Ao derrotar Flávio Bolsonaro no segundo turno, neste domingo (25), presidente conquista seu quarto mandato no Palácio do Planalto e entra para a história como o primeiro candidato a reverter uma desvantagem do primeiro turno e vencer a eleição presidencial no Brasil
O Brasil terá Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Presidência da República por mais quatro anos. Em uma das disputas eleitorais mais acirradas da história recente do país, o presidente foi reeleito neste domingo (25 de outubro), ao vencer o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições de 2026. O resultado representa uma vitória de grande significado político, não apenas pela conquista de um novo mandato, mas pelas circunstâncias em que foi construída: Lula conseguiu reverter a vantagem do adversário no primeiro turno e protagonizou uma virada inédita nas eleições presidenciais brasileiras.
A Justiça Eleitoral reconheceu a vitória de Lula às 21h08, quando 97,69% das urnas já estavam apuradas. Naquele momento, o presidente contabilizava aproximadamente 62,6 milhões de votos, correspondentes a 51,74% dos votos válidos, contra 58,4 milhões de Flávio Bolsonaro, que alcançava 48,26%. A diferença era de aproximadamente 4,2 milhões de votos. A totalização continuou após a confirmação matemática da vitória.
O aspecto mais extraordinário do resultado está na comparação entre os dois turnos. Em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro havia terminado a primeira etapa da eleição na liderança, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%. Pela primeira vez na história das eleições presidenciais brasileiras, um candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar conseguiu ultrapassar o adversário e conquistar a Presidência na votação decisiva. A virada transforma a eleição de 2026 em um capítulo singular da trajetória democrática nacional.
A reeleição também amplia um recorde pessoal de Lula. O presidente já havia vencido as eleições de 2002, 2006 e 2022. Com a vitória deste domingo, chega à sua quarta conquista eleitoral para o Palácio do Planalto, consolidando uma trajetória política que atravessa diferentes momentos da história brasileira. O novo mandato será exercido entre 2027 e 2030, com posse prevista para 5 de janeiro de 2027.
Da liderança sindical à quarta vitória presidencial
A trajetória de Lula até a Presidência começou muito antes de sua primeira eleição nacional. Nascido em Caetés, no interior de Pernambuco, Luiz Inácio Lula da Silva mudou-se ainda criança com a família para São Paulo, onde construiu sua vida profissional e iniciou sua participação no movimento sindical.
Metalúrgico de formação, ganhou projeção nacional durante as greves operárias do ABC Paulista, no final da década de 1970, período em que o país ainda vivia sob a ditadura militar. Sua atuação sindical contribuiu para a reorganização do movimento dos trabalhadores e para o fortalecimento das mobilizações pela redemocratização.
Em 1980, participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), tornando-se uma das principais lideranças da nova legenda. Foi eleito deputado federal por São Paulo em 1986 e participou da Assembleia Nacional Constituinte, responsável pela elaboração da Constituição de 1988.
Depois de três tentativas anteriores, Lula chegou à Presidência em 2002, derrotando José Serra no segundo turno. Em 2006, foi reeleito diante de Geraldo Alckmin, então candidato do PSDB. Após dois mandatos, deixou o governo em 2010, com sua sucessora, Dilma Rousseff, eleita presidente.
Sua trajetória política enfrentou um dos momentos mais difíceis em 2018, quando foi preso após condenações relacionadas à Operação Lava Jato e teve sua candidatura presidencial impedida naquele ano. Em 2021, o Supremo Tribunal Federal anulou as condenações que haviam fundamentado sua inelegibilidade, restabelecendo seus direitos políticos.
Em 2022, voltou a disputar a Presidência e derrotou Jair Bolsonaro, conquistando seu terceiro mandato. Agora, quatro anos depois, vence novamente uma eleição marcada pela polarização política e por uma disputa direta entre dois projetos distintos de país.
Ceará reforça votação de Lula
O resultado nacional também teve um capítulo expressivo no Nordeste, região historicamente favorável ao presidente. No Ceará, Lula obteve uma votação expressiva, alcançando 68,88% dos votos válidos, contra 31,12% de Flávio Bolsonaro, segundo os números divulgados durante a apuração, quando 99,28% das seções eleitorais do estado estavam totalizadas.
Naquele momento, o presidente somava mais de quatro milhões de votos no Ceará, confirmando a força eleitoral de sua candidatura no estado. O desempenho nordestino voltou a representar um componente importante da vitória nacional do petista.
A vitória nas urnas abre um novo ciclo político para o país. Aos 80 anos, Lula terá pela frente o desafio de conduzir o Brasil em um ambiente de forte polarização, com uma oposição expressiva e um Congresso Nacional que exigirá capacidade de negociação para a construção de maiorias.
Entre as questões centrais do próximo governo estarão o crescimento econômico, a geração de empregos, a política fiscal, o combate à pobreza, a valorização do salário mínimo, a educação, a saúde pública, a segurança e a preservação ambiental. Também será necessário avançar no diálogo institucional e na busca por estabilidade política.
A disputa de 2026 demonstrou que a preferência do eleitorado brasileiro continua dividida, mas também revelou a capacidade de reorganização eleitoral da candidatura petista entre as duas etapas da votação. A diferença entre os resultados do primeiro e do segundo turno mostra que a campanha conseguiu ampliar sua votação em um cenário no qual a vitória não estava assegurada.
Com a confirmação da reeleição, Lula passa a escrever mais um capítulo de uma carreira política que começou no movimento dos trabalhadores e chegou ao mais alto cargo da República. A eleição deste domingo não representa apenas a continuidade de seu governo, mas uma vitória eleitoral inédita, construída a partir de uma virada que entrou para a história política brasileira.
Pela quarta vez, Luiz Inácio Lula da Silva foi escolhido pelo voto popular para governar o Brasil.