre tempo de internação, ocupação de leitos, ocorrência de eventos adversos, reinternações e evolução dos pacientes podem servir para identificar gargalos e orientar mudanças na assistência.
É nesse ponto que auditoria e gestão ganham importância. Mais do que verificar procedimentos realizados, a análise sistemática dessas informações permite avaliar a qualidade dos processos e identificar onde recursos, equipes e estruturas podem ser utilizados de maneira mais eficiente.
“A saúde produz uma quantidade enorme de dados todos os dias. O desafio é transformar esses dados em informação capaz de melhorar a assistência. Uma gestão eficiente precisa saber onde estão os gargalos, quais processos estão apresentando falhas e quais resultados estão sendo entregues ao paciente”, explica Rubênia.
Para a especialista, a expansão das novas tecnologias tende a tornar essa discussão ainda mais relevante nos próximos anos. Quanto maior a capacidade de produzir e cruzar informações, maior também será a necessidade de profissionais preparados para interpretar os dados e transformá-los em decisões.
“O futuro da saúde será cada vez mais tecnológico, mas continuará essencialmente humano. O ganho verdadeiro acontece quando inovação, gestão e conhecimento profissional conseguem trabalhar juntos. No fim, o objetivo continua sendo o mesmo: oferecer um cuidado mais seguro, eficiente e acessível para quem precisa”, conclui Rubênia Lauriza.

Nordeste registra 48% de incidência de apostadores ilegais, aponta pesquisa

A região Nordeste registra incidência de 48% de apostadores ilegais, segundo a pesquisa “Incidência de apostas ilegais no Brasil”, do Instituto Locomotiva. O índice é igual ao registrado na região Norte, de 48%, e fica abaixo dos percentuais observados no Sudeste (49%), Sul (54%) e Centro-Oeste (56%).
A pesquisa, realizada em maio deste ano, ouviu 2.291 jogadores de apostas esportivas ou cassinos online em todo o Brasil. Para classificar um apostador como ilegal, a pesquisa considerou a declaração de duas ou mais práticas irregulares de apostas realizadas nos três meses anteriores ao levantamento. Entre as práticas identificadas, 53% dos entrevistados disseram ter apostado em sites sem exigência de reconhecimento facial, 48% em plataformas com final diferente de “bet.br”, 37% fizeram depósitos por cartão de crédito e 23% por criptoativos.
O levantamento integra o estudo “Dimensionamento e combate do mercado ilegal de apostas no Brasil”, realizado pela LCA Consultores a pedido do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR). Com base nos dados do Instituto Locomotiva, a LCA Consultores estima que entre 38% e 44% do valor total apostado ocorram atualmente em plataformas clandestinas, ante uma faixa de 41% a 51% em 2025. A redução indica uma retração da participação do mercado ilegal no período, embora as plataformas clandestinas ainda representem uma parcela relevante das apostas no país.

Artesãos e artistas cearenses ajudam a contar a história de Jericoacoara em novo resort

Novo empreendimento do grupo Alchymist combina arte, técnicas artesanais e criações autorais para traduzir as raízes do vilarejo em uma nova experiência de hospitalidade

Há projetos que começam pela arquitetura. Outros começam por uma ideia. O Luxury Resort, novo empreendimento do grupo Alchymist e primeiro hotel resort de Jericoacoara, nasce de algo ainda mais particular: um olhar.
O olhar de Giorgio Bonelli, fundador do grupo Alchymist, para aquilo que muitas vezes passa despercebido.
Em meio à paisagem de Jericoacoara, Giorgio encontrou inspiração não apenas nas dunas, no mar e no horizonte, mas também nas pessoas, nos materiais e nos saberes que fazem parte da identidade do lugar. É dessa percepção que surge uma proposta em que o artesanato e a produção artística local assumem papel essencial na construção dos ambientes.
A ideia não é simplesmente decorar. É aproximar o empreendimento de suas raízes.
Para Giorgio, valorizar artistas e profissionais da região também significa preservar histórias, técnicas e maneiras de criar que pertencem ao território. Por isso, diferentes elementos do Luxury Resort foram pensados para carregar essa identidade de maneira delicada e integrada à arquitetura.

A arte que nasce dos materiais de Jeri
Nos apartamentos, escamas de camurupim ganham uma nova vida em luminárias, transformando um material associado à cultura e à paisagem local em peças que levam para os ambientes a memória de Jericoacoara.
O mesmo olhar aparece nas luminárias posicionadas ao lado das camas, produzidas manualmente em ferro reciclado por um artista local. O material reaproveitado encontra o trabalho das mãos e se transforma em objetos que unem simplicidade, técnica e personalidade.
Até elementos que normalmente teriam apenas uma função prática ganham espaço para a expressão artística. As cubas exclusivas, assinadas por artistas plásticos regionais, tornam-se pequenas obras dentro dos apartamentos, aproximando os hóspedes da produção artística cearense.

Quando as mãos do artista encontram a arquitetura
Um dos exemplos mais marcantes dessa relação está nas próprias colunas do resort.
Em vez de receberem apenas um acabamento convencional, elas estão sendo transformadas pelas mãos do escultor artístico Romilson Lopes, natural de Camocim.
A história de Romilson também revela uma dimensão pessoal desse encontro. A partir do reconhecimento de seu trabalho, o artista construiu uma relação de amizade com Giorgio Bonelli, que se transformou em uma parceria que ultrapassa o projeto de um único empreendimento.
Antes praticamente desconhecido do grande público, Romilson hoje é artista exclusivo do grupo Alchymist e também tem trabalhos presentes em outro empreendimento do grupo.
No Luxury Resort, sua arte ganha novamente
espaço, desta vez ocupando as próprias colunas do projeto. O trabalho é desenvolvido diretamente sobre a arquitetura, de forma manual, acompanhando o nascimento do empreendimento.
Cada gesto, textura e forma nasce do trabalho do artista. Não existe a intenção de reproduzir uma peça em série, mas de respeitar o tempo, a técnica e a interpretação de quem cria.

O resultado é uma obra que passa a fazer parte do próprio espaço.
É justamente esse tipo de detalhe que traduz a maneira como Giorgio Bonelli enxerga o projeto: a arquitetura não precisa competir com a arte. Ela pode abrir espaço para que a arte aconteça.
E, quando isso acontece pelas mãos de um artista local, o ambiente passa a carregar também um pouco da história de quem vive e cria neste território.

Um resort que começa antes da chegada
Enquanto os últimos detalhes são incorporados aos ambientes, o Luxury Resort segue em fase de acabamento e ganhando sua forma definitiva.
No apartamento modelo, por exemplo, o dossel sobre a cama será instalado nos próximos dias, completando uma composição pensada para transmitir acolhimento e leveza.
É justamente nessa fase, quando pequenos elementos ainda encontram seus lugares, que a essência do projeto se torna mais evidente.
O Luxury Resort não busca apenas construir espaços. Busca construir uma relação com o lugar.
Uma luminária feita à mão. Uma escultura criada diretamente sobre uma coluna. Uma cuba assinada por um artista. Um material que ganha uma nova função.
São escolhas pequenas quando observadas isoladamente, mas que, juntas, revelam uma visão.
A visão de Giorgio Bonelli de que um empreendimento pode olhar para o futuro sem deixar para trás aquilo que dá identidade ao território onde nasce.
Em Jericoacoara, essa visão ganha forma pelas mãos de artistas, artesãos e profissionais locais.
E talvez seja justamente aí que esteja a verdadeira essência do Luxury Resort: em um projeto que escolheu olhar de perto para aquilo que já existia aqui antes dele.

Minissérie sobre Belchior tem exibição gratuita no Cinema do Dragão neste fim de semana

A história de Belchior volta às telas no Ceará neste fim de semana. A minissérie de ficção “ALUCINAÇÃO”, produzida pela Urca Filmes e coproduzida pela cearense Gavulino Filmes, será exibida gratuitamente nas Salas 1 e 2 do Cinema do Dragão, dentro da programação Rememorações, que celebra os 13 anos desse espaço dedicado ao cinema. Na sexta-feira (11/9), serão apresentados os episódios 1 e 2, seguidos de debate com parte do elenco do filme, na Sala 2. No sábado (12/9), o público poderá assistir aos episódios 3 e 4. As sessões começam às 19h, e a retirada dos ingressos será na bilheteria do cinema, a partir das 18h. A entrada é gratuita, sujeita à lotação das salas.