Em conversa sobre liderança, educação e Amazônia, Betânia relata experiências de preconceito e fala sobre o papel das mulheres que ocupam espaços de gestão - Foto: Reprodução Youtube/Biodiversa Podcast.
Liderar uma instituição de ensino por mais de uma década também significou, para Betânia Fidalgo Arroyo, enfrentar diariamente os julgamentos associados ao fato de ser mulher em uma posição de comando. Reitora da Universidade da Amazônia, ela compartilhou experiências, reflexões e aprendizados sobre liderança feminina, educação e os desafios de transformar realidades a partir da gestão.
Durante a conversa, Betânia falou sobre situações de preconceito que atravessaram sua trajetória como gestora e sobre a necessidade de mulheres ocuparem espaços de decisão sem precisar provar continuamente sua competência.
Ao falar sobre os desafios de estar à frente de uma instituição de ensino, a reitora foi direta ao relatar o preconceito que acompanha sua trajetória. “Eu digo para vocês que todos os dias, há 12 anos, por ousar ser reitora de uma instituição de ensino superior, eu sofro todos os dias ‘n’ tipos de preconceito.”
Sobre ocupar um cargo de gestão, segundo ela, também significa abrir espaço para que outras mulheres sejam ouvidas e reconhecidas. Fidalgo afirma que falar sobre a desigualdade continua sendo necessário, inclusive quando a discriminação aparece em situações aparentemente pequenas.
Ela defendeu, ainda, que mulheres precisam ocupar espaços de lideranças e que esse debate precisa continuar presente em diferentes espaços. “Eu vou falar de novo, porque ainda é necessário falar de novo sobre a discriminação, sobre o desrespeito.”
A trajetória de Betânia também passa pela sala de aula. Professora antes de assumir funções de gestão, ela conta que a transição para a administração foi um dos momentos mais difíceis de sua carreira e que levou para a gestão um aprendizado construído na relação com alunos e professores.
“Na gestão você precisa ouvir mais, você precisa compreender mais, você precisa entender mais.”
O bate-papo também abordou a formação de professores, a leitura, o uso de tecnologias na educação e as particularidades de formar profissionais na Amazônia.
Ao falar sobre educação na região, a reitora destacou a importância de conectar a formação acadêmica à realidade amazônica.
“Você não pode ter só texto, porque o texto é universal. Mas é o contexto que faz com que você consiga entender que você vai ser um biomédico, um farmacêutico, um administrador, um fisioterapeuta, um engenheiro deste lugar.”
A conversa com a reitora da Universidade da Amazônia estáno novo episódio do Biodiversa Podcast, apresentado por Nélia Ruffeil e Poliana Bentes, e já está disponível nas principais plataformas de streaming.
Serviço
Episódio 7 – Desafios da liderança feminina na educação, com Betânia Fidalgo Arroyo
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