Ator britânico construiu uma carreira marcada por grandes franquias do cinema e da televisão, interpretações de Shakespeare e apoio público aos direitos da população LGBTQIA+
O ator britânico Patrick Stewart, um dos nomes mais reconhecidos do cinema, da televisão e do teatro, morreu aos 86 anos. A morte foi confirmada pela família nesta quinta-feira (29), após o falecimento ocorrido na quarta-feira (28), em Los Angeles, nos Estados Unidos. Segundo informações divulgadas pela Associated Press, o artista enfrentava uma breve jornada com a doença de Alzheimer e a demência com corpos de Lewy.
Com uma carreira que atravessou diferentes gerações, Stewart conquistou projeção internacional ao interpretar o capitão Jean-Luc Picard em Star Trek: The Next Generation, série que marcou a história da ficção científica na televisão. O personagem se tornou um dos mais emblemáticos de sua trajetória, levando o ator a reprisar o papel em filmes da franquia e, décadas depois, na série Star Trek: Picard, exibida entre 2020 e 2023.
Outro trabalho de grande repercussão foi o professor Charles Xavier, líder dos X-Men, personagem que interpretou a partir do filme X-Men, lançado em 2000. A atuação ajudou a consolidar sua presença no universo dos super-heróis e o aproximou de novas gerações de espectadores. Ao longo dos anos, Stewart voltou a viver o personagem em diferentes produções da franquia, dividindo a tela com atores como Ian McKellen, intérprete de Magneto e seu amigo de longa data.
A filmografia do artista também inclui Duna (1984), adaptação cinematográfica da obra de Frank Herbert, além de trabalhos na televisão britânica, como I, Claudius e Tinker Tailor Soldier Spy. Sua voz grave e marcante também foi explorada em produções de animação, entre elas a série American Dad!, na qual dublou Avery Bullock.
Do teatro clássico ao reconhecimento internacional
Antes de se tornar um rosto conhecido mundialmente, Patrick Stewart construiu uma sólida formação teatral. Nascido em 13 de julho de 1940, em Mirfield, no condado de Yorkshire, na Inglaterra, ele desenvolveu parte importante de sua carreira nos palcos e integrou a Royal Shakespeare Company entre 1966 e 1982.
Nesse período, interpretou personagens de obras clássicas, incluindo peças de William Shakespeare, como Hamlet, Macbeth, Otelo e A tempestade. A experiência teatral contribuiu para a precisão de suas interpretações e para o domínio vocal que se tornaria uma de suas marcas profissionais.
Mesmo depois de alcançar o estrelato em Hollywood, Stewart continuou ligado ao teatro. Entre seus trabalhos estiveram montagens de Um Conto de Natal, de Charles Dickens, além de produções de Terra de Ninguém, de Harold Pinter, e Esperando Godot, de Samuel Beckett, esta última ao lado de Ian McKellen.
Em reconhecimento à contribuição para as artes dramáticas, recebeu importantes distinções ao longo da carreira. Em 2010, foi condecorado cavaleiro pela monarquia britânica, passando a ser chamado de Sir Patrick Stewart.
Apoio aos direitos LGBTQIA+
Embora não fosse integrante assumido da comunidade LGBTQIA+, Patrick Stewart manifestou publicamente apoio aos direitos da população LGBTQIA+ e defendeu a igualdade de direitos. Em entrevistas, tratou o respeito às pessoas gays e lésbicas como uma postura natural, construída também a partir de suas relações pessoais e profissionais no teatro.
Sua trajetória incluiu personagens que abordaram a homossexualidade sem que isso correspondesse à sua identidade pessoal. Em 1995, no filme Jeffrey — De Caso com a Vida, interpretou um decorador gay que enfrentava a perda do companheiro em decorrência de complicações relacionadas à Aids. Anos depois, em Match (2014), voltou a participar de uma produção que explorava questões relacionadas à sexualidade e às relações humanas.
A amizade com Ian McKellen, ator abertamente gay e reconhecido por sua atuação em defesa dos direitos LGBTQIA+, também se tornou conhecida do público. McKellen, inclusive, celebrou o casamento de Stewart com a cantora e compositora Sunny Ozell, em 2013.
O apoio do ator às causas de igualdade contribuiu para sua aproximação com admiradores LGBTQIA+, sem que isso alterasse a distinção entre sua posição pública como aliado e sua identidade pessoal.
Um legado que atravessa gerações
A carreira de Patrick Stewart reuniu o rigor do teatro clássico, a popularidade das grandes franquias e a versatilidade de um intérprete capaz de transitar entre drama, comédia, ficção científica e animação.
Como Jean-Luc Picard, tornou-se referência de liderança e diplomacia no universo de Star Trek. Como Charles Xavier, deu vida a um personagem que defendia a convivência entre diferentes grupos em meio ao preconceito e à intolerância, tema central da franquia X-Men.
A morte do ator encerra uma trajetória de mais de seis décadas dedicada à interpretação. Seu trabalho permanece registrado em filmes, séries e montagens teatrais que alcançaram públicos distintos e ajudaram a consolidar seu lugar entre os grandes nomes da dramaturgia britânica.