quarta-feira, 4 de março de 2026

Náutico Atlético Cearense faz reforma e terá novo restaurante Boteco e café Caravela Portuguesa

Clube histórico da Beira-Mar de Fortaleza investe R$ 11 milhões em café e restaurante, amplia diálogo com a cidade e projeta geração de 155 empregos diretos

Um dos cartões-postais mais emblemáticos da orla de está prestes a viver um novo capítulo. Fundado em 1929 e com sede inaugurada em 1951 na Avenida Beira-Mar, o prepara uma transformação arquitetônica e gastronômica que promete movimentar associados, frequentadores da praia e o público em geral. O clube vai ganhar dois novos empreendimentos: o restaurante Boteco Náutico e o café Caravela Portuguesa.

A iniciativa integra um projeto mais amplo de renovação do espaço voltado para as avenidas Beira-Mar e Desembargador Moreira, com investimento estimado em R$ 11 milhões e previsão de geração de 155 empregos diretos. A proposta foi aprovada em novembro de 2025 pela Comissão Permanente de Avaliação do Plano Diretor (CPPD), após análise técnica e diálogo com órgãos de preservação do patrimônio.

Boteco Náutico: frutos do mar e experiência à beira-mar

Com cerca de 1.200 m² — sendo 1.259,36 m² de área reformada no térreo do bloco projetado pelo arquiteto Neudson Braga, em 1992, além de uma nova área de 130 m² destinada à cozinha — o Boteco Náutico nasce com foco na culinária de frutos do mar e na valorização da experiência à beira-mar, mas já com a tradição de ter pertencido a Beira Mar durante anos como Boteco Praia.

O espaço contará com área climatizada e ambiente aberto, dialogando com a paisagem da orla. O projeto prevê ainda laje-jardim, permitindo a contemplação por parte de quem já frequenta a tradicional área das colunatas do edifício original, projetado em 1952 por Emílio Hinko.

A proposta arquitetônica adota estruturas metálicas e fechamento em vidro, priorizando elementos reversíveis e distinguíveis, conforme orientação do consultor técnico Romeu Duarte e recomendações do Conselho Municipal de Proteção ao Patrimônio Histórico-Cultural (Comphic). A ideia é garantir contemporaneidade às intervenções sem comprometer a leitura do patrimônio tombado.

Caravela Portuguesa: café integrado à rotina da orla

Já o Caravela Portuguesa ocupará um pavilhão com aproximadamente 280 m² a 302 m² de área construída, incluindo espaço fechado e varanda voltada diretamente para a Beira-Mar. O projeto é assinado pelos arquitetos Rafaela Vasconcelos e Arthur Fortaleza, com consultoria de patrimônio de Romeu Duarte, professor da Universidade Federal do Ceará (UFC).

O café terá acesso tanto pela área interna do clube quanto diretamente pela avenida, reforçando a proposta de integração com a cidade. Voltado para quem caminha pela orla, pratica esportes ao ar livre ou busca uma pausa no cotidiano, o espaço oferecerá café, opções leves e ambiente acolhedor, com balcão de atendimento, mesas, dois banheiros acessíveis e área de serviço.

Um dos pontos centrais da intervenção é o rebaixamento do muro frontal — que passará de 2,80 m para 1,80 m — além da adoção de trechos envidraçados. Parte das pedras do muro original será reaproveitada em uma parede interna do café, criando continuidade material e simbólica entre passado e presente.

Segundo registro em ata da CPPD, toda a construção do café será executada em estrutura metálica e vidro, permitindo visibilidade para o interior do patrimônio tombado e preservando seu protagonismo diante do minimalismo da nova arquitetura.

Integração urbana e contrapartida

Como contrapartida urbanística, o clube assumirá o paisagismo e a revitalização dos calçadões no entorno imediato, tanto na Avenida Beira-Mar quanto na Rua Desembargador Moreira. A proposta busca fortalecer a relação entre o equipamento privado e o espaço público, ampliando a sensação de continuidade entre clube e cidade.

O processo de obras já foi iniciado, com etapas preliminares como retirada de esquadrias, adequações estruturais e instalação de tapumes, além de ligações provisórias de energia e água. Ainda não há prazo oficial divulgado para a conclusão das intervenções.

Sustentabilidade financeira e novo ciclo

A ampliação também responde a uma estratégia de sustentabilidade financeira do clube, ampliando as possibilidades de receita e atraindo público externo. A expectativa é que os novos espaços fortaleçam a convivência, dinamizem a orla e reposicionem o Náutico como polo gastronômico e social.

Na presidência da instituição, Henrique Vasconcelos tem destacado que os novos empreendimentos aproximam ainda mais o clube da vida que pulsa ao redor da Beira-Mar.

Diante do mar que acompanha sua trajetória há mais de sete décadas, o Náutico Atlético Cearense reafirma sua vocação esportiva, cultural e familiar — agora temperada por novos sabores e por uma arquitetura que abre portas, reduz muros e convida a cidade a entrar.

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