Os cantores estarão em Fortaleza nesse sábado, na última apresentação da turnê nacional do show "Cabaré"
Por Felipe Palhano
Uma união artística que transitou das conversas de boteco aos palcos grandiosos por todo o país atinge sua etapa conclusiva. O projeto Cabaré reúne Leonardo ao lado da formação formada por Bruno e Marrone para um concerto comemorativo em solo alencarino.
Com mais de quatro décadas de trajetória profissional compartilhada por ambas as partes, o espetáculo sintetiza grande sucesso comercial e resgate afetivo de clássicos populares marcados por romantismo e desilusões amorosas. Durante este bate-papo exclusivo, os músicos detalham adequações vocais, a acolhida nordestina e a perenidade de composições tradicionais frente à efemeridade contemporânea da indústria fonográfica.
Entrevista com Leonardo
DIVIRTA-CE: O Cabaré sempre transitou entre um show de alta precisão técnica e uma roda de conversa descontraída de boteco. Agora que o projeto chega ao seu último capítulo, como você avalia o papel dessa união com Bruno e Marrone na reinvenção do sertanejo clássico em formato de grandes arenas, e de que forma essa liberdade no palco influenciou a concepção do seu novo projeto solo de inéditas?
Leonardo: Quase me enlouqueceram para gravar o DVD de 45 anos, no momento tô querendo mesmo é ficar quietinho no meu canto, cantando o que já sei cantar, depois penso se gravo ou não alguma coisa inédita. Bora ouvir o repertório que temos ...rs
DIVIRTA-CE: O público cearense e o diálogo de gêneros: Fortaleza é uma capital com tradição fortíssima de forró e música regional, onde o sertanejo sempre precisou encontrar uma sintonia particular de intensidade e acolhimento. Ao trazer essa despedida para o estacionamento da Arena Castelão, o que o calor e a expressividade do público nordestino exigem de diferente na sua entrega e na condução do show?
Leonardo: Eu sempre fui tão bem recebido no nordeste, que me sinto muito em casa. O povo gosta do Leonardo como ele é, a mesma coisa com Bruno e Marrone. Sou um amante do forró, e meu repertório normalmente sempre tem algo nesse ritmo. Eu amo prestigiar o nordeste por onde eu passo, e quando reencontro o público sempre é uma festa boa. Não acho que precisa ser adaptado, nós somos movidos pelo público, se estão animados isso faz toda diferença no palco, e tenho de confessar que o nordestino é animado por natureza.
DIVIRTA-CE: Você ajudou a transformar o formato "encontro de gigantes" em um modelo de negócio altamente rentável na indústria da música ao vivo. Encerrar o Cabaré agora responde a uma necessidade de preservar a mística desse marco antes do desgaste da fórmula, ou abre espaço para novas colaborações estratégicas no entretenimento sertanejo?
Leonardo: O Cabaré é um projeto criado para encontros, e isso vai continuar. Bruno e Marrone são meus amigos, e isso faz toda diferença, como ter sintonia no palco se ela não existe fora dele. Cabaré é isso, encerra essa fase com Bruno e Marrone e vamos entender qual o próximo passo. Até agora não pensamos em nada, uma coisa de cada vez, caso contrário eu não aguento!
DIVIRTA-CE: Memória afetiva e a evolução do repertório: Em turnês com um alinhamento fixo de clássicos como "Garçom" e "Dama de Vermelho", como manter vivo o sentimento de espontaneidade noite após noite, sabendo que cada execução em Fortaleza carrega o peso da despedida definitiva dessa trinca de vozes?
Leonardo: Só não pensar que é uma despedida, porque é isso. Quando eu saio de casa, sei que o show de hoje não vai ser igual ao show de amanhã, "menino" depois de um tempo a gente aprende a ser leve, e tocar um dia de cada vez, assim este dia fica sendo o melhor momento. Tem como não ser espontâneo ao lado do Bruno e do Marrone?
Entrevista com Bruno e Marrone
DIVIRTA-CE: A identidade de Bruno e Marrone reside no contraponto preciso entre a potência visceral da primeira voz e o encaixe harmônico da segunda voz. Dividir o microfone com o timbre anasalado e melódico de Leonardo durante quatro anos exigiu que vocês reconfigurassem arranjos ou abrissem mão de zonas de conforto vocal para construir essa sonoridade coletiva do Cabaré?
Bruno: Como a maior parte do show cada um canta seu repertório não teve necessidade de tanta mudança, quando cantamos juntos nós sempre buscamos a melhor zona vocal para os três. A mistura funciona muito bem, eu no meu caso é bem confortável, não subir muito meu tom é algo que dá um refresco para as minhas cordas vocais. Aliás, tenho feito isso ao longo dos anos, se prestar atenção consegue perceber, hoje eu já canto uns dois tons abaixo do que eu fazia há dez anos.
DIVIRTA-CE: A boemia dos bares revisitada: Vocês acabam de lançar De Volta aos Bares 2, que retorna às raízes dos palcos menores e intimistas, exatamente no momento em que encerram uma turnê que movimentou multidões e estruturas monumentais de LED e arena. O que essa alternância entre o gigantismo do Cabaré e o aconchego dos bares ensina sobre o que o fã veterano realmente busca na música de vocês hoje?
Bruno: Você pode levar os dois conceitos para lugares diferentes. Fazer um show do Cabaré em uma casa de espetáculo é muito bom também, e o de volta aos bares é nossa sonoridade, essa composição que apresentamos nas grandes festas e para grandes públicos, nossa banda tem uma formação mais acústica, não temos metais são somente cinco músicos, e o som toma espaço grande e pequeno também.
DIVIRTA-CE: O público de Fortaleza tem uma ligação visceral com canções de dor de cotovelo, onde tanto o sertanejo quanto o forró das antigas compartilham a mesma essência de desabafo e sofrência. De que maneira cantar clássicos como "Boate Azul" e "Amor de Primavera" na capital cearense ganha um significado cultural diferente nesta noite de despedida?
Marrone: Pra ser bem sincero, cantar no Ceará e no nordeste em geral sempre tem um significado diferente, muitos artistas demoram para "subir" como falamos. Nós fizemos isso bem rápido, e até hoje somos muito bem aceitos. Talvez essa sua observação possa realmente trazer essa aproximação de Bruno e Marrone com o público nordestino.
DIVIRTA-CE: Em um cenário dominado pelo consumo rápido de singles no streaming e por tendências de fusão com trap e funk, ver três veteranos esgotarem arenas com um cancioneiro de quatro décadas é quase um ato de resistência cultural. O que o encerramento da turnê Cabaré sinaliza para o futuro da chamada "música sertaneja romântica" nas grandes turnês brasileiras?
Marrone: Sou suspeito de falar, até porque vivemos todas as eras do mercado fonográfico, outro dia me peguei pensando nisso. E a conclusão é a seguinte: Nós e o Leonardo já passamos dos 40 anos de carreira e continuamos firmes. Música de qualidade permanece, o hit é muito perigoso, porque se você não tiver nada mais para mostrar, como vai seguir? Essa pressa do digital em lançar....lançar....lançar...na minha humilde opinião, acaba comprometendo a qualidade.
Serviço
Evento: Show Cabaré – O Último Encontro (Leonardo e Bruno e Marrone)
Data: Sábado, 10 de outubro de 2026
Horário: Abertura dos portões às 19h | Início das apresentações às 22h
Local: Estacionamento da Arena Castelão (Avenida Alberto Craveiro, 2901 – Castelão, Fortaleza – CE)
Ingressos: