O avanço acelerado da nova economia tem impulsionado o surgimento e a expansão de agências de publicidade, marketing digital e negócios online em todo o país. No entanto, esse crescimento, quando não vem acompanhado de estrutura operacional e governança, tem se tornado um dos principais fatores de perda de margem, desgaste de equipes e aumento de riscos jurídicos no setor.
Dados do Global Entrepreneurship Monitor (GEM) apontam que o Brasil está entre os países com maior taxa de empreendedorismo do mundo, mas também figura entre os que mais enfrentam mortalidade precoce de negócios. Entre os motivos mais recorrentes estão a falta de gestão, ausência de processos claros e decisões baseadas em improviso, especialmente em empresas do setor de serviços e da economia digital.
No universo das agências, o cenário se repete: contratos frágeis, times PJ sem critérios definidos, ausência de padronização nas entregas, retrabalho constante e donos sobrecarregados pela operação. O resultado é um crescimento que não se sustenta, e que começa a gerar um efeito em cadeia no mercado.
Do outro lado da relação, empresas e marcas que contratam agências estão cada vez mais frustradas com as entregas recebidas. Não necessariamente por falta de talento, criatividade ou conhecimento técnico, mas pela ausência do mínimo de organização operacional. Falhas de comunicação, prazos não cumpridos, desalinhamento de expectativas e instabilidade nas entregas minam a confiança e reforçam a percepção de que o problema não está na estratégia, mas na estrutura que a sustenta.
Para a especialista em estruturação operacional e nova economia, Genyffer Kasprzykowski, o problema não está no crescimento em si, mas na forma como ele acontece.
“Todo negócio cresce até onde a operação permite. Quando não existem processos claros, papéis definidos e governança mínima, o crescimento deixa de ser uma conquista e passa a ser um risco real para a empresa”, afirma.
Segundo a especialista, muitas agências só buscam ajuda quando já enfrentam conflitos internos, perda de clientes ou problemas trabalhistas. “Existe a falsa ideia de que processos travam a criatividade, quando na verdade eles são o que permite escalar com previsibilidade, segurança e margem. Ordem não é luxo, é condição de sobrevivência”, reforça.
A profissionalização das operações tem se consolidado como um diferencial competitivo real. Trabalhar a estrutura desde cedo, mesmo em negócios pequenos, é o que cria base para crescimento sustentável. Da mesma forma, empresas já consolidadas precisam revisar e fortalecer suas fundações para evitar que o próprio tamanho se transforme em vulnerabilidade. O ponto central não é o porte do negócio, mas a solidez da base que o sustenta.
Em um ambiente cada vez mais competitivo e regulado, especialistas alertam que o amadorismo operacional deixou de ser uma fase aceitável. Na nova economia, crescer sem estrutura pode custar não apenas faturamento, mas reputação, ativos digitais, relações comerciais e o próprio futuro do negócio.
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