segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Valentino Garavani, ícone da alta-costura italiana, morre aos 93 anos

Fundador da grife Valentino e último grande costureiro do século XX, estilista morreu nesta segunda-feira (19), em Roma, deixando um legado definitivo de elegância e luxo na moda mundial

O estilista italiano Valentino Garavani morreu nesta segunda-feira (19), aos 93 anos, em sua residência, em Roma. A morte foi confirmada por meio de um comunicado oficial divulgado pela Fundação Valentino Garavani e Giancarlo Giammetti, entidade responsável por preservar a memória e o legado do criador que marcou de forma definitiva a história da moda internacional.

Fundador da grife Valentino, Garavani foi considerado ainda em vida o último grande costureiro do século XX, responsável por consolidar uma linguagem estética própria que atravessou décadas sem perder relevância. Seu trabalho ajudou a definir a noção contemporânea de elegância italiana ao unir sofisticação clássica, romantismo e rigor técnico herdado da tradição da alta-costura francesa. Ao longo de mais de meio século de carreira, construiu um império criativo associado ao luxo absoluto, à feminilidade refinada e a uma imagem de glamour que se tornou referência global.

A assinatura do estilista tornou-se indissociável de tapetes vermelhos, cerimônias oficiais e casamentos da alta sociedade, vestindo algumas das mulheres mais influentes do mundo. O célebre “vermelho Valentino”, tom criado e lapidado ao longo de sua trajetória, transformou-se em símbolo de poder, sensualidade e distinção, consolidando-se como um dos códigos visuais mais reconhecíveis da moda do século passado. Publicações especializadas como Harper’s Bazaar e W Magazine frequentemente destacaram seu papel na construção de um imaginário de luxo que equilibrou tradição e desejo.

Nascido em Voghera, no norte da Itália, em 1932, Valentino Garavani demonstrou desde cedo interesse pelo universo da moda, inspirado inicialmente pelos figurinos exuberantes do cinema hollywoodiano clássico. Determinado a seguir carreira, mudou-se para Paris, onde se formou tecnicamente e teve contato direto com mestres da alta-costura francesa, experiência fundamental para o refinamento de sua precisão artesanal.

De volta à Itália, fundou sua maison em Roma e rapidamente conquistou a elite europeia e internacional. Ao mesmo tempo em que cultivava uma imagem quase aristocrática do ofício do costureiro, Valentino soube expandir sua marca para além da alta-costura, investindo no prêt-à-porter e em linhas de acessórios sem diluir o discurso de exclusividade. Seu estilo de vida, cercado por palácios, festas sofisticadas e viagens em iates, contribuiu para mitificar a figura do couturier como símbolo máximo de status e criação.

Mesmo após sua aposentadoria, o legado estético da grife permaneceu vivo sob a direção criativa de nomes como Maria Grazia Chiuri e Pierpaolo Piccioli, que reinterpretaram os códigos criados por Valentino para dialogar com novas gerações, mantendo a essência de elegância, dramaticidade e luxo que sempre definiu a maison.

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