Com uma interpretação marcante de Milly Alcock e uma abordagem mais madura da personagem, filme aposta no drama espacial e na emoção, mas encontra dificuldades para manter o equilíbrio narrativo
Após o enorme sucesso de Superman no reinício cinematográfico comandado por James Gunn, a expectativa em torno de Supergirl era inevitavelmente alta. Inspirado na premiada HQ Supergirl: Woman of Tomorrow, de Tom King e Bilquis Evely, o longa dirigido por Craig Gillespie abandona a imagem tradicional da prima sorridente do Homem de Aço para apresentar uma protagonista marcada por perdas, ressentimentos e cicatrizes emocionais.
O resultado é um filme que possui ambição visual e narrativa, mas que oscila entre momentos genuinamente emocionantes e uma irregularidade que impede a obra de alcançar o mesmo impacto de seu antecessor.
Milly Alcock, conhecida mundialmente por House of the Dragon, é sem dúvida o grande acerto da produção. A atriz constrói uma Kara Zor-El vulnerável, sarcástica e muitas vezes relutante em assumir o papel de heroína. Sua interpretação traz humanidade a uma personagem que poderia facilmente cair em estereótipos de força e perfeição.
A trama acompanha Kara em uma jornada intergaláctica ao lado da jovem Ruthye, interpretada por Eve Ridley, em busca de vingança contra o responsável pela destruição de sua família. A estrutura lembra um faroeste espacial, misturando ficção científica, fantasia e drama pessoal. A influência da HQ original aparece claramente no tom melancólico e na tentativa de transformar a aventura em uma reflexão sobre trauma, luto e identidade.
Visualmente, Supergirl impressiona em vários momentos. Há cenários cósmicos grandiosos, criaturas exóticas e sequências que demonstram um cuidado estético superior ao de boa parte dos filmes recentes do gênero. Entretanto, alguns efeitos digitais apresentam inconsistências perceptíveis, principalmente nas cenas de ação mais carregadas de computação gráfica.
Jason Momoa surge como Lobo e entrega exatamente o que se espera do personagem: exagero, humor e carisma. Sempre que aparece em cena, o filme ganha energia. O problema é que sua presença acaba sendo tão marcante que, em determinados momentos, ameaça roubar a atenção da própria protagonista.
O maior obstáculo da produção está no ritmo. Ao tentar equilibrar desenvolvimento psicológico, construção de universo e espetáculo visual, o roteiro se alonga além do necessário. Existem sequências contemplativas que funcionam muito bem isoladamente, mas que acabam comprometendo a fluidez da narrativa. O filme frequentemente parece dividido entre ser um épico espacial intimista e um blockbuster tradicional, sem conseguir harmonizar completamente essas duas propostas.
Ainda assim, Supergirl merece reconhecimento por tentar algo diferente dentro do gênero dos super-heróis. Em vez de repetir a fórmula tradicional de origem e salvação do mundo, o filme investe em uma protagonista falha, traumatizada e emocionalmente complexa. Nem todas as escolhas funcionam, mas há coragem criativa em seguir esse caminho.
No fim das contas, Supergirl está longe de ser um desastre e também distante de se tornar uma obra-prima da DC. É um filme competente, visualmente atraente e sustentado por uma protagonista excelente, mas que sofre com excessos narrativos e um desenvolvimento irregular. Uma experiência interessante para os fãs do novo universo DC e uma demonstração de que Milly Alcock tem potencial para se tornar uma das figuras centrais da franquia nos próximos anos.
Em Fortaleza, uma das melhores opções para conferir Supergirl nas telonas é a rede UCI Cinemas, no Shopping Iguatemi Bosque, que oferece salas com tecnologia de projeção de última geração e grande conforto para o público. Outra excelente alternativa é o Cinemas Benfica, tradicional espaço exibidor da capital cearense e um dos mais queridos pelos cinéfilos da cidade.
A produção confirma que a nova fase da DC busca caminhos diferentes para seus personagens clássicos. Mesmo sem atingir plenamente suas ambições, Supergirl demonstra personalidade própria e abre possibilidades interessantes para o futuro do universo compartilhado idealizado por James Gunn.
SERVIÇO
SUPERGIRL
Ficha Técnica
Título original: Supergirl: Woman of Tomorrow
Direção: Craig Gillespie
Roteiro: Ana Nogueira, baseado na HQ de Tom King e Bilquis Evely
Elenco: Milly Alcock, Eve Ridley, Jason Momoa, Matthias Schoenaerts, David Krumholtz e Emily Beecham
Gênero: Ação, Aventura, Ficção Científica, Fantasia
País: Estados Unidos
Ano: 2026
Duração: 2h08min
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Classificação indicativa: 12 anos
Sinopse
Kara Zor-El parte em uma jornada pelos confins da galáxia ao lado da jovem Ruthye Marye Knoll. Movida pelo desejo de ajudar a garota a encontrar justiça após uma tragédia familiar, Supergirl enfrenta mercenários, tiranos e criaturas alienígenas enquanto confronta seus próprios traumas e o peso de ser uma das últimas sobreviventes de Krypton.
Nota: 7,5/10
⭐⭐ Regular