“Manhaba'u: onde toca o invisível?” reúne pinturas, bordados, objetos e instalações inspirados na cultura do povo Wapichana. Mostra tem visitação gratuita até 14 de fevereiro de 2027.
A memória, a ancestralidade e a relação dos povos indígenas com a terra estão no centro de “Manhaba'u: onde toca o invisível?”, exposição do artista, educador e curador Gustavo Caboco que já está aberta à visitação na CAIXA Cultural Fortaleza. A mostra fica em cartaz até 14 de fevereiro de 2027, na Galeria Penhor, com entrada gratuita.
Primeira exposição individual de Gustavo Caboco no Ceará, a mostra reúne pinturas, bordados, objetos, instalações e videoinstalações que têm o algodão como um dos elementos condutores de uma pesquisa sobre a memória e os saberes do povo Wapichana, do qual o artista faz parte. Presente em fios, tecidos e costuras, essa matéria-prima estabelece conexões entre histórias familiares, territórios e conhecimentos transmitidos entre gerações.
Natural do território indígena do Canauanim, em Roraima, Gustavo Caboco desenvolve um trabalho que atravessa as artes visuais, o cinema e a literatura. Em suas obras, investiga os deslocamentos forçados, a preservação da memória e as formas de resistência dos povos indígenas diante das violências históricas do colonialismo.
O título da exposição remete à palavra “Manhaba'u”, que significa “invisível” na língua Wapichana. Na proposta do artista, o invisível não se limita àquilo que os olhos não alcançam, mas também abrange histórias, culturas e conhecimentos que foram historicamente silenciados ou apagados. Essa reflexão se relaciona ao conceito de “coma colonial”, utilizado por Caboco para abordar a naturalização das violências e das heranças deixadas pela colonização.
A exposição também presta homenagem aos Dukuzyinhau, expressão usada pelo artista para se referir aos antepassados, à “nossa vovózada”, como ele define aqueles que vieram antes e abriram caminhos para as gerações atuais. A partir dessa perspectiva, as obras convidam o público a reconhecer a presença indígena na formação da sociedade brasileira e a refletir sobre os vínculos entre memória, território e identidade.
Após passar por São Paulo, em 2024, “Manhaba'u: onde toca o invisível?” chega a Fortaleza em uma nova etapa da pesquisa de Caboco. A itinerância é realizada pela Trevo Produções, em parceria com o artista e a produtora Ana Rocha.
Programação complementar
Além da exposição, a programação prevê atividades voltadas ao diálogo e à troca de conhecimentos, incluindo visita guiada com Gustavo Caboco, bate-papo com artistas indígenas convidados e sessão de autógrafos de publicações da Picada Livros, editora do artista.
Outro destaque é a oficina de bordado “O fio fala”, conduzida por Gustavo Caboco ao lado de sua mãe, Lucilene Wapichana. A atividade propõe o bordado como instrumento de registro, transmissão de histórias e valorização da cultura Wapichana. As datas, os horários e as orientações para participação serão divulgados nos canais oficiais da CAIXA Cultural Fortaleza.
Sobre Gustavo Caboco
Artista, educador e integrante do povo Wapichana, Gustavo Caboco nasceu em Roraima e vive e trabalha em Cuiabá (MT). É cogestor da Casa Vítuka, espaço dedicado à educação e à resistência indígena, e desenvolve pesquisas sobre memória, deslocamentos e representação dos povos originários em acervos e arquivos museológicos.
Sua trajetória inclui trabalhos como “Ouvir à Terra” (2023), “Manhaba'u: onde toca o invisível” (2024) e “Roraimarte III”, apresentado no Museu do Pontal, no Rio de Janeiro, em 2026. Com 12 livros publicados pela Picada Livros, o artista também atua no audiovisual por meio do selo Retorno à Maloca Filmes.
Serviço
Exposição “Manhaba'u: onde toca o invisível?”, de Gustavo Caboco
Local: CAIXA Cultural Fortaleza — Avenida Pessoa Anta, 287, Praia de Iracema, Fortaleza (CE).
Visitação: de 28 de outubro de 2026 a 14 de fevereiro de 2027.
Entrada: gratuita.
Programação complementar: visita guiada, bate-papo com artistas indígenas, sessão de autógrafos e oficina de bordado. Datas e horários serão divulgados nos canais oficiais.
Informações: (85) 3453-2770 | Instagram: @caixaculturalfortaleza.
Patrocínio: CAIXA.
Acessibilidade: espaço com acesso para pessoas com deficiência.