Em cartaz em Fortaleza na UCI Cinemas e no Cinemas Benfica, ficção científica do diretor se perde em um roteiro arrastado, conflitos sem resolução satisfatória e um desfecho frustrante
POR FELIPE PALHANO
Poucos cineastas possuem uma filmografia tão admirada quanto a de Steven Spielberg. Responsável por clássicos como Tubarão, E.T. – O Extraterrestre, Contatos Imediatos do Terceiro Grau, Jurassic Park e A Lista de Schindler, o diretor construiu uma carreira marcada pela capacidade de transformar histórias fantásticas em experiências cinematográficas inesquecíveis. Justamente por isso, Dia D (Disclosure Day), atualmente em cartaz em Fortaleza na rede UCI Cinemas e no Cinemas Benfica, acaba se revelando uma das maiores decepções de sua trajetória.
A premissa é promissora: a humanidade é confrontada com a revelação definitiva da existência de vida extraterrestre e com décadas de segredos escondidos pelos governos. Com roteiro de David Koepp, parceiro de Spielberg em sucessos como Jurassic Park e Guerra dos Mundos, o longa parecia reunir todos os ingredientes para um retorno triunfal do diretor à ficção científica.
No entanto, o que se vê na tela é um filme excessivamente longo e arrastado. A narrativa demora a avançar, dedica um tempo exagerado a subtramas pouco relevantes e se mostra incapaz de sustentar a tensão que a premissa promete. Ao longo de mais de duas horas, a sensação é de que a história gira em torno de si mesma, adiando constantemente respostas e soluções.
Embora parte da crítica internacional tenha recebido o filme com entusiasmo, veículos e espectadores mais céticos apontaram justamente aquilo que mais prejudica a experiência: a incapacidade do roteiro de desenvolver satisfatoriamente seus próprios mistérios. Em discussões entre espectadores, muitos classificaram a obra como uma grande decepção e chegaram a afirmar que faltou alguém para alertar Spielberg sobre a fragilidade do roteiro. Outros destacaram que as dificuldades enfrentadas pelos personagens são resolvidas de maneira simplista e que o desfecho provocou até risos involuntários em algumas salas de cinema.
O problema mais evidente de Dia D está justamente em sua falta de resolução dramática. Spielberg parece mais interessado em prolongar o mistério do que em construir um clímax verdadeiramente impactante. Quando finalmente chega ao terceiro ato, o filme entrega respostas pouco convincentes e um final que está longe de justificar o tempo investido pelo espectador.
A impressão é a de assistir a uma longa preparação para algo grandioso que jamais acontece. O resultado é uma experiência frustrante, marcada por um excesso de duração e por uma narrativa incapaz de proporcionar a catarse emocional que caracterizou os grandes filmes do cineasta.
Tecnicamente, há qualidades inegáveis. A fotografia é elegante, os efeitos visuais são eficientes e Emily Blunt entrega uma atuação segura. Mas nem mesmo a competência técnica consegue compensar um roteiro que se mostra surpreendentemente vazio para os padrões de Spielberg.
Emily Blunt é a melhor razão para ver o filme
Em uma carreira que redefiniu a ficção científica moderna, Dia D acaba se destacando não pela grandiosidade, mas pela sensação de oportunidade desperdiçada. Pode não ser o pior filme já dirigido por Steven Spielberg, mas certamente figura entre os mais decepcionantes de sua filmografia: uma obra excessivamente longa, dramaticamente irregular e com um final frustrante que deixa a impressão de que o mestre da fantasia e do suspense já foi capaz de oferecer muito mais.
DIA D
Cotação: ⭐⭐ / Razoável
Título original: D-Day
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Steven Spielberg e Tony Kushner
Gênero: Drama / Guerra
País: Estados Unidos
Ano: 2025
Duração: Aproximadamente 2h50
Distribuição: Universal Pictures
Elenco principal: Tom Hanks, Cillian Murphy, Mark Rylance, Barry Keoghan e Florence Pugh.
Sinopse
Ambientado durante os acontecimentos que antecederam e sucederam o desembarque aliado na Normandia, em 6 de junho de 1944, Dia D acompanha diferentes personagens envolvidos na maior operação militar da Segunda Guerra Mundial. Entre soldados, estrategistas e civis afetados pelo conflito, o filme busca retratar o impacto humano e emocional de uma data que mudou os rumos da história, alternando múltiplos pontos de vista e narrativas paralelas sobre coragem, medo, sacrifício e sobrevivência.
Classificação indicativa: 14 anos.