Série continua a história do clássico de Fernando Meirelles e Kátia Lund; Alexandre Rodrigues volta como Buscapé e Matheus Nachtergaele retorna ao universo da Cidade de Deus como Cenoura
A história de “Cidade de Deus” está longe de terminar. Depois de levar para a televisão personagens e conflitos que marcaram um dos filmes brasileiros mais conhecidos internacionalmente, “Cidade de Deus: A Luta Não Para” prepara sua segunda temporada para chegar à HBO Max em novembro de 2026. A continuação retoma a comunidade carioca anos depois dos acontecimentos do longa dirigido por Fernando Meirelles e Kátia Lund, lançado em 2002, e amplia o universo apresentado na primeira temporada. Entre as principais novidades está o retorno de Matheus Nachtergaele como Cenoura, personagem que o ator interpretou no filme original. A HBO Max já divulgou o primeiro teaser dos novos episódios, aumentando a expectativa em torno da produção.
A primeira temporada mostrou uma Cidade de Deus diferente daquela apresentada no cinema. O tempo passou, novos grupos disputam território e poder e a violência continua sendo atravessada por relações entre traficantes, policiais, moradores e milicianos. No centro dessa transformação está novamente Buscapé, interpretado por Alexandre Rodrigues, que retorna como fotógrafo e jornalista. Se no filme o personagem era um jovem tentando encontrar uma saída para a violência por meio da fotografia, na série ele assume a posição de alguém que observa e registra as mudanças da comunidade. Sua câmera continua sendo uma forma de sobrevivência, mas também passa a ser uma ferramenta para compreender e revelar aquilo que acontece ao seu redor.
A segunda temporada mantém a conexão com o filme original, mas não pretende simplesmente repetir sua história. A proposta é avançar no tempo e mostrar o que aconteceu com a comunidade e com seus moradores depois dos acontecimentos conhecidos pelo público. A série acompanha uma Cidade de Deus marcada por novas relações de poder e por uma estrutura de violência que não desapareceu, apenas se transformou. Essa atualização é um dos elementos que diferenciam a produção da obra cinematográfica de 2002: em vez de recontar o passado, a série tenta olhar para as consequências daquele passado.
O retorno de Matheus Nachtergaele como Cenoura é uma das grandes atrações da nova temporada. A presença do personagem cria uma ponte direta entre o filme e a série e permite que a produção explore a memória daquele universo sem depender apenas da nostalgia. O elenco também conta com nomes como Roberta Rodrigues, Andréia Horta, Dhonata Augusto e Sabrina Rosa, além de outros atores que participaram da primeira temporada e novos personagens que entram na disputa pela comunidade.
A produção é da O2 Filmes em parceria com a HBO, mantendo a ligação com o universo criado originalmente por Fernando Meirelles. A primeira temporada teve seis episódios e foi lançada em 2024, recebendo posteriormente a confirmação de uma segunda temporada. Em maio de 2026, Anouk Aarón, chefe de conteúdo da HBO Max para a América Latina, confirmou ao Omelete que os novos episódios chegariam ainda este ano. A plataforma agora prepara o retorno para novembro, com o primeiro teaser já apresentado ao público.
A importância da série também está relacionada ao peso histórico do filme original. “Cidade de Deus”, baseado no livro de Paulo Lins, tornou-se um dos maiores fenômenos internacionais do cinema brasileiro. O longa foi indicado a quatro Oscars e projetou nomes como Alexandre Rodrigues, Leandro Firmino, Douglas Silva, Alice Braga, Seu Jorge e Matheus Nachtergaele. A produção também consolidou Fernando Meirelles internacionalmente e passou a ser considerada uma referência estética e narrativa para filmes e séries que retratam violência urbana.
“Cidade de Deus: A Luta Não Para” parte justamente desse legado para construir uma história contemporânea. A primeira temporada mostrou que a comunidade não pode ser entendida apenas pela criminalidade. A série também acompanha moradores que tentam trabalhar, construir relações, proteger suas famílias e encontrar alternativas dentro de uma realidade em que diferentes grupos disputam o controle do território. A violência é parte do cenário, mas não é o único assunto.
O retorno de Buscapé é particularmente importante nesse sentido. O personagem continua sendo uma espécie de testemunha da história. Ele conhece a comunidade por dentro, mas também desenvolveu distância suficiente para observá-la. Essa posição permite que a narrativa transite entre diferentes grupos e acompanhe acontecimentos que, para outros personagens, significam sobrevivência imediata. A fotografia, que no filme representava a possibilidade de uma vida diferente, continua funcionando como uma das principais marcas do personagem.
A nova temporada também chega em um momento em que a produção já não precisa provar que o universo de “Cidade de Deus” pode funcionar fora do cinema. A primeira temporada estabeleceu a série como uma continuação e abriu espaço para personagens e conflitos que não caberiam em um longa-metragem. Agora, com mais tempo para desenvolver as relações entre os personagens, a produção pode aprofundar alianças, rivalidades e consequências dos acontecimentos anteriores.
O desafio é justamente equilibrar o enorme peso do filme original com a necessidade de contar uma história própria. O retorno de Cenoura ajuda a construir essa ponte, enquanto a presença de Buscapé garante continuidade. Ao mesmo tempo, a série precisa mostrar uma Cidade de Deus que não é mais aquela de 2002. É uma comunidade transformada pelo tempo, pelas novas formas de poder e pelas consequências de décadas de violência.
A segunda temporada chega à HBO Max em novembro de 2026, mantendo a promessa de novas disputas, personagens e reviravoltas dentro de um dos universos mais importantes da história recente do audiovisual brasileiro.
Cidade de Deus: A Luta Não Para – 2ª temporada
Plataforma: HBO Max
Estreia: novembro de 2026
Produção: O2 Filmes / HBO
Elenco: Alexandre Rodrigues, Roberta Rodrigues, Andréia Horta, Dhonata Augusto, Sabrina Rosa, Matheus Nachtergaele e outros
Destaques: retorno de Buscapé e de Cenoura