Nova superprodução da Globo Filmes leva Marina Ruy Barbosa e Andréa Beltrão para uma estação isolada na Antártida

Filme dirigido por Bruno Safadi abre o Festival de Gramado e chega aos cinemas em setembro; produção aposta em suspense, investigação criminal e tecnologia virtual para recriar o ambiente extremo do continente gelado

Um crime em uma estação científica brasileira, um grupo de pesquisadores isolado em um dos lugares mais inóspitos do planeta e uma investigação em que praticamente todos podem ser suspeitos. Essa é a premissa de “Antártida”, novo longa-metragem dos Estúdios Globo em coprodução com a TV Globo, que chega aos cinemas brasileiros em 17 de setembro de 2026. Dirigido por Bruno Safadi, com roteiro de Claudia Jouvin, o filme reúne nomes de peso do cinema e da televisão brasileira, entre eles Marina Ruy Barbosa, Andréa Beltrão, Lázaro Ramos, Leandra Leal, Antonio Calloni e João Vitor Silva. A produção foi escolhida para abrir o 54º Festival de Cinema de Gramado, onde será exibida fora de competição em 14 de agosto.

A história acompanha a chegada da glacióloga Inês, personagem interpretada por Marina Ruy Barbosa, a uma estação brasileira de pesquisa na Antártida. O que deveria ser o início de uma nova etapa profissional rapidamente se transforma em uma situação de emergência: na primeira noite, um crime acontece dentro da base e coloca toda a equipe sob suspeita. A investigação fica sob responsabilidade da subcomandante Elisabeth, vivida por Andréa Beltrão, que precisa descobrir quem está por trás do assassinato enquanto a equipe permanece presa naquele ambiente extremo. O isolamento geográfico é fundamental para o suspense, porque os personagens não podem simplesmente deixar a estação ou recorrer rapidamente a ajuda externa. Em um território marcado por temperaturas severas, grandes distâncias e condições climáticas adversas, a própria Antártida passa a funcionar como parte da tensão da história.

O elenco reforça a dimensão da produção. Além de Marina Ruy Barbosa e Andréa Beltrão nos papéis centrais, Lázaro Ramos interpreta o Capitão Vicente, enquanto Antonio Calloni vive o Comandante Barros. Leandra Leal, Tatiana Tiburcio, Renan Monteiro, João Vitor Silva, Mariana Sena, Gero Camilo e outros atores também integram a produção. A diversidade de personagens é importante para a trama porque a investigação não se concentra apenas na identidade do criminoso: relações de autoridade, conflitos profissionais e diferenças entre civis e militares passam a fazer parte do quebra-cabeça.

“Antártida” também chama atenção pela maneira como foi filmado. Grande parte das cenas foi realizada com tecnologia Unreal no Estúdio de Produções Virtuais dos Estúdios Globo, recurso que permite combinar atores reais com ambientes digitais e criar cenários de grande escala com maior controle de produção. A escolha é particularmente relevante para um filme ambientado no continente antártico, onde filmagens convencionais seriam muito mais complexas e caras. A tecnologia permite construir a estação, seus arredores e as paisagens congeladas necessárias para que o espectador tenha a sensação de estar diante de uma base científica realmente isolada no extremo sul do planeta.

A inspiração do projeto está ligada ao universo real da presença brasileira na Antártida e, especialmente, à história da Estação Antártica Comandante Ferraz, base científica brasileira que sofreu um incêndio em 2012. O acidente matou dois militares e destruiu parte significativa das instalações. A estação posteriormente foi reconstruída e voltou a operar com uma estrutura moderna. O longa, entretanto, não é uma reconstituição daquele episódio. O acontecimento serve como referência para um universo ficcional que transforma a estação científica em cenário de um thriller policial.

A escolha de Bruno Safadi para dirigir a produção também aponta para uma abordagem menos convencional do gênero. Em vez de utilizar a Antártida apenas como cenário exótico, o filme transforma o isolamento em elemento central da narrativa. A ausência de uma saída fácil cria uma espécie de “quarto fechado” em escala continental: o assassino está entre os personagens, todos continuam convivendo no mesmo espaço e ninguém sabe em quem confiar. Quanto mais a investigação avança, maior tende a ser a pressão sobre o grupo.

A presença de Andréa Beltrão como a responsável pela investigação acrescenta outra camada à história. Elisabeth precisa exercer autoridade em um ambiente marcado por hierarquias e protocolos, ao mesmo tempo em que tenta separar fatos, versões e suspeitas. A personagem de Marina Ruy Barbosa, por sua vez, chega justamente no momento em que a rotina da estação é rompida pelo crime. O encontro entre as duas personagens coloca no centro da narrativa duas mulheres em posições diferentes dentro daquela estrutura, enquanto o restante da equipe passa a ser observado sob a lógica de uma investigação.

O filme também representa um investimento significativo dos Estúdios Globo em produções cinematográficas nacionais de grande escala. A escolha para abrir o Festival de Gramado reforça essa posição: “Antártida” terá sua primeira grande apresentação pública em um dos eventos mais tradicionais do cinema brasileiro antes de chegar ao circuito comercial. O festival acontece de 12 a 22 de agosto, e o longa será exibido no Palácio dos Festivais em 14 de agosto.

Com uma combinação de mistério, investigação, sobrevivência, relações de poder e ficção tecnológica, “Antártida” chega aos cinemas com a proposta de usar um dos lugares mais extremos do planeta como cenário para uma história essencialmente humana: quando um crime acontece e ninguém pode escapar, a pergunta deixa de ser apenas quem matou e passa a ser até onde cada personagem está disposto a ir para proteger seus próprios segredos.

Antártida
Direção: Bruno Safadi
Roteiro: Claudia Jouvin
Elenco: Marina Ruy Barbosa, Andréa Beltrão, Lázaro Ramos, Leandra Leal, Antonio Calloni, João Vitor Silva e outros
Produção: Estúdios Globo, em coprodução com a TV Globo
Festival de Gramado: 14 de agosto de 2026
Estreia nos cinemas: 17 de setembro de 2026