Falas do cantor, incluindo afirmação de que as filhas de Silvio Santos estariam “prostituindo” a emissora, levaram ao cancelamento de especial de Natal no SBT e impactaram apresentações contratadas com recursos públicos
As declarações recentes de Zezé Di Camargo sobre o SBT e, especialmente, sobre as filhas de Silvio Santos, desencadearam uma crise pública que ultrapassou o campo das redes sociais e passou a ter efeitos diretos na televisão e na agenda profissional do artista. O episódio ganhou grande repercussão nacional após o cantor afirmar, em vídeo divulgado em suas redes sociais, que as herdeiras do fundador do SBT estariam “prostituindo” ao conduzir a emissora em um novo momento editorial, crítica feita no contexto do lançamento do canal SBT News e da presença de autoridades políticas no evento.
No vídeo, publicado na madrugada do dia 15, Zezé anunciou o rompimento de sua relação com o SBT e pediu publicamente que o seu especial de Natal, já gravado, não fosse exibido. O cantor afirmou não se reconhecer nas decisões recentes da emissora e disse que a atual condução do canal não refletiria a visão que, em sua avaliação, Silvio Santos tinha quando estava à frente do grupo. Em tom contundente, Zezé declarou que não poderia compactuar com aquela postura e utilizou o termo “prostituindo” ao se referir às filhas do comunicador, frase que rapidamente se espalhou pelas redes sociais e foi reproduzida por sites e jornais de todo o país, provocando forte reação negativa.
Diante da repercussão, o SBT se posicionou oficialmente. Em nota e em carta aberta assinada por Daniela Abravanel Beyruti, presidente da emissora, o canal defendeu sua linha editorial e afirmou que o SBT News nasce com o compromisso de um jornalismo plural, apartidário e fiel ao legado de Silvio Santos. A emissora ressaltou que, historicamente, sempre manteve diálogo institucional com diferentes governos e correntes políticas. Pouco depois, o SBT confirmou a decisão de cancelar a exibição do especial de Natal de Zezé Di Camargo, que estava previsto para a programação de fim de ano, optando por substituí-lo por outra atração.
A polêmica também teve reflexos na relação do artista com o poder público. Em São José do Egito, no Sertão de Pernambuco, a Prefeitura anunciou o cancelamento de um show solo de Zezé Di Camargo que faria parte da programação da tradicional Festa de Reis, prevista para janeiro de 2026. O contrato previa cachê de R$ 500 mil, pagos com recursos públicos, por meio de inexigibilidade de licitação. Em comunicado oficial, o prefeito Fredson Brito afirmou que a cidade não poderia ser colocada “no centro de polêmicas decorrentes de questões individuais” e que a decisão administrativa teve como objetivo preservar a imagem do município e os valores da população local.
O uso da expressão “se prostituindo” para se referir às filhas de Silvio Santos tornou-se um dos pontos mais criticados do episódio, sendo interpretado por parte da opinião pública, jornalistas e lideranças políticas como ofensivo e misógino. A declaração ampliou o debate sobre os limites da liberdade de expressão de figuras públicas e sobre as consequências que posicionamentos pessoais podem gerar quando associados a contratos artísticos, emissoras de televisão e eventos financiados com recursos públicos.
Sem manifestação oficial de Zezé Di Camargo após o cancelamento do especial no SBT e da apresentação em Pernambuco, o caso segue repercutindo no meio artístico e midiático como um exemplo de como falas públicas, em um ambiente de intensa polarização política e cultural, podem produzir efeitos imediatos e concretos, afetando não apenas a imagem do artista, mas também instituições, gestores e projetos culturais envolvidos.
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