Pub 5 Elementos terá Halloween com concurso de fantasias e na véspera do feriado contará com programação especial

A agenda começa na sexta-feira (30), com o Hell Fest Halloween, que transforma o pub, decorado especialmente para a ocasião, em palco para grandes nomes do rock. A noite contará com ambiente climatizado, estrutura sonora de qualidade, gastronomia e coquetelaria. Quem comparecer fantasiado receberá um welcome drink temático na entrada.
No sábado (31), a Halloween Party promete uma noite de música e criatividade, com concurso de fantasias e prêmios para os destaques. Quem chegar fantasiado também ganhará um welcome drink temático. O primeiro lugar receberá um barril de 30 litros de chope artesanal Premium Lager. O segundo colocado ganhará um par de ingressos para o Réveillon do Pub 5 Elementos, enquanto o terceiro levará um par de ingressos para o show internacional do Double You, marcado para 7 de novembro.
A programação musical de sábado começa às 20h, com DJ Greg Doninni, que também se apresenta entre as bandas. Às 21h, Gleidson Jackson homenageia Michael Jackson. Às 23h30, Amanda Alves sobe ao palco com um repertório dedicado a Madonna e às divas pop.
Para fechar a programação, no domingo (1º), véspera de feriado,terá a festa Reborn 90’s & 2000’s: Os hits que nunca morreram reúne sucessos que marcaram gerações. DJ Matchara abre a noite às 20h, seguido por DJ Raffa Brook, às 22h, e DJ SD, à 00h30, em uma pista dedicada à nostalgia e à música eletrônica.
As reservas podem ser realizadas na bio do Instagram @5elementoscervejariaepub ou no site www.5elementoscervejariaepub.com.br. O Pub 5 Elementos fica localizado na Rua Ana Bilhar, 1180 -  Varjota - acesso pela Turatti Gastobar & Parrilla.

DFB Festival apresenta a moda autoral brasileira em encontro internacional de inovação em Luxemburgo

Cláudio e Helena Silveira participam do Luxembourg Venture Days, com exposição de criações e desfile de Lino Villaventura, Marina Bitu e David Lee

A moda autoral brasileira integra a programação do Luxembourg Venture Days 2026, encontro internacional de inovação e empreendedorismo realizado de 13 a 17 de outubro, em Luxemburgo. A participação do DFB Festival, plataforma de moda sediada em Fortaleza, leva ao público europeu criações de estilistas brasileiros e amplia o diálogo entre design, identidade cultural e oportunidades de negócios no mercado internacional.
Os diretores Cláudio Silveira, idealizador do evento, e Helena Silveira representam o festival na programação, que reúne empreendedores, investidores, empresas e profissionais de diferentes setores. A iniciativa apresenta a produção autoral brasileira em um ambiente voltado à inovação, à criação de conexões e à internacionalização de projetos.
A agenda dedicada à moda inclui trabalhos de Lino Villaventura, Marina Bitu e David Lee, três nomes com propostas criativas distintas. As criações integram uma exposição de produtos e peças assinadas pelos estilistas, além de um desfile coletivo previsto para 16 de outubro. A programação busca apresentar ao público internacional diferentes linguagens, técnicas e referências que compõem a moda brasileira contemporânea.
A participação do DFB Festival também coloca em evidência a relação entre moda, artesanato e identidade cultural. No Brasil, especialmente no Ceará, a atividade reúne profissionais de diferentes áreas, da criação e da produção têxtil ao trabalho artesanal e à comercialização. Essa cadeia produtiva constitui uma das frentes de atuação do evento, que, ao longo de 27 anos, mantém uma programação voltada à apresentação de estilistas, à formação de novos talentos e ao desenvolvimento da economia criativa.

Moda, inovação e mercado internacional
Realizado no espaço Luxexpo The Box, o Luxembourg Venture Days foi criado em 2023 e reúne startups, empresas em expansão, investidores e representantes do ecossistema de inovação. A programação inclui palestras, masterclasses, apresentações de negócios e encontros profissionais, criando oportunidades de intercâmbio entre diferentes mercados.
Nesse contexto, a presença da moda autoral aproxima a produção cultural de discussões sobre empreendedorismo e novos modelos de negócios. O setor passa a ser apresentado não apenas por suas criações estéticas, mas também por sua capacidade de gerar trabalho, movimentar cadeias produtivas e estabelecer conexões comerciais.
Para Cláudio Silveira, a participação internacional representa a continuidade de um trabalho desenvolvido pelo DFB Festival desde sua criação, em Fortaleza. “Ao longo desses 27 anos, trabalhamos para que o DFB fosse muito além das passarelas, criando oportunidades para estilistas, artesãos e empreendedores que fazem da moda uma atividade econômica relevante”, afirma.
O diretor também destaca a possibilidade de
aproximar a produção brasileira de outros ambientes de inovação. “Estar em Luxemburgo nos permite ampliar esse trabalho, conhecer outras experiências e estabelecer conexões com um ecossistema que reúne inovação, tecnologia e novos modelos de negócios”, diz.
A proposta, segundo Cláudio, é ampliar a presença da moda autoral brasileira no exterior sem perder de vista as referências culturais que caracterizam sua produção. A internacionalização, nesse sentido, envolve tanto a visibilidade dos estilistas quanto a criação de oportunidades para os profissionais e empreendedores que integram o setor.
Fortaleza como polo de criação
A participação em Luxemburgo ocorre após a 27ª edição do DFB Festival, realizada em junho de 2026, em Fortaleza. Integrado às comemorações dos 300 anos da capital cearense, o evento ocupou espaços emblemáticos da Praia de Iracema, entre eles a Ponte dos Ingleses, a Rua dos Tabajaras, o Estoril e o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.
A programação reuniu estilistas consagrados e novos talentos, conectando moda, patrimônio, artesanato e outras expressões culturais. A edição contou com apoio institucional da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult Ceará), por meio da política estadual de incentivo à cultura.
Criado em 1999 por Cláudio Silveira, o DFB Festival consolidou uma atuação que combina desfiles, formação profissional, empreendedorismo, artesanato e música. Com sede em Fortaleza, a plataforma participa do desenvolvimento da moda autoral brasileira e da divulgação de profissionais que exploram diferentes relações entre design, tradição e contemporaneidade.
Ao levar criações cearenses e brasileiras a um encontro internacional de inovação, o festival amplia o alcance de uma produção que tem na diversidade cultural e nos saberes artesanais algumas de suas principais referências. A iniciativa também reforça a presença de Fortaleza no circuito de eventos que aproximam a criação artística das possibilidades de desenvolvimento econômico.

Documentário “Clássico-Rei” leva a rivalidade ao Cine Ceará 2026

Dirigido por Joe Pimentel e Glauber Filho, com roteiro e direção geral de Wolney Oliveira, longa revisita mais de um século de história do futebol cearense em sessão gratuita no Cineteatro São Luiz

A rivalidade entre Ceará Sporting Club e Fortaleza Esporte Clube ultrapassa as quatro linhas e faz parte da memória afetiva de gerações de torcedores. Essa relação, marcada por paixão, disputas históricas e identificação com a cultura local, é o ponto de partida do documentário “Clássico-Rei”, que terá uma exibição especial no dia 10 de novembro, durante a programação do 36º Cine Ceará – Festival Ibero-americano de Cinema.
Com 91 minutos de duração, o longa será apresentado no Cineteatro São Luiz, em Fortaleza, após a exibição de um dos filmes da Mostra Competitiva Ibero-americana, na sessão das 19h. A programação inclui ainda a entrega do Troféu Eusélio Oliveira à atriz Isis Valverde, uma das homenageadas desta edição do festival. A entrada é gratuita.
Dirigido por Joe Pimentel e Glauber Filho, com roteiro e direção geral de Wolney Oliveira, o filme percorre a trajetória de um dos confrontos mais tradicionais do futebol brasileiro. A narrativa reúne lembranças, análises e depoimentos de torcedores, dirigentes e ex-dirigentes, atletas e ex-atletas, ídolos dos dois clubes, cronistas esportivos, historiadores e memorialistas.
Mais do que reconstituir partidas e resultados, “Clássico-Rei” investiga como o encontro entre alvinegros e tricolores se incorporou ao cotidiano do Ceará, especialmente de Fortaleza. O documentário aborda os sentimentos despertados pela disputa e a maneira como o futebol participa da construção de identidades, hábitos e relações sociais.
A história do clássico remonta a 17 de dezembro de 1918, quando Ceará e Fortaleza se enfrentaram pela primeira vez, no antigo Campo do Prado. Na ocasião, o Ceará venceu por 2 a 0. O clube alvinegro havia sido fundado em 1914, inicialmente com o nome de Rio Branco, enquanto o Fortaleza estreava naquele ano no campeonato cearense.
Ao longo das décadas, o confronto ganhou dimensão que vai além do resultado esportivo. A rivalidade entre o Vovô e o Leão passou a mobilizar famílias, bairros e diferentes gerações, tornando-se uma das principais expressões da cultura popular cearense. É justamente essa presença do futebol na vida coletiva que o documentário procura registrar.
Para Wolney Oliveira, levar essa trajetória para o cinema permite recuperar aspectos da história recente do estado. “Traduzir essa história para a linguagem cinematográfica proporciona um resgate ao nosso passado recente, que para além do futebol, revela também os modos e costumes das últimas décadas e as transformações da sociedade cearense”, afirma o roteirista e diretor-geral.

MGlauber Filho destaca a possibilidade de olhar para os dois clubes para além da oposição que caracteriza a disputa em campo. “O documentário busca aproximar esses gigantes antagonistas para demonstrar que, assim como na vida, os adversários podem caminhar juntos e compartilhar o sentido de celebração do esporte”, diz.
Iniciado em 2022, o projeto foi concebido para marcar os 103 anos do primeiro Clássico-Rei. A produção transforma a memória de uma rivalidade centenária em registro audiovisual, reunindo diferentes perspectivas sobre um acontecimento que atravessa a história do futebol e acompanha as transformações da sociedade cearense.
A exibição no Cine Ceará aproxima essa memória esportiva do circuito cinematográfico e amplia o olhar sobre um tema que, embora tenha o futebol como ponto de partida, também fala de pertencimento, tradição e identidade cultural.

Serviço
Filme: “Clássico-Rei”
Data: 10 de novembro de 2026
Local: Cineteatro São Luiz, Fortaleza
Horário: Sessão das 19h
Duração: 91 minutos
Gênero: Documentário
Direção: Joe Pimentel e Glauber Filho
Roteiro e direção geral: Wolney Oliveira
Entrada: Gratuita
Evento: 36º Cine Ceará – Festival Ibero-americano de Cinema

Feira Fama chega a Cedro com programação de 30 de outubro a 1º de novembro

O evento será realizado na Praça da Matriz, das 18h às 22h, com participação de empreendedores de diferentes segmentos e entrada gratuita

A Feira Fama 2026 chega ao município de Cedro, na região Centro-Sul do Ceará, para mais uma etapa do circuito itinerante de empreendedorismo promovido no Estado. A quarta edição deste ano será realizada nos dias 30 e 31 de outubro e 1º de novembro, na Praça da Matriz, no Centro, sempre das 18h às 22h, reunindo empreendedores de diferentes segmentos para apresentar e comercializar produtos e serviços. A iniciativa busca ampliar a visibilidade dos pequenos negócios e criar oportunidades de geração de renda.
A feira é realizada pela Federação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte do Estado do Ceará (Femicro Ceará), em correalização com o Sebrae Ceará. O evento conta com patrocínio do Banco do Nordeste, apoio institucional do Sistema Fecomércio, por meio do Sesc e do Senac, e da Prefeitura de Cedro, por meio da Secretaria de Empreendedorismo e Inovação. A Revista Acontece é parceira do evento.
A proposta da Feira Fama é aproximar empreendedores e consumidores, oferecendo um espaço para divulgação de produtos, fortalecimento de marcas e realização de negócios. A iniciativa também contribui para movimentar a economia local e valorizar a produção de pequenos empreendedores, que encontram no evento uma oportunidade de ampliar sua presença no mercado.
Para a presidente da Femicro Ceará, Dalvani Mota, a chegada da feira a Cedro reforça o compromisso de ampliar as oportunidades para os pequenos negócios em diferentes regiões do Estado. “Cada edição da Feira Fama representa uma oportunidade para os empreendedores mostrarem seu trabalho, conquistarem novos clientes e estabelecerem conexões. Levar o evento a Cedro é também valorizar quem empreende no município e contribuir para que esses negócios cresçam, gerem renda e fortaleçam a economia local”, destaca.
Desde 2023, a Feira Fama adota um formato itinerante, ampliando sua presença em diferentes municípios cearenses. Em 2026, o circuito teve início em julho, em *Fortaleza*, passou por *Paraipaba*, em agosto, e por *Paracuru*, em setembro. A etapa de Cedro dá continuidade ao calendário, que prevê ainda uma edição em Pacajus, em dezembro.

Serviço:
Feira Fama Cedro 2026
Data: 30 e 31 de outubro e 1º de novembro de 2026
Horário: das 18h às 22h
Local: Praça da Igreja Matriz, S/N, Centro, Cedro-CE
Entrada: gratuita
Instagram: @feirafama

Amrita Jones lança seu primeiro álbum, “Na Velocidade da Alma”, com show gratuito no Teatro São José

A cena da música autoral cearense segue em constante renovação e ganha um novo capítulo com o lançamento do primeiro álbum da multi-artista Amrita Jones, intitulado Na Velocidade da Alma. O trabalho será apresentado em show no Teatro São José, na quinta-feira, 29 de outubro, às 21h. A entrada é gratuita.
O universo segue em constante expansão, assim como nós. O espetáculo traça um paralelo entre o macrocosmo do universo e o microcosmo que habita cada um de nós. A partir da vibração, Amrita convida o público a se conectar com seu próprio som, despertando a experiência do existir e os caminhos do autoconhecimento. 
As canções e harmonias transitam entre o onírico, o amor e a espiritualidade, conduzindo a uma experiência sensorial de escuta e presença. Em cena, bailarines, Jaguar e Kaye Djamilia, representam a transmutação da matéria, dando corpo ao fluxo contínuo de transformação. Movimento e frequências se entrelaçam, revelando a dança entre o invisível e o visível, entre a energia e a matéria, entre o cosmos e o ser humano.
No palco, junto com Amrita Jones (voz, violão e piano), músicos e músicas que participaram das gravações de Na Velocidade da Alma: Ayla Lemos (bateria),  Briar Aguarrás (baixo), Clau Aniz (guitarras e clarinete), Mariah Duarte (piano), Heron Rana (sax). O show tem a produção de Mika Damasco. 

Sobre Amrita Jones
Amrita Jones é natural de Fortaleza, Ceará, Brasil. É Musicista, Sound Designer; Bailarina; Pesquisadora e Terapeuta Sonora; Pesquisa processos de confluência entre a dança, frequências sonoras e cura em diálogo com seus interesses pela astronomia.
Sua pesquisa observa as ondas rádio eletromagnéticas emitidas pelos astros, a tecnologia quântica do som e a ativação de frequências de cura no corpo humano, como a frequência 432 hertz, a vibração da natureza. Diante disso, tensiona e estuda a reverberação dessas frequências nas sensações e nos movimentos corporais, ampliando o estudo da energia no campo sutil para sua expressão no corpo físico. 

Para ouvir, Na Velocidade da Alma
https://open.spotify.com/album/2HcErzRGxysjf3QtRoayEe

Videoclipe - Na Velocidade da Alma
https://www.youtube.com/watch?v=zyaS7eWCAc8 


Serviço
Amrita Jones - Show Na Velocidade da Alma
Dia 29 de outubro, às 21h
Local: Teatro São José
Rua Rufino de Alencar, 299, Centro, Fortaleza-CE
Entrada gratuita
Acessibilidade em Libras
informações: 85 9 9205.3449
www.amritajones.com
@amritarochajones

Presidente da UBE-GO, Ademir Luiz estreia na literatura infantil com obra sobre identidade e autoestima

Em “Cara de Nada”, escritor e historiador transforma o zero em metáfora sobre individualidade e pertencimento e defende uma literatura infantil que respeite a inteligência das crianças

O escritor, historiador e professor universitário Ademir Luiz, presidente da União Brasileira de Escritores de Goiás (UBE-GO), estreia na literatura infantil com Cara de Nada, publicado pela Editora Mondru e ilustrado pelo artista Tiago Duarte. A obra aborda identidade, autoestima e pertencimento por meio de uma narrativa lúdica que convida crianças e adultos a refletirem sobre a construção da individualidade desde a infância.O lançamento de Cara de Nada integrou a agenda da entidade, com uma noite de autógrafos que marcou a chegada do escritor ao segmento infantil. A obra acompanha um menino que, desde o nascimento, sente que tem “cara de nada”, comparando-se a um “zero bem redondinho”. Ao longo da narrativa, situações bem-humoradas e metáforas visuais conduzem o protagonista a questionar as comparações e a descobrir o valor da própria individualidade.
A vontade de escrever o livro surgiu da experiência de Ademir Luiz como gestor cultural e crítico literário. Ao entrar em contato com publicações infantis e infantojuvenis, o escritor percebeu que, embora algumas obras se destacassem pela criatividade, outras apresentavam narrativas que, em sua avaliação, subestimavam a inteligência das crianças. “Um livro infantil precisa ser tão caprichado quanto um livro para adultos. Até mais. Estamos falando de leitores em formação”, afirma.
Entre as referências que o inspiraram estão A Parte que Falta e A Parte que Falta Encontra o Grande O, do escritor e ilustrador Shel Silverstein. O contato com essas obras reforçou seu interesse por narrativas que combinam simplicidade, elaboração estética e diferentes possibilidades de interpretação.
Em Cara de Nada, texto e ilustração foram concebidos como elementos complementares. Ademir Luiz desenvolveu os primeiros esboços visuais e convidou Tiago Duarte para elaborar os desenhos definitivos, buscando integrar a linguagem escrita à proposta artística do livro.

Zero como metáfora
A matemática ocupa um lugar importante na narrativa. O protagonista descobre que o zero, aparentemente insignificante quando está à esquerda de um número, pode transformar um simples um em mil quando colocado à direita. A descoberta funciona como metáfora sobre potencial, autoestima e pertencimento.
A obra também abre espaço para discutir a expressão das emoções e questionar estereótipos tradicionais de masculinidade, como a ideia de que “homem não chora”. Ao permitir que o menino demonstre suas fragilidades, a história valoriza a liberdade de expressar sentimentos. Em uma passagem poética, suas lágrimas se transformam em um mar no qual ele pode “nadar com sua cara de nada”.
Diálogo com as crianças contemporâneas
Para Ademir Luiz, a literatura infantil pode conviver com outras formas de entretenimento, como videogames, esportes e produções audiovisuais. Em sua obra, referências à cultura pop, à ciência e às artes ampliam as possibilidades de leitura e aproximam a narrativa do universo das crianças de hoje.
O escritor espera que o livro seja compreendido por diferentes públicos e que suas referências permitam novas descobertas a cada leitura. A obra é dedicada aos sobrinhos Netto e João Paulo, que inspiraram o projeto.  “Minha intenção é fazer com que as crianças leiam o livro, entendam sua narrativa, pesquem muitas de suas piadas, mas, ao mesmo tempo, percebam que ele possui outras camadas”, explica.
Como desdobramento do lançamento, o autor planeja produzir vídeos de apresentação para as plataformas digitais. Entre as ideias está retomar o palhaço Mirim, personagem que interpretava quando trabalhava com animação de festas infantis. Com Cara de Nada, Ademir Luiz inaugura uma nova etapa de sua produção literária, reunindo humor, referências culturais e reflexão sobre a maneira como as crianças constroem a percepção de si mesmas e encontram seu lugar no mundo.

Sobre o autor
Doutor em História, com especialização no período medieval, Ademir Luiz realizou pós-doutorado em Poéticas Visuais e Processos de Criação. Foi bolsista pesquisador do Instituto Camões, de Portugal, e indicado ao Prêmio Capes de Teses.
Professor universitário e presidente da União Brasileira de Escritores de Goiás (UBE-GO), é editor do periódico acadêmico Revista Nós: Cultura, Estética e Linguagens. Atua também como romancista, contista, quadrinista e ensaísta.
Entre seus livros estão Apologia ao fim, vencedor do Prêmio Cora Coralina; Fogo de Junho, vencedor do Prêmio Hugo de Carvalho Ramos; e O Wikiota. Também escreveu o roteiro da graphic novel Conclave, ilustrada por Rafael Campos Rocha, e criou a chamada Teoria do Chaves, publicada na Revista Bula.

Serviço:
Livro: Cara de Nada
Autor: Ademir Luiz
Ilustrações: Tiago Duarte
Editora: Mondru
Gênero: Literatura infantil/infantojuvenil
Preço sugerido: R$ 79,90

Festival do Cinema Brasileiro tem ingressos a R$ 12 na rede UCI

Evento acontece de 29 de outubro a 4 de novembro, reúne lançamentos, sucessos de bilheteria e uma pré-estreia aguardada, além de ampliar o acesso do público às produções nacionais

O cinema brasileiro ganha uma semana dedicada à conquista das grandes telas e à aproximação com o público. De 29 de outubro a 4 de novembro, a rede UCI Cinemas participa da primeira edição do Festival do Cinema Brasileiro, iniciativa que oferece ingressos a preços promocionais para filmes nacionais e reúne títulos de diferentes gêneros, de comédias populares a produções dramáticas e histórias inspiradas em acontecimentos reais. A campanha pretende estimular a presença dos espectadores nas salas de exibição e fortalecer o espaço das produções brasileiras no circuito comercial.
Durante o festival, os ingressos para filmes nacionais nas salas convencionais custarão R$ 12 para todos os clientes. Nas salas VIP DE LUX, o valor será de R$ 20. As salas IMAX e 4DX não participam da promoção. A iniciativa é idealizada pela Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas (FENEEC), com apoio institucional da Associação Brasileira das Empresas Exibidoras Cinematográficas Operadoras de Multiplex (ABRAPLEX). A participação foi confirmada pelas redes de cinema do país.
A proposta chega em um momento de renovado interesse pelas produções brasileiras, que vêm conquistando espaço nas conversas do público, nas bilheterias e nos festivais internacionais. A redução do preço dos ingressos busca transformar esse interesse em mais espectadores nas salas, oferecendo uma oportunidade para quem deseja acompanhar os lançamentos ou recuperar filmes que marcaram a temporada.
A campanha também reforça uma questão importante para o audiovisual: a circulação das obras. A realização de um filme envolve roteiristas, diretores, atores, técnicos, produtores, montadores, profissionais de som, distribuidores e exibidores. Para que essa cadeia permaneça ativa, é fundamental que os trabalhos cheguem às salas e encontrem espectadores dispostos a conhecê-los. Iniciativas que facilitam o acesso podem contribuir para ampliar essa relação entre a produção nacional e o público.

Lançamentos e histórias que chegam às telas
Entre os destaques do primeiro dia do festival está As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você, dirigido por Diego Freitas e baseado no livro de Fernanda Castro e Silva. Estrelado por Any Gabrielly e Giulia Be, o longa acompanha uma amizade atravessada pela perda e pela descoberta de novos caminhos.
Na história, Gabi, uma jovem tímida, precisa lidar com a morte da amiga Julia. A situação ganha novos contornos quando ela descobre que a companheira deixou dez cartas com desafios que deverão ser cumpridos após sua partida. Cada mensagem funciona como um convite para que Gabi enfrente situações que antes pareciam distantes de sua realidade, enquanto tenta compreender a ausência e reorganizar a própria vida.
A trama aposta na amizade como eixo narrativo, mas também aborda o luto, a transformação pessoal e a dificuldade de continuar quando alguém importante deixa de fazer parte do cotidiano. A premissa aproxima o filme de um público que busca histórias sobre relações humanas e mudanças que surgem em momentos inesperados.
Outro lançamento previsto para 29 de outubro é 100 Dias, dirigido por Carlos Saldanha e inspirado no livro Cem Dias entre o Céu e o Mar, de Amyr Klink. O longa revisita a extraordinária travessia realizada pelo navegador brasileiro em 1984, quando ele atravessou sozinho o Atlântico Sul a remo, partindo da Namíbia em direção à costa brasileira.
Filipe Bragança interpreta Amyr Klink na produção, que acompanha os desafios físicos e psicológicos de uma expedição marcada pelo isolamento, pela resistência e pela imprevisibilidade do oceano. A narrativa também olha para as relações familiares e para os vínculos que permanecem em terra enquanto o protagonista enfrenta uma jornada de cem dias.
A história oferece ao cinema uma aventura baseada em um episódio real que exige mais do que força física. A travessia de Klink tornou-se um marco da navegação brasileira e representa uma experiência de planejamento, disciplina e enfrentamento dos próprios limites. Ao levar o episódio para as telas, o filme aproxima o público de uma das histórias mais conhecidas da exploração marítima nacional.

Produção cearense chega à pré-estreia com reconhecimento internacional
Um dos momentos mais importantes da programação é a pré-estreia de Feito Pipa, dirigido por Allan Deberton, cineasta cearense. O longa tem lançamento comercial previsto para 5 de novembro, depois do encerramento do festival, e chega cercado de expectativas após uma trajetória de destaque em festivais.
A produção foi escolhida para representar o Brasil na disputa por uma vaga na categoria de Melhor Filme Internacional do Oscar 2027. A indicação nacional à seleção da Academia não significa classificação automática entre os concorrentes finais, mas coloca a obra no caminho de uma das disputas mais acompanhadas do cinema mundial.
O filme também conquistou dois prêmios no Festival de Berlim e recebeu quatro Kikitos na 54ª edição do Festival de Gramado, consolidando sua presença entre as produções brasileiras de destaque da temporada.
Ambientada no sertão cearense, a história acompanha Gugu, um menino apaixonado por futebol e dança que vive com a avó Dilma. A possibilidade de precisar deixar a casa onde cresceu para morar com o pai, Batista, desencadeia o conflito central da narrativa. A mudança ameaça não apenas sua rotina, mas também os laços afetivos e o ambiente que estruturam sua infância.
Yuri Gomes, Teca Pereira e Lázaro Ramos estão no elenco. O filme aborda as relações familiares, o direito de uma criança de participar das decisões que afetam sua vida e a importância de compreender as necessidades de quem ainda está descobrindo o mundo.
A presença de Feito Pipa na programação tem significado especial para o Ceará. Além de apresentar uma história ambientada no sertão do estado, o longa coloca em evidência o trabalho de realizadores ligados à produção audiovisual cearense. O reconhecimento internacional também amplia a visibilidade de uma cinematografia que vem construindo caminhos próprios, com narrativas que partem de territórios e personagens brasileiros sem abrir mão do diálogo com espectadores de diferentes países.
Para o público, a pré-estreia representa a oportunidade de conhecer a produção antes de sua chegada oficial ao circuito comercial. Para o cinema cearense, é mais uma ocasião de acompanhar o percurso de uma obra que já ultrapassou as fronteiras regionais e conquistou reconhecimento em importantes eventos do setor.

Sucesso de bilheteria e comédias para diferentes públicos
A programação do festival também abre espaço para filmes que já conquistaram grande público. É o caso de Minha Melhor Amiga, comédia dirigida por Susana Garcia e protagonizada por Mônica Martelli e Ingrid Guimarães.
Na trama, duas amigas na faixa dos 50 anos viajam para Portugal em busca das filhas adolescentes. A aventura se transforma em uma sequência de situações inesperadas, encontros e conflitos que colocam a amizade à prova. Rodado no Rio de Janeiro, em Lisboa e em Sevilha, o longa explora as diferenças entre gerações e os desafios de conciliar as próprias escolhas com as preocupações da maternidade.
O filme ultrapassou a marca de 5,8 milhões de espectadores, segundo informações divulgadas pela imprensa, tornando-se um dos grandes fenômenos recentes do cinema nacional. O resultado demonstra a força comercial das comédias brasileiras e a capacidade de atrair diferentes faixas de público quando as histórias encontram identificação nas experiências cotidianas.

Outro título presente nas salas da rede é Se Eu Fosse Você 3, que retoma a franquia protagonizada por Tony Ramos e Glória Pires. Vinte anos depois do segundo filme, Cláudio e Helena enfrentam uma nova fase da vida. A filha Bia agora é adulta e casada, mas uma situação inesperada ameaça alterar novamente a dinâmica familiar.
Com direção de Anita Barbosa e supervisão artística de Daniel Filho, a produção recupera o recurso fantástico da troca de corpos para explorar conflitos conjugais, diferenças de personalidade e as dificuldades de compreender o ponto de vista do outro. Cleo Pires e Rafael Infante também integram o elenco.
A franquia ocupa um lugar conhecido na história recente da comédia brasileira por transformar conflitos domésticos em situações de humor. A continuação aposta no reconhecimento dos personagens, mas precisa lidar com uma família que mudou ao longo do tempo e com relações que já não são as mesmas dos primeiros capítulos.
Para quem procura uma sessão em família, Um Tio Quase Perfeito 3 e Galinha Pintadinha – O Filme também aparecem entre as opções divulgadas para a programação da rede. O primeiro retoma a história de Tio Tony, personagem interpretado por Marcus Majella, que se vê diante de uma nova situação familiar quando uma bebê desconhecida é deixada à sua porta. Dirigido por Pedro Antonio, o longa dá continuidade à comédia voltada para crianças e adultos.
Já a produção protagonizada pela Galinha Pintadinha leva às telas personagens conhecidos do universo infantil. Na aventura, uma cegonha atrapalhada troca o ovo da personagem com o do Gavião, desencadeando uma jornada para recuperar o Pintinho Amarelinho. A proposta combina música, aventura e situações destinadas aos espectadores mais jovens.
A oferta de filmes para diferentes idades amplia as possibilidades do festival. A campanha não se limita às produções dramáticas ou aos títulos que circulam em premiações. Também contempla comédias, aventuras e histórias infantis, reconhecendo que o público brasileiro é diverso e que o cinema nacional pode ocupar diferentes espaços no imaginário coletivo.

O desafio de manter o cinema brasileiro nas salas
A realização do Festival do Cinema Brasileiro dialoga com um debate permanente sobre a presença das produções nacionais no mercado exibidor. Fazer um filme e conseguir distribuí-lo são etapas diferentes de uma mesma cadeia. Depois da produção, cada obra precisa conquistar espaço nas salas, competir pela atenção do público e encontrar uma janela de exibição que permita recuperar parte do investimento e alcançar novos espectadores.
Os ingressos promocionais funcionam como um estímulo para que as pessoas experimentem títulos que talvez não estivessem entre suas primeiras escolhas. A possibilidade de assistir a um filme por um preço reduzido pode favorecer a descoberta de novos realizadores, a retomada de hábitos de ida ao cinema e a ampliação do público de produções que dependem da circulação comercial.
A campanha também ocorre na sequência de outras iniciativas de ingresso popular, como a Semana do Cinema, que mobilizou milhões de espectadores em setembro de 2026, de acordo com informações divulgadas pelo setor. A experiência demonstra o interesse das exibidoras em estimular a frequência às salas por meio de preços especiais.
A expectativa é que o festival ofereça aos filmes nacionais uma janela adicional de visibilidade e ao público uma oportunidade de conhecer a diversidade da produção brasileira. Entre histórias de amizade, aventuras inspiradas em acontecimentos reais, comédias de grande bilheteria e um longa cearense reconhecido internacionalmente, a programação apresenta diferentes caminhos para explorar o cinema feito no país.
A programação e os horários variam conforme o complexo. Por isso, a recomendação é consultar a grade da unidade da UCI Cinemas escolhida antes de sair de casa.

Serviço
Festival do Cinema Brasileiro
Data: de 29 de outubro a 4 de novembro de 2026.
Local: unidades participantes da rede UCI Cinemas.
Ingressos: R$ 12 para filmes nacionais nas salas convencionais e R$ 20 nas salas VIP DE LUX.
Observação: salas IMAX e 4DX não participam da promoção. Consulte a programação, os horários e a disponibilidade de ingressos nos canais oficiais da rede.

Morre Oswaldinho do Acordeon, mestre da sanfona que ampliou as fronteiras do forró

Músico morreu aos 72 anos, após cerca de seis décadas de carreira, marcada pelo diálogo entre a música nordestina, o jazz, o blues, o rock e a música erudita

A música brasileira perdeu no domingo, 25 de outubro de 2026, um de seus instrumentistas mais versáteis. Oswaldinho do Acordeon morreu aos 72 anos, deixando uma trajetória de aproximadamente seis décadas dedicada à sanfona, instrumento que aprendeu a dominar ainda na infância e que transformou em ponto de partida para uma extensa pesquisa musical.
A notícia foi confirmada por meio de um comunicado publicado nos perfis oficiais do artista nas redes sociais. A mensagem destacou o reconhecimento que ele conquistou no Brasil e no exterior e a contribuição deixada para a música brasileira. Até a publicação das primeiras notícias sobre sua morte, a causa do falecimento não havia sido divulgada, assim como não tinham sido confirmados publicamente os detalhes sobre o velório e o sepultamento.
A repercussão foi imediata entre músicos e admiradores. O cantor e compositor Chico César lamentou a perda e se despediu do sanfoneiro com uma mensagem que ressaltava a permanência de sua obra. Elba Ramalho também prestou homenagem, destacando que a música do instrumentista continuaria presente na lembrança de quem acompanhou sua trajetória. O guitarrista Nelson Faria manifestou pesar e o reconheceu como um dos grandes sanfoneiros do país.
As homenagens ajudam a dimensionar a importância de Oswaldinho. Seu nome esteve ligado à tradição nordestina, mas sua atuação não se limitou a preservar repertórios conhecidos. Ele explorou diferentes possibilidades do acordeon, aproximou linguagens musicais e demonstrou que a sanfona podia ocupar espaços muito além daqueles tradicionalmente associados ao forró.

Uma infância cercada pela música
Batizado como Oswaldo de Almeida e Silva, Oswaldinho nasceu em 5 de junho de 1954, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro. Era filho do sanfoneiro baiano Pedro Sertanejo, figura importante para a difusão do forró e da música nordestina em São Paulo.
A presença do pai foi determinante para seu contato precoce com o instrumento. Crescer em uma família ligada à música significava conviver desde cedo com repertórios, ensaios, apresentações e músicos que faziam parte de um universo artístico em constante transformação.
Oswaldinho começou a gravar ainda menino. Aos nove anos, participou de um disco do pai, experiência que marcou o início de uma relação profissional com a música muito antes de muitos artistas começarem a construir suas próprias carreiras. Aos 12 anos, lançou seu primeiro compacto, dando os primeiros passos em um percurso que se estenderia por décadas.
O ambiente familiar também o aproximou de nomes fundamentais da música brasileira. Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Sivuca estiveram entre os artistas com os quais conviveu durante a juventude. A proximidade com diferentes gerações de sanfoneiros ofereceu referências variadas de interpretação, técnica e compreensão do papel do instrumento.
Luiz Gonzaga havia transformado a sanfona em uma das grandes vozes da identidade musical nordestina, levando o baião e outros ritmos regionais a públicos de todo o país. Dominguinhos ampliou essa tradição com uma linguagem marcada pela delicadeza melódica, pelo refinamento harmônico e pela liberdade de interpretação. Sivuca, por sua vez, destacou-se pela versatilidade e pela capacidade de transitar entre diferentes universos musicais.
Nesse contexto, Oswaldinho desenvolveu uma personalidade artística própria. A tradição estava presente em sua formação, mas não funcionava como limite. O acordeon se tornaria um instrumento de investigação, capaz de acompanhar tanto a pulsação de um forró quanto caminhos harmônicos e rítmicos associados a outros gêneros.

A sanfona como instrumento de experimentação
Durante a década de 1970, Oswaldinho consolidou sua carreira fonográfica. Entre os primeiros trabalhos estão Fantástico Oswaldo Silva, lançado em 1973, Só Quero um Xodó, de 1974, e Oswaldinho, de 1975. Na sequência, vieram álbuns como Forró Pop, de 1977, Lágrimas de Namorados, de 1978, e Natureza, de 1979.
Os títulos ajudam a acompanhar uma trajetória que atravessou diferentes momentos da indústria fonográfica brasileira. Naquele período, a música popular experimentava transformações, enquanto artistas de diferentes origens buscavam novas formas de combinar tradição, modernidade e referências internacionais.
Oswaldinho encontrou nesse cenário espaço para desenvolver uma abordagem que preservava a relação com os ritmos nordestinos sem se prender a fórmulas. Seu domínio técnico permitia explorar a sanfona como instrumento melódico, harmônico e rítmico, com possibilidades expressivas que ultrapassavam o acompanhamento tradicional.
A incorporação de elementos do jazz, do blues, do rock e da música erudita tornou-se uma das marcas de sua carreira. Essas aproximações não significavam abandonar o forró, mas investigar o que acontecia quando diferentes linguagens musicais encontravam o mesmo instrumento.
O resultado foi uma trajetória que contribuiu para ampliar a percepção da sanfona dentro da música brasileira. Associada frequentemente às festas juninas, aos bailes e às tradições regionais, ela também podia conduzir improvisações, explorar harmonias complexas e dialogar com estruturas musicais de diferentes origens.
Essa liberdade artística ajudou a consolidar a reputação de Oswaldinho como instrumentista de grande habilidade. Sua contribuição não dependia apenas da execução rápida ou da precisão técnica, mas da maneira como organizava ideias musicais e criava pontes entre repertórios.
Em 1981, lançou Forró in Concert, trabalho que contribuiu para abrir caminho para apresentações em festivais europeus. A circulação internacional demonstrava que a música brasileira feita a partir de tradições regionais podia despertar interesse em outros mercados quando apresentada com personalidade e qualidade instrumental.

Os encontros com outros grandes nomes da música brasileira
A carreira de Oswaldinho também foi marcada por colaborações com artistas de diferentes estilos. Ao longo dos anos, trabalhou com nomes como Rita Lee, Ney Matogrosso, Elba Ramalho e Milton Nascimento, ampliando sua presença para além dos circuitos mais diretamente associados ao forró.
Esses encontros evidenciam uma característica importante de sua atuação: a capacidade de adaptar o acordeon a diferentes contextos sem apagar sua identidade musical. Em vez de funcionar apenas como uma assinatura regional, a sanfona podia dialogar com arranjos de rock, canção popular, música instrumental e outras linguagens.
A convivência com artistas de trajetórias distintas também reforçou a imagem de um músico que não tratava as fronteiras entre gêneros como barreiras intransponíveis. Sua formação estava enraizada na música nordestina, mas sua curiosidade o levou a explorar novas sonoridades e possibilidades de interpretação.
Um dos encontros mais significativos ocorreu em 2004, quando gravou com Dominguinhos e Sivuca o álbum Cada um Belisca um Pouco, lançado pela gravadora Biscoito Fino. O projeto reuniu três grandes nomes do acordeon brasileiro em um trabalho que valorizava tanto suas afinidades quanto suas diferenças.
A reunião tinha um significado especial porque aproximava artistas que haviam construído linguagens próprias a partir do mesmo instrumento. Embora compartilhassem referências, cada um possuía uma maneira particular de trabalhar o ritmo, a melodia e a harmonia.
No caso de Oswaldinho, a experiência reforçava a ligação com a tradição dos sanfoneiros brasileiros e, ao mesmo tempo, a disposição para experimentar. Sua carreira demonstrava que o respeito às raízes não exigia repetição permanente do passado.
Em Asa Branca Blues, de 2002, o próprio título evidenciava a aproximação entre um dos símbolos da música nordestina e a linguagem do blues. O trabalho representava a disposição do instrumentista para explorar encontros entre universos musicais que, à primeira vista, poderiam parecer distantes.
Já Forró Chorado, de 2011, integra uma discografia que percorreu diferentes fases da produção musical brasileira, mantendo a sanfona como centro de uma pesquisa artística contínua.

Um artista entre a tradição e a liberdade
A importância de Oswaldinho do Acordeon pode ser compreendida a partir da relação que construiu entre herança e invenção. A tradição familiar e o contato com grandes sanfoneiros ofereceram a base de sua formação, mas foi sua capacidade de investigar novas possibilidades que deu singularidade ao trabalho.
A sanfona carrega uma longa história na música popular brasileira. Em diferentes regiões, acompanha danças, festas, celebrações e narrativas cotidianas. No Nordeste, tornou-se um dos instrumentos fundamentais de gêneros como o baião, o xote e o forró, ajudando a estabelecer uma identidade sonora reconhecida em todo o país.
Oswaldinho conhecia essa tradição por dentro. Ao mesmo tempo, compreendia que a continuidade de uma linguagem musical também depende da possibilidade de transformá-la. Seu trabalho demonstrou que a sanfona podia manter a ligação com o repertório nordestino e, ainda assim, dialogar com outros ritmos, arranjos e ambientes de apresentação.
Essa versatilidade permitiu que sua carreira atravessasse gerações e espaços distintos. O músico podia ser reconhecido tanto por quem acompanhava a história do forró quanto por instrumentistas interessados nas possibilidades técnicas e expressivas do acordeon.
Sua trajetória também ajuda a questionar uma divisão frequente na maneira como a música brasileira é apresentada: de um lado, as tradições regionais; de outro, os repertórios associados à experimentação e à música instrumental. Oswaldinho mostrou, por meio do próprio trabalho, que essas dimensões podem conviver.
A sanfona não precisava escolher entre preservar suas raízes e explorar novos caminhos. Podia fazer as duas coisas, desde que houvesse conhecimento, personalidade e disposição para experimentar.

A repercussão da morte e a permanência da obra
A notícia do falecimento mobilizou artistas, músicos e admiradores nas redes sociais. As manifestações de Chico César, Elba Ramalho e Nelson Faria destacaram a dimensão artística de Oswaldinho e a importância de sua contribuição para a música brasileira.
O reconhecimento público também está relacionado à extensão de sua carreira. Foram aproximadamente seis décadas de atividade, dezenas de projetos fonográficos e colaborações com artistas de diferentes gerações. Sua trajetória acompanhou mudanças profundas na indústria musical, desde a predominância dos discos físicos até a transformação das formas de distribuição e consumo de música.
Ao longo desse período, manteve a sanfona como instrumento central de sua identidade artística. A escolha não significou permanecer preso a um único repertório, mas explorar as possibilidades de um instrumento que pode ser ao mesmo tempo popular, sofisticado, dançante e experimental.
A morte de um artista com esse percurso também chama a atenção para o papel dos instrumentistas na construção da música brasileira. Cantores e compositores frequentemente ocupam o primeiro plano da memória pública, mas a história dos gêneros musicais depende igualmente daqueles que ampliam as possibilidades dos instrumentos, desenvolvem linguagens e influenciam outros músicos.
Oswaldinho pertence a esse grupo. Sua contribuição pode ser percebida tanto nos trabalhos que deixou gravados quanto nos encontros artísticos que ajudou a construir e na maneira como apresentou a sanfona a diferentes públicos.
A causa da morte não havia sido divulgada nas primeiras informações publicadas em 26 de outubro. Também não havia confirmação pública dos detalhes do velório e do sepultamento até aquele momento.
Aos 72 anos, Oswaldinho do Acordeon deixa uma obra que percorre o forró tradicional, a música instrumental e as experiências de aproximação entre diferentes gêneros. Sua história começou em uma família de sanfoneiros, ganhou forma nas gravações da infância e se expandiu por palcos, discos e colaborações que atravessaram fronteiras musicais.
O instrumento que acompanhou desde menino foi também a linguagem por meio da qual construiu sua identidade. Ao ampliar as possibilidades da sanfona sem romper com suas raízes, Oswaldinho ajudou a demonstrar a riqueza de uma música brasileira que encontra sua força tanto na tradição quanto na capacidade de se reinventar.


Sônia Pinheiro: a jornalista que transformou a vida social do Ceará em notícia

Com uma carreira iniciada em 1971 no Jornal O ESTADO, Soninha atravessou mais de cinco décadas de transformações na imprensa, conquistou espaço nos principais jornais do Estado e fez do colunismo social um território de informação, bastidores políticos, cultura e personagens que ajudaram a contar a história de Fortaleza

A imprensa cearense perdeu, na noite de 15 de outubro de 2026, uma de suas cronistas mais reconhecidas. A jornalista Sônia Maria Pinheiro, conhecida carinhosamente como Soninha, morreu em Fortaleza, aos deixar para trás uma trajetória de mais de cinco décadas dedicada ao jornalismo. Segundo informações divulgadas pelo jornalista Eliomar de Lima e reproduzidas por veículos de comunicação do Estado, a causa da morte foi uma pneumonia. A notícia encerrou uma carreira que atravessou diferentes gerações de leitores, mudanças profundas nas redações e a própria transformação da vida social e política cearense.
Nascida em Natal, no Rio Grande do Norte, Sônia escolheu Fortaleza para construir sua vida profissional. Formada em Jornalismo pela Universidade Federal do Ceará (UFC), começou a trabalhar ainda no primeiro ano da graduação, em 1971, como repórter do jornal O Estado, a convite de Venelouis Xavier Pereira, fundador do periódico. A informação, registrada em publicações que reconstituíram sua trajetória, ajuda a dimensionar a precocidade de uma carreira que se tornaria referência no colunismo social do Ceará.
Naquela época, o jornal impresso ocupava um lugar central na vida cotidiana. Era pelas páginas dos periódicos que leitores acompanhavam os acontecimentos políticos, as mudanças econômicas, a programação cultural e os encontros que movimentavam Fortaleza. A coluna social, por sua vez, funcionava como uma janela para os círculos de convivência da cidade, revelando personagens, hábitos, celebrações e relações que, muitas vezes, extrapolavam os limites dos salões.
Sônia compreendeu as possibilidades desse espaço e construiu uma assinatura própria. Sua escrita não se limitava à descrição de festas, recepções e encontros de personalidades. Em suas mãos, a coluna social também se transformou em um ponto de observação da política, dos negócios e das relações de poder. O resultado foi um trabalho que combinava informação, estilo e proximidade com personagens importantes da vida pública cearense.

Uma carreira que começou na reportagem
Antes de se consolidar como colunista, Sônia experimentou diferentes dimensões do ofício jornalístico. Em O Estado, trabalhou com coberturas que incluíam as áreas social e policial, entrevistou artistas e atletas e dividiu com a jornalista Stela Crisóstomo a produção de uma página dominical. A experiência em diferentes frentes de reportagem contribuiu para formar uma profissional familiarizada com a apuração e com a diversidade de assuntos que compõem o cotidiano de uma cidade.
Depois, passou pelo Correio do Ceará e pela Tribuna do Ceará. Também trabalhou com assessoria de imprensa e relações públicas, atividades que ampliaram sua experiência na comunicação e no relacionamento com fontes e instituições.
A passagem pelo Diário do Nordeste representou outro capítulo importante. Em março de 1982, poucos meses depois da fundação do jornal, em dezembro de 1981, Sônia participou da consolidação do colunismo social da publicação e criou o DN-Gente, espaço dedicado aos personagens e acontecimentos da sociedade cearense. Sua atuação no veículo se estendeu por mais de uma década.
A história profissional de Sônia também se confunde com a evolução dos próprios jornais do Estado. Em um período no qual as redações mantinham equipes dedicadas à cobertura diária da vida social, o colunismo tinha espaço privilegiado na estrutura editorial. As páginas assinadas pelos jornalistas especializados nesse gênero eram acompanhadas por leitores interessados não apenas em saber quem esteve em determinada recepção, mas também em compreender as relações que se estabeleciam entre os protagonistas da vida pública.
Sônia soube ocupar esse território. Seu trabalho se distinguia pela capacidade de circular entre diferentes ambientes, conversar com personagens de universos diversos e transformar encontros em informações destinadas ao leitor.

O colunismo social também era jornalismo de bastidores
Existe uma ideia simplificada de que a coluna social serve apenas para registrar festas, casamentos, aniversários, viagens e eventos frequentados por pessoas conhecidas. A trajetória de Sônia Pinheiro ajuda a demonstrar como essa definição é insuficiente para compreender a relevância que o gênero alcançou na imprensa cearense.
Uma recepção pode reunir empresários, políticos, artistas, representantes de instituições e integrantes de famílias tradicionais. Uma conversa aparentemente informal pode revelar uma articulação em andamento, antecipar uma decisão ou oferecer pistas sobre mudanças que ainda não chegaram ao noticiário convencional. Para identificar o que merece ser publicado, é necessário conhecer os personagens, compreender os contextos e distinguir a simples curiosidade de uma informação relevante.
Foi nesse espaço que Sônia desenvolveu uma de suas marcas profissionais: a aproximação entre o universo social e os bastidores da política e da economia.
Ao longo da carreira, acompanhou personagens que exerceram influência na vida pública do Ceará, entre eles o empresário e político Tasso Jereissati. A presença de informações exclusivas e notícias antecipadas fazia parte da identidade de seu trabalho, como destacaram publicações que analisaram sua trajetória.
Em uma coluna, a escolha de uma palavra, a identificação de um personagem ou a menção a determinado encontro pode produzir sentidos que ultrapassam o registro de uma ocasião. A informação ganha valor quando o jornalista compreende o contexto em que ela está inserida. Sônia construiu sua reputação nesse exercício de observação e seleção.
Isso não significa confundir proximidade com independência jornalística. Ao contrário, a credibilidade de uma coluna depende da capacidade de transformar acesso em informação consistente, mantendo a responsabilidade sobre aquilo que se publica. O reconhecimento profissional conquistado por Sônia ao longo de décadas demonstra o lugar que ela ocupou nessa tradição da imprensa local.

Vinte e três anos de O POVO e uma assinatura inconfundível
Foi no jornal O POVO que Sônia consolidou uma das etapas mais duradouras e conhecidas de sua carreira. A jornalista tornou-se titular de uma coluna social diária em 1996 e permaneceu no veículo por 23 anos, período em que acompanhou acontecimentos, personalidades e transformações da sociedade cearense.
Sua estreia foi marcada pela proposta de combinar informação exclusiva, bastidores políticos, eventos, cultura e elegância. O espaço editorial que ocupava exigia uma relação permanente com fontes, uma agenda de contatos extensa e a capacidade de identificar o que poderia despertar o interesse dos leitores.
A coluna também era reconhecida pela linguagem peculiar. Sônia escrevia com vocabulário elaborado e incorporava expressões em francês, inglês e espanhol, criando um texto que se afastava da linguagem coloquial e conferia personalidade às notas. Essa escolha não era um detalhe decorativo: fazia parte de sua identidade como autora e ajudava a diferenciar sua produção em um ambiente jornalístico no qual diferentes profissionais disputavam a atenção do público.
A jornalista não escrevia como quem apenas organiza uma lista de convidados. Sua coluna tinha voz própria, ritmo e repertório. O leitor encontrava ali uma maneira particular de apresentar os acontecimentos, com referências, comentários e informações que refletiam a experiência acumulada pela autora.
A relação com O POVO também se estendeu à revista O POVO People Luxo, publicação dedicada a temas como estilo de vida, arte, viagens e consumo. Nesse espaço, Sônia ampliou a abordagem sobre os personagens e os ambientes que acompanhava, em uma proposta editorial que reunia comportamento, cultura e sociedade.
Em reportagem publicada em O POVO recordou a contribuição da jornalista para a memória social do Ceará. A publicação também ouviu Clóvis Holanda, profissional que assumiu o colunismo social depois de Sônia e ressaltou a singularidade de sua escrita e a importância de sua relação com as fontes.
O depoimento ajuda a compreender uma característica fundamental de seu trabalho: a dificuldade de reproduzir uma coluna cuja identidade foi construída durante décadas de experiência, observação e escolhas autorais. É possível ocupar uma página, manter uma agenda de eventos e publicar notas diariamente. Reproduzir a perspectiva de uma jornalista, porém, é outra história.

Fortaleza nas páginas de Soninha
A cidade muda de aparência, seus bairros se transformam, novos empreendimentos surgem, antigas casas desaparecem e os lugares de encontro se deslocam. As gerações também se renovam. Personagens que ocupavam as páginas dos jornais deixam a vida pública, enquanto outros passam a protagonizar acontecimentos políticos, empresariais e culturais.
Ao acompanhar esse movimento durante mais de cinquenta anos, Sônia Pinheiro ajudou a registrar uma parte significativa da história cotidiana de Fortaleza.
Suas colunas reuniam nomes, encontros, celebrações, homenagens e acontecimentos que, vistos isoladamente, poderiam parecer pequenos episódios da agenda social. Reunidos ao longo do tempo, entretanto, esses registros permitem observar mudanças de comportamento, permanências familiares, transformações nos ambientes de convivência e a ascensão de novos protagonistas.
O trabalho do colunista também guarda uma dimensão documental. As páginas de um jornal são produzidas para circular em determinado dia, mas permanecem como fontes de consulta para quem deseja compreender uma época. Uma nota publicada décadas atrás pode revelar como determinada personalidade era apresentada ao público, quais instituições ocupavam espaço na imprensa e que acontecimentos mereciam destaque naquele momento.
É nesse sentido que o legado de Sônia ultrapassa a lembrança de sua presença nos eventos. Seu trabalho integra o arquivo da vida social cearense e oferece material para compreender as relações que ajudaram a moldar a sociedade local.
A memória jornalística não é composta apenas por grandes acontecimentos, eleições, crises econômicas ou decisões governamentais. Ela também se constrói com registros cotidianos, nomes, encontros e informações que, reunidos, permitem reconstituir o ambiente de uma época.
Uma coluna social pode ser lida como uma espécie de mapa das relações de uma cidade. Sônia ajudou a desenhar esse mapa durante décadas, acompanhando seus personagens e registrando as mudanças de um Ceará que não permaneceu igual ao longo de sua trajetória.

Uma geração de colunistas que marcou a imprensa cearense
Sônia integrou uma geração de profissionais que conferiu identidade própria ao colunismo social no Ceará. Ao lado de nomes como Lúcio Brasileiro, José Rangel, Regina Marshall, Marcondes Viana, Cláudio Cabral e Lázaro Medeiros, participou de uma tradição jornalística que conquistou espaço relevante nos periódicos locais.
Cada profissional desenvolveu sua própria linguagem, selecionou personagens e estabeleceu diferentes maneiras de observar a sociedade. O que os aproximava era a compreensão de que o colunismo exigia presença, relacionamento, apuração e capacidade de interpretar os ambientes frequentados.
Lúcio Brasileiro, também referência no gênero, apelidou Sônia de “flor da crônica”, expressão lembrada nas homenagens publicadas após sua morte. O apelido remetia à juventude da jornalista entre os cronistas sociais de Fortaleza e acabou incorporado às recordações de sua trajetória.

A importância dessa geração não pode ser medida apenas pelo número de páginas publicadas ou pela quantidade de eventos acompanhados. O colunismo social ocupou um lugar específico na imprensa cearense porque aproximava os jornais de círculos que nem sempre apareciam com a mesma frequência em outras editorias.
A política era observada não somente a partir dos discursos oficiais, mas também das relações entre seus protagonistas. A economia aparecia por meio de empresários, investimentos, encontros e articulações. A cultura se revelava nas estreias, exposições, apresentações e conversas entre artistas e produtores.

Esse olhar não substituía o trabalho das editorias de política, economia ou cultura. Acrescentava outra perspectiva à cobertura jornalística, capaz de identificar movimentos e personagens por caminhos diferentes daqueles percorridos pela reportagem tradicional.
Sônia dominou essa linguagem e ajudou a consolidar sua presença no jornalismo do Ceará.

A transformação da imprensa e a permanência do estilo
A carreira da jornalista atravessou uma mudança histórica nos meios de comunicação. Quando começou a trabalhar, o jornal impresso era uma das principais fontes de informação cotidiana. O fechamento das edições obedecia ao ritmo das redações, e a publicação de uma notícia exclusiva podia garantir ao veículo uma vantagem importante diante da concorrência.
Décadas depois, a internet alterou a velocidade de circulação das informações. As redes sociais passaram a permitir a divulgação imediata de imagens, comentários e notícias, enquanto os leitores ganharam acesso a diferentes fontes de informação ao longo do dia.
O colunismo também precisou se adaptar. A exclusividade deixou de depender apenas da publicação antecipada em papel, e a presença digital ampliou as possibilidades de contato entre jornalistas e leitores.

Sônia acompanhou essa transição sem perder a ligação com o formato que havia marcado sua trajetória. Depois de deixar O POVO, passou a trabalhar no jornal O Otimista, onde assinava a coluna Tapis Rouge, sua última etapa profissional na imprensa.
A continuidade do trabalho em um novo veículo demonstrava a permanência de uma atividade que dependia de características difíceis de automatizar: conhecimento acumulado, reconhecimento de personagens, capacidade de estabelecer relações profissionais e uma linguagem identificável.
A tecnologia pode acelerar a circulação de informações e multiplicar os canais de publicação. Não substitui, por si só, o repertório de quem conhece a história dos personagens, acompanha suas trajetórias e consegue reconhecer a relevância de um acontecimento para além de sua aparência imediata.
Nesse sentido, a trajetória de Sônia oferece uma referência para compreender tanto a tradição quanto os desafios atuais do colunismo social. O formato se modifica, mas a necessidade de apuração, credibilidade, identidade autoral e compreensão do contexto continua presente.

O reconhecimento de uma trajetória
A contribuição de Sônia Pinheiro também foi reconhecida por instituições públicas. Em 2016, a Câmara Municipal de Fortaleza concedeu-lhe o título de Cidadã de Fortaleza, homenagem que reconheceu sua ligação com a capital cearense e sua atuação profissional.
Em 2022, recebeu a Medalha da Ordem Alencarina do Mérito Judiciário do Trabalho, concedida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região. As homenagens registram o reconhecimento institucional a uma carreira que atravessou diferentes fases do jornalismo e manteve presença na vida pública do Estado.
Sua ligação com a categoria profissional também era antiga. Sônia era filiada ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará (Sindjorce) desde 21 de fevereiro de 1979, sob o registro sindical informado pela entidade.
Em nota publicada após sua morte, o Sindjorce destacou sua participação na construção da história da imprensa cearense e a contribuição do colunismo social para preservar registros e acontecimentos de diferentes gerações.
O reconhecimento de uma carreira não elimina as transformações que o jornalismo precisa enfrentar nem encerra as discussões sobre o papel das colunas sociais. Sua importância está em reconhecer a contribuição de uma profissional que desenvolveu uma linguagem própria, manteve uma trajetória extensa e participou ativamente da história da imprensa local.

O adeus a Soninha
A notícia da morte de Sônia provocou manifestações de pesar entre jornalistas, colegas de profissão, amigos e pessoas que acompanharam seu trabalho. As homenagens publicadas nos dias seguintes destacaram tanto a jornalista quanto a mulher lembrada por sua convivência, personalidade e relação com aqueles que fizeram parte de sua trajetória.
O jornalista Eliomar de Lima também registrou a despedida em seu blog. Em publicação sobre uma missa em memória da colunista, realizada em 23 de outubro, destacou a originalidade de sua escrita e a capacidade de unir o universo social à informação política. A celebração ocorreu na Igreja da Paz, na Aldeota, em Fortaleza.

A repercussão de sua morte nos veículos de comunicação do Ceará revela a dimensão de sua presença profissional. Sônia não era apenas alguém que aparecia nas páginas dos jornais: era uma jornalista que produzia essas páginas, escolhia os assuntos, estabelecia relações com fontes e transformava observações em conteúdo publicado.

A diferença é importante. Em um ambiente no qual a visibilidade frequentemente se confunde com a atividade jornalística, a trajetória de Soninha lembra que, por trás de uma coluna reconhecida, existe um trabalho contínuo de acompanhamento, seleção e redação. O nome impresso no alto da página representa a responsabilidade de quem responde pelo texto e pela informação que chega ao leitor.
Sua ausência deixa uma lacuna em um gênero jornalístico que já passou por profundas mudanças e continua buscando novas formas de dialogar com o público. Não há como reproduzir uma carreira de cinco décadas, porque ela foi construída em circunstâncias históricas específicas, com fontes, experiências, escolhas e uma maneira particular de interpretar a cidade.

O que permanece são os registros publicados, as histórias compartilhadas e a influência exercida sobre a memória da imprensa cearense.
Sônia Pinheiro acompanhou gerações de personagens e viu Fortaleza mudar diante de seus olhos. Registrou acontecimentos que passaram despercebidos para uns, mas ganharam espaço nas páginas que assinava. Entre a reportagem, a coluna social, a política e os bastidores, construiu um percurso que ajuda a explicar por que esse gênero ocupou lugar tão expressivo nos jornais do Ceará.
A morte de Soninha encerra sua presença física nas redações e nos encontros que fizeram parte de sua rotina. Sua produção, entretanto, continua disponível como testemunho de uma época e de uma forma de fazer jornalismo que combinava acesso, apuração, estilo e conhecimento da sociedade.
Em suas páginas, a história do Ceará não aparecia apenas nos grandes anúncios ou nas decisões oficiais. Também surgia em conversas, encontros e personagens que, observados ao longo do tempo, revelavam o movimento de uma cidade inteira.
E é por esse olhar particular, construído durante mais de cinquenta anos de profissão, que Sônia Pinheiro permanece entre os nomes importantes do jornalismo cearense.

Ivete Sangalo é confirmada no Réveillon de Fortaleza 2027; Prefeitura anuncia programação completa nesta terça 27/10 em evento para convidados no Estoril

Cantora baiana se apresenta em 30 de dezembro, no Aterro da Praia de Iracema; demais atrações e detalhes da festa serão apresentados pela gestão municipal em evento para convidados no Estoril

Fortaleza já tem a primeira grande atração oficialmente anunciada para o Réveillon 2027. A cantora Ivete Sangalo está confirmada na programação da festa que marcará a chegada do novo ano na capital cearense. O show está previsto para o dia 30 de dezembro, no Aterro da Praia de Iracema, tradicional palco das celebrações de fim de ano da cidade.
A confirmação foi divulgada pela Prefeitura de Fortaleza na quinta-feira, 22 de outubro, por meio das redes sociais oficiais do município. Em vídeo publicado pela gestão municipal, Ivete celebrou o convite e convocou o público para acompanhar sua apresentação. “Alô, Fortaleza! Alô, Ceará! Dia 30 de dezembro eu tô junto com vocês no Réveillon da cidade”, declarou a artista.
A participação da cantora é o primeiro nome confirmado oficialmente pela Prefeitura para a edição de 2027, que terá como tema Réveillon de Todos. A expectativa agora se volta para o anúncio dos demais artistas e para a divulgação dos detalhes da programação.

Prefeitura prepara anúncio das atrações
A Prefeitura de Fortaleza realizará um evento no Estoril para apresentar a programação do Réveillon 2027. A ocasião reunirá convidados e autoridades municipais para a divulgação dos nomes que integrarão a festa, além de informações sobre a organização da celebração.
O anúncio está previsto para esta semana e deverá esclarecer quais artistas se apresentarão ao longo dos dias de programação, bem como outros detalhes da estrutura preparada para receber moradores e turistas. A divulgação das atrações é aguardada pelo público e pelos setores ligados à cultura, ao turismo, à hotelaria e à economia de eventos.
Além da confirmação de Ivete Sangalo, o Diário do Nordeste publicou informações sobre possíveis participações de Gilberto Gil e da dupla sertaneja Jorge & Mateus. Esses nomes, entretanto, precisam ser diferenciados da atração já anunciada oficialmente pela Prefeitura até que a programação completa seja apresentada.

Uma das maiores festas populares da capital
O Réveillon de Fortaleza ocupa posição de destaque no calendário de eventos do Ceará e atrai público de diferentes regiões do Brasil. Na virada de 2025 para 2026, a celebração no Aterro da Praia de Iracema reuniu mais de 1,5 milhão de pessoas, segundo números divulgados pela Prefeitura.
A festa também tem impacto sobre a atividade turística, com reflexos na rede hoteleira, nos bares e restaurantes, no comércio e na prestação de serviços. A expectativa para a próxima edição envolve tanto a dimensão dos shows quanto a organização da programação e a eventual realização de atividades em outros pontos da cidade.
Com Ivete Sangalo já confirmada, a apresentação das demais atrações deverá definir o perfil musical do Réveillon 2027. Até a divulgação oficial, informações sobre artistas, horários e distribuição dos shows devem ser tratadas de acordo com o grau de confirmação de cada anúncio.