Show de intervalo divide opiniões, Mundial é marcado por preços exorbitantes, polêmicas políticas, imigração, racismo, dificuldades de transporte e críticas à excessiva comercialização do futebol
Madonna fez a maioria de sua apresentação pré gravada no show do intervalo da final da Copa do Mundo de 2026, com os ex-jogadores brasileiros Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho e dançarinos. Embora a performance tenha ocorrido no MetLife Stadium nos Estados Unidos, a aparição real e ao vivo da cantora durou menos de um minuto. Na verdade ela vendeu um clipe para a FIFA.
A Copa do Mundo de 2026 ficará marcada por muito mais do que o futebol. Realizado pela primeira vez com 48 seleções e organizado por Estados Unidos, México e Canadá, o torneio entrou para a história pela adoção do primeiro show de intervalo em uma final, pela presença constante do presidente Donald Trump e por uma sequência de polêmicas que transformaram o Mundial em um dos mais controversos da história recente da FIFA.
No centro do espetáculo estava Madonna. Anunciada como uma das grandes atrações do inédito show de intervalo, a Rainha do Pop abriu a apresentação com "Music", mas permaneceu poucos minutos em cena antes de dar lugar a BTS, Justin Bieber, Shakira e Burna Boy. O resultado desagradou parte da imprensa e dos torcedores, que esperavam uma apresentação protagonizada pela cantora. O espetáculo musical teve apenas 11 minutos, mas o intervalo da partida foi ampliado para 27 minutos, rompendo uma tradição centenária do futebol e aproximando a final do formato do Super Bowl.
A Rainha do Pop acabou protagonizando uma participação muito menor do que a expectativa criada pela FIFA. A cantora abriu a apresentação interpretando "Music", mas permaneceu pouco tempo no estádio.
Veículos internacionais apontaram que justamente a artista que simbolizava o maior peso histórico do espetáculo acabou tendo pouco espaço. O Houston Chronicle avaliou que a apresentação teria funcionado melhor caso Madonna tivesse conduzido praticamente todo o show, classificando a sucessão de atrações como desconexa e incapaz de criar um momento realmente memorável.
O jornal britânico The Times foi ainda mais duro. Em sua crítica, afirmou que a tentativa de transformar a final da Copa em um "Super Bowl do futebol" resultou em um espetáculo excessivamente comercial e emocionalmente vazio. A publicação classificou a abertura de Madonna como pouco inspirada e considerou que o desfile de atrações prejudicou o ritmo do evento.
As críticas não ficaram restritas à imprensa. Durante a transmissão da BBC, o ex-atacante Wayne Rooney resumiu sua opinião em poucas palavras ao afirmar que o espetáculo foi "ruim", acrescentando que seu momento favorito havia sido quando ele terminou. A declaração rapidamente repercutiu nas redes sociais e passou a representar a insatisfação de parte dos torcedores tradicionais.
O problema, entretanto, foi muito maior do que o show.
A mudança simbolizou aquilo que muitos analistas chamaram de "americanização" da Copa. O futebol passou a dividir espaço com entretenimento, celebridades, ações comerciais e ativações de patrocinadores, provocando críticas de jornalistas esportivos e de torcedores tradicionais. O jornal Financial Times classificou esta edição como a mais hipercomercializada da história da FIFA, destacando a adoção de preços dinâmicos, produtos de luxo e experiências VIP voltadas ao mercado norte-americano.
Donald Trump também esteve no centro das atenções durante praticamente toda a competição. O presidente participou de eventos oficiais, compareceu à final e entregou o troféu ao campeão. Sua presença, entretanto, extrapolou o protocolo. A Associated Press destacou que uma possível interferência de Trump em um caso disciplinar envolvendo cartão durante o torneio gerou questionamentos sobre a independência das decisões esportivas da FIFA, embora os detalhes do episódio permaneçam cercados de debate.
As políticas migratórias da administração Trump também alimentaram críticas durante todo o Mundial. Antes mesmo do início da competição, organizações de direitos humanos, dirigentes esportivos e parte da imprensa internacional demonstravam preocupação com restrições de entrada para cidadãos de determinados países e com o endurecimento dos controles de imigração. O tema ganhou força durante o torneio, especialmente em relação à delegação iraniana e aos protocolos de entrada de torcedores estrangeiros.
O debate sobre discriminação racial também esteve presente. Casos envolvendo ofensas racistas entre torcedores e denúncias relacionadas à abordagem de autoridades migratórias foram registrados durante a competição, alimentando críticas ao ambiente vivido por algumas delegações e torcidas. As discussões sobre racismo passaram a caminhar lado a lado com o endurecimento das políticas de imigração adotadas pelos Estados Unidos.
Outro ponto que gerou revolta foi o preço dos ingressos. A FIFA adotou pela primeira vez um sistema de preços dinâmicos, fazendo com que os valores variassem conforme a procura. Ingressos para a decisão chegaram a aproximadamente US$ 11 mil, enquanto pacotes premium ultrapassaram US$ 30 mil. O modelo recebeu críticas de jogadores, políticos e torcedores, que acusaram a entidade de elitizar o maior evento do futebol mundial.
Nem mesmo quem conseguiu comprar ingressos escapou dos problemas. Em diversas partidas, especialmente na final em Nova Jersey, torcedores enfrentaram falhas no sistema de leitura dos bilhetes, longas filas e atrasos provocados pelos rigorosos esquemas de segurança. O transporte também foi alvo de reclamações. O preço das passagens de trem para chegar ao estádio chegou a causar indignação, obrigando as autoridades locais a reduzirem parte das tarifas após forte pressão pública.
Fora dos gramados, a geopolítica também invadiu a Copa. A guerra no Oriente Médio e o conflito entre Rússia e Ucrânia repercutiram durante todo o torneio, influenciando debates sobre segurança, imigração e participação de algumas seleções. A competição acabou funcionando como palco para manifestações políticas e protestos, reforçando que o futebol dificilmente consegue se dissociar do cenário internacional.
Apesar de recordes de público, audiência e arrecadação, a edição de 2026 deixa uma herança controversa. A FIFA conquistou cifras bilionárias e ampliou o alcance comercial da Copa, mas também abriu um debate sobre até que ponto o futebol pode ser transformado em um produto de entretenimento, esporte e saúde sem perder sua essência, com flagrantes de jogos combinados mundo afora, com a influência de Bets e casas de apostas virtuais e a tradicional violência ao redor dos estádios.
A Espanha foi aclamada bicampeã da Copa do Mundo, com a vitória por 1 a 0 sobre a Argentina que não levou o tetracampeonato. O sonho do Hexa só voltará em 2030, mas ano que vem acontecerá no Brasil a Copa do Mundo feminina de futebol, com jogos acontecendo em Fortaleza.
Esperamos que agora os brasileiros acordem da alienação e dancem a música da realidade pensando nas Eleições e no que realmente importa e muda a vida das pessoas: os políticos que queremos no poder.