Com uma história emocionante sobre tecnologia, infância e imaginação, animação resgata a essência da série, mas repete fórmulas já conhecidas
Quando a Pixar anunciou Toy Story 5, a reação inicial de muitos fãs foi de desconfiança. Afinal, a franquia parecia ter encerrado sua trajetória de forma definitiva em Toy Story 3 e, posteriormente, encontrou uma despedida emocional para Woody em Toy Story 4. A pergunta era inevitável: havia realmente algo novo a ser contado?
A resposta é sim — embora não de maneira tão revolucionária quanto seus criadores talvez imaginassem.
Dirigido por Andrew Stanton, um dos nomes mais importantes da história da Pixar, o novo longa coloca Woody, Buzz Lightyear, Jessie e seus amigos diante de um desafio contemporâneo: a crescente dependência das crianças em relação às telas. Bonnie, agora mais velha, passa a dedicar sua atenção a um tablet inteligente chamado Lilypad, enquanto os brinquedos começam a questionar seu papel em um mundo cada vez mais digital.
O tema poderia facilmente descambar para um discurso simplista contra a tecnologia, mas o roteiro demonstra maturidade ao evitar esse caminho. Em vez de condenar celulares, tablets e dispositivos eletrônicos, o filme discute como a imaginação infantil vem sendo transformada pelas novas formas de entretenimento. A reflexão é pertinente e dialoga diretamente com pais, filhos e até mesmo adultos que cresceram acompanhando a franquia.
A grande surpresa está em Jessie. Pela primeira vez, a cowgirl assume papel central na narrativa e ganha o desenvolvimento emocional mais rico do filme. Joan Cusack entrega uma interpretação vocal carregada de sensibilidade, conduzindo alguns dos momentos mais emocionantes da produção. Diversos críticos internacionais apontaram justamente a personagem como o coração da história.
Visualmente, Toy Story 5 é mais uma demonstração da excelência técnica da Pixar. A animação atinge um nível impressionante de detalhamento, especialmente nos cenários domésticos e nos efeitos de iluminação. Em vários momentos, o filme lembra por que o estúdio continua sendo uma das maiores referências mundiais em animação digital.
No entanto, nem tudo funciona perfeitamente.
O principal problema é a sensação de repetição. A premissa de um brinquedo tradicional sentindo-se ameaçado por uma novidade tecnológica remete diretamente ao conflito central do primeiro Toy Story. Embora o contexto seja diferente, a estrutura narrativa frequentemente parece revisitar territórios já explorados pela franquia há mais de três décadas. Alguns críticos internacionais destacaram justamente essa falta de ousadia na construção da trama.
Outro ponto discutível é o espaço reduzido dado a personagens clássicos como Rex, Hamm e Sr. Cabeça de Batata. Muitos acabam relegados a participações pontuais enquanto novos personagens recebem maior destaque. Essa crítica também apareceu entre fãs e espectadores nas primeiras discussões online sobre o longa.
Ainda assim, a força emocional da franquia permanece intacta. Stanton compreende como poucos a conexão afetiva que o público desenvolveu com esses personagens ao longo de mais de 30 anos. Há cenas capazes de arrancar lágrimas mesmo dos espectadores mais resistentes, especialmente nas reflexões sobre crescimento, mudanças e a inevitável passagem do tempo.
Talvez Toy Story 5 não alcance o impacto revolucionário dos dois primeiros filmes nem a perfeição emocional de Toy Story 3. Mas consegue algo que parecia improvável: justificar sua própria existência. Em uma época dominada por continuações desnecessárias, a Pixar entrega uma sequência que possui algo relevante a dizer sobre o mundo atual e sobre as novas gerações.
Para quem cresceu ao lado de Woody e Buzz, a experiência é especialmente tocante. O filme entende que seus espectadores envelheceram e usa essa maturidade para construir uma narrativa que conversa tanto com crianças quanto com os adultos que um dia levaram seus brinquedos favoritos para todos os lugares.
Em Fortaleza, as melhores opções para assistir à animação são as salas da rede UCI Cinemas, no Shopping Iguatemi Bosque, e o Cinemas Benfica, que segue como uma das referências para os apaixonados por cinema na capital cearense.
A verdade é que, mesmo após cinco filmes, a magia de Toy Story continua funcionando. Talvez não com a mesma intensidade de antes, mas ainda com emoção suficiente para lembrar por que essa é uma das franquias mais importantes da história da animação.
Nota: 8,5/10
⭐⭐⭐ BOM
SERVIÇO
TOY STORY 5
Ficha Técnica
Direção: Andrew Stanton
Roteiro: Andrew Stanton e McKenna Harris
Elenco (vozes): Tom Hanks, Tim Allen, Joan Cusack, Greta Lee, Conan O'Brien, Ernie Hudson e Bonnie Hunt
Gênero: Animação, Aventura, Comédia, Família
País: Estados Unidos
Ano: 2026
Duração: 1h42min
Produção: Pixar Animation Studios
Distribuição: Walt Disney Studios Motion Pictures
Classificação Indicativa: Livre
Sinopse
Quando Bonnie passa a dedicar mais atenção a um moderno tablet inteligente chamado Lilypad, Woody, Buzz, Jessie e os demais brinquedos enfrentam uma crise existencial. Em um mundo cada vez mais dominado pela tecnologia, eles precisam descobrir se ainda existe espaço para a imaginação, a amizade e as brincadeiras tradicionais.