CINEMA NACIONAL

Radiografia da fome

Diretor de “Tropa de Elite” lança filme sobre três famílias cearenses


O cineasta José Padilha participa nesta quinta do encontro Conversas com Cineastas, às 18h, na Vila das Artes. O novo filme de Padilha, “Garapa”, vai ter pré-estreia de lançamento também na quinta, às 21h, no Espaço Unibanco Dragão do Mar, para convidados.

O novo filme de Padilha após "Tropa de Elite" segue três famílias no Ceará que passam fome -situação em que, segundo a ONU, vivem mais de 960 milhões de pessoas no mundo. Padilha argumentou que, apesar de o documentário não ter valor estatístico, reúne valores universais, como o fato de a mulher ser o esteio da família em situação de insegurança alimentar grave e de o alcoolismo predominar entre os homens desses grupos. A compra de alimentos altamente calóricos e baratos, como a garapa (bebida feita de água quente e açúcar para as crianças), também se repete. ""Garapa" é um filme sobre três famílias. Porém, eu arrisco falar que, dos filmes que eu fiz, é o mais universal deles", disse.
Também participou do bate-papo com os cerca de 250 espectadores Francisco Menezes, do Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), ONG criada por Betinho e que auxiliou Padilha no começo da produção, em 2005. Para ele, o filme é fundamental para ampliar o debate sobre a fome e fazer uma revisão de como se entende o problema no Brasil. No filme, uma mulher gorda tem filhos subnutridos, embora o fato de ela estar acima do peso não a excluir da desnutrição, disse Menezes.

O diretor falou de suas escolhas para realizar a obra sem cores, sem música, sem zoom. "Esse filme é sobre a ausência", disse. "A família sente falta não só de comida. Não tem roupa, não tem remédio, não tem diversão, não tem projeto." Padilha contou que chegou a dar remédios às famílias e levar uma criança ao dentista durante as filmagens, apesar de não ter registrado tudo. Hoje, ele e o produtor do filme, Marcos Prado, enviam dinheiro aos pais. "Eu não podia dar comida [...], senão eu não conseguia fazer o filme que fiz. Mas eu sabia que eles não iam morrer de fome [...]. E eu sabia que no final eu ia poder ajudar."
O Conversas com Cineastas, que acontece desde abril, reflete sobre os vários estilos, técnicas e experiências em direção cinematográfica no Brasil. Hoje, José Padilha,conversa com o público a partir das 18h. Padilha dirigiu, entre outros, Ônibus 174 e Tropa de elite, sua primeira ficção que conquistou o Urso de Ouro no festival de Berlim.




Selton Mello estreia na direção em 'Feliz Natal'

Filme chega finalmente a Fortaleza, em sessão de arte, no North Shopping e Multiplex UCI Ribeiro Iguatemi

Ator consagrado na TV e no cinema, Selton Mello faz uma estréia segura na direção com o filme Feliz Natal, vencedor de três prêmios no Festival de Paulínia (SP), em julho passado: melhor direção, atriz coadjuvante - dividido entre Darlene Glória e Graziella Moretto - e uma menção especial. Interpretada por Darlene Glória, Mércia é a matriarca de um clã marcado pela melancolia e a solidão - cada um a seu modo. Talvez por ser aquela que perdeu de vez o contato com a realidade, ela é a que menos se importa com as aparências que seu filho Theo (Paulo Guarnieri) e nora, Fabiana (Graziella Moretto), tentam manter.
Na ceia de Natal, conturbada por natureza e ainda mais complicada com a volta da ovelha-negra da família, Caio (Leonardo Medeiros), a mãe solta palavrões e implora por carinho e atenção dos filhos. A chegada de Caio, por sua vez, representa a necessidade de rever o passado - que sempre todos tentaram varrer para debaixo do tapete. Ele vive distante de todos, trabalhando um ferro-velho que montou numa cidade do interior. O retorno à capital tem mais a ver com seus antigos fantasmas pessoais do que com saudades da família.
Com roteiro assinado por Selton e Marcelo Vindicatto, Feliz Natal vai fundo na máxima do escritor russo Liev Tolstoi, que dizia que as famílias infelizes o são cada uma à sua maneira.
Aqui, não há muita chance para a redenção, afinal, este é também um filme sobre a perda da inocência. Cada personagem tem seu drama muito bem delineado e de forma bastante convincente a ponto de humanizá-los, não transformá-los em monstros, embora, em alguns momentos, suas atitudes possam ser bem monstruosas uns com os outros.
Fabiana, infeliz e insegura, desconta nos filhos, marido e sogra a sua insatisfação, ao perceber que está deixando a vida passar. Já seu marido parece ter desistido de vez de cuidar de si mesmo e da família, deixando-se levar pelos problemas, embora ele seja o pilar de sustentação dos outros. O pai, Miguel (Lucio Mauro), está casado com uma garota que tem idade para ser sua neta. Mas é em Mércia e Caio que recai o peso maior. Ela busca nele tudo aquilo que nenhum dos outros lhe dá, sem perceber que ele não tem nada de especial, que também é frágil. Muito condizentes com essas opções de narrativa e personagens estão a fotografia, montagem e trilha sonora de Feliz Natal. Assinada por Lula Carvalho (Tropa de Elite), a fotografia, muitas vezes com uma câmera na mão leve que segue os atores, e com iluminação natural do ambiente, traduz em imagens, cores e texturas o desconforto dos personagens. Já a trilha, assinada pelo músico e produtor Plínio Profeta, é capaz de criar climas sem ser excessiva - muito pelo contrário.
Darlene Glória brilha como não tinha chance de fazer há muito tempo. A sua personagem aqui é como uma releitura, décadas depois, daquela que fez em Toda Nudez Será Castigada (1973) - uma das maiores interpretações do cinema brasileiro. Boa parte do mérito é dela, claro, mas outra parte pertence ao diretor, que estréia com a segurança e um comando da linguagem cinematográfica de fazer inveja a muitos veteranos.




Filme sobre Jean Charles sai em junho

A violência policial inglesa voltou às páginas dos noticiários com a morte de Ian Tomlinson, um jornaleiro de 47 anos, que, ao passar pelos protestos do G20 em abril deste ano em Londres, foi agredido e morreu de ataque cardíaco.

Marcelo Starobinas, jornalista e roteirista do filme ‘Jean Charles’, encontra paralelos entre as duas histórias. Com estreia marcada para junho no Brasil, o filme tem Selton Mello representando o imigrante mineiro que morreu em 2005 no metrô de Londres ao ser atacado pela polícia inglesa, confundido com um terrorista.

“O assunto havia saído um pouco da mídia por uns meses, mas há poucas semanas Ian Tomlinson morreu, e a nova tragédia tem alguns paralelos com a morte do Jean Charles. O drama do brasileiro vem novamente sendo usado como um exemplo dos absurdos que a polícia inglesa é capaz de cometer”, conta o roteirista, que se juntou ao projeto do
filme em 2007, quando ainda era uma co-produção com a emissora inglesa BBC, onde ele trabalhava.

O caso obteve grande repercussão na mídia, mas com a desistência da BBC, Starobinas e o diretor Henrique Goldman resolveram levar o projeto adiante. O roteirista está curioso para saber como seu filme será recebido pelos dois públicos mais envolvidos na história: o inglês e o brasileiro. Marcelo lembra que o roteiro foi desenvolvido nos idiomas dos dois países.

“Esta é uma história de grandes proporções aqui em Londres, o assunto não sai dos jornais, e escrevemos o roteiro com diálogos nos dois idiomas, e nem sempre o que é engraçado ou diferente ou comovente para um público também é para o outro. Andamos nesta corda bamba entre as culturas — estou curioso para ver como os diferentes públicos, no Brasil e na Inglaterra, receberão o filme”, comenta Starobinas.

O longa ainda não tem data de estreia marcada no Reino Unido. No Brasil, entra em circuito dia 26 de junho.

Caso ainda provoca comoção

Jean Charles até hoje é lembrado como símbolo dos casos de violência policial na Inglaterra, e também uma bandeira de movimentos de esquerda pelas liberdades civis. Segundo Marcelo Starobinas, roteirista e produtor do longa metragem, existem cada vez mais câmeras de segurança em Londres, e a polícia se vê cada vez mais no direito de invadir a privacidade.

CONCURSOS, PROMOÇÕES, EDITAIS

Ediouro lança promoção para o livro “O Amor do Pequeno Príncipe”

A Ediouro, através do selo Coquetel, está promovendo o Concurso Cultural "O Amor do Pequeno Príncipe", que vai premiar trinta internautas com um exemplar do livro “O Amor do Pequeno Príncipe: cartas a uma desconhecida” e com um kit de Revistas de passatempos Coquetel. A promoção vai até 26 de agosto. Para concorrer, os participantes deverão acessar o site www.coquetel.com.br, fazer o cadastro e responder à pergunta: Como você declararia seu amor a um desconhecido?

O livro "O amor do Pequeno Príncipe: cartas a uma desconhecida" é um inédito de Antoine Saint-Exupéry. Nele, o famoso autor de "O Pequeno Príncipe" nos revela uma bela história de amor, contada em cartas assinadas pelo seu personagem mais famoso. O livro traz, ainda, aquarelas inéditas, revelando imagens de um Pequeno Príncipe apaixonado.

Acessando o site Coquetel, os internautas poderão participar ainda de várias promoções referentes aos filmes "Presságio", "Madagascar 2" e "Pantera Cor de Rosa", entre outras. Os nomes dos ganhadores são divulgados no próprio site e os prêmios entregues sem ônus, em qualquer lugar do país. Outras informações pelos telefones do SAC COQUETEL: (21) 3882.8300 e 0300.3131345 ou ainda pelo e-mail promocao@ediouro.com.br.




EDITAIS E PRÊMIOS NACIONAIS

EDITAL JUNINO

Seguem as inscrições para o XI Edital Festejo Ceará Junino com aporte de R$ 900 mil do Fundo Estadual de Cultura (FEC). Os recursos serão distribuídos nas categorias Festival de Quadrilha Junina (que irá selecionar até 58 projetos) e Apoio aos Grupos Juninos (até 20 projetos). O edital da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult) recebe inscrições até o dia 11 de maio. Outras informações: www.secult.ce.gov.br/ .


PRÊMIO LGBT
Até 8 de maio

O MinC, por meio da Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural, lança edital para realização do concurso público Prêmio Cultural LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros). A ideia é reconhecer projetos que tenham contribuído para o combate à homofobia e para o aumento da visibilidade e da valorização do setor LGBT. Poderão concorrer no edital os projetos de instituições privadas sem fins lucrativos (com, no mínimo, três anos de existência) que tenham ocorrido entre 1ºde janeiro de 2007 e 28 de fevereiro deste ano. Os projetos inscritos não podem ter recebido recursos do Fundo Nacional da Cultura no ano passado. As inscrições seguem até 8 de maio. Outras informações: www.cultura.gov.br/ .

PRÊMIO IPHAN
Até 11 de maio

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), vinculado ao Ministério da Cultura, lança a 22ª edição do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade. A apresentação de propostas está aberta a empresas, instituições e pessoas de todo o país e as inscrições podem ser feitas até o dia 11 de maio nas Superintendências Regionais do Iphan. O prêmio está dividido em sete categorias. Divisão das categorias de outras informações: www.iphan.gov.br/ .

EDITAL PARA CULTURA
Até 18 de maio

A Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB) lançou edital oferecendo bolsas de pesquisa, que variam da iniciação científica ao pós-doutorado, como parte de seu Programa de Incentivo à Produção do Conhecimento Técnico e Científico na Área da Cultura. As inscrições vão até 18 de maio valendo a data de expedição contida no carimbo da empresa prestadora do serviço de encomenda expressa (Sedex ou similar).O Edital completo e o detalhamento de todas as etapas do concurso estão no sítio www.casaruibarbosa.gov.br/ .

PRÊMIO VIVA LEITURA
Até 24 de julho

Com o objetivo de fomentar a leitura e reconhecer as boas práticas que acontecem em todo o Brasil nessa área, os Ministérios da Cultura (MinC), da Educação (MEC) e da Organização dos Estados Ibero-Americanos para a educação, a Ciência e a Cultura (OEI), abrem as inscrições para a quarta edição do Prêmio Viva Leitura. O Prêmio é de abrangência nacional e tem o objetivo de fomentar a leitura e também reconhecer as boas práticas que acontecem em todo o Brasil nessa área. É dividido em três categorias: Bibliotecas Públicas, Privadas e Comunitárias; Escolas Públicas e Privadas; e Sociedade (empresas públicas e privadas, ONGs, pessoas físicas, universidades e instituições sociais). Cada um dos três vencedores (um em cada categoria) vai receber R$ 30 mil , além de diploma e troféu. As inscrições seguem até 24 de julho. Outras informações: www.cultura.gov.br/ .

POESIA
Até 31 de agosto

A revista cultural Oca das Letras está lançando o I Prêmio Sepé Tiaraju de Poesia Ibero Americana – 2009. As inscrições são gratuitas e estão abertas até 31 de agosto, por meio da página www.ocadasletras.com.br/ . O prêmio contempla poesias concebidas nas línguas portuguesa, espanhola e Guarani. Os trabalhos contemplados farão parte de uma antologia poética contendo três poemas de cada um dos 20 primeiros colocados. Também será publicado um livro do autor vencedor. Os concorrentes poderão participar com três poesias, cada uma limitada a 25 linhas de 60 caracteres. As obras inscritas deverão ser inéditas e não podem ter sido premiadas em outro concurso de poesia. Outras informações na página da revista: www.ocdasletras.com.br/ .
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FESTIVAIS

CINEMA INFANTIL
Até 30 de abril

Estão abertas as inscrições para a 8ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, que acontece de 26 de junho a 12 de julho na capital catarinense, com exibição de filmes nacionais e estrangeiros. Podem participar da mostra competitiva produções de todos os gêneros e formatos, mas com foco no universo infantil, e inéditas em Santa Catarina. A escolha do vencedor é realizada por um júri formado por crianças previamente selecionadas pela organização do festival. Elas vão eleger o melhor filme ou vídeo de curta-metragem infantil brasileiro. Além do troféu, o primeiro colocado recebe um prêmio de R$ 1.000,00. O regulamento e a ficha de inscrição podem ser acessados em www.mostradecinemainfantil.com.br/ .

TELA DIGITAL
Até 6 de maio

Abertas as inscrições até o dia (6) de Maio, para O Festival de Vídeo Tela Digital. A iniciativa visa a criação independente de vídeo, organizada pela Associação Cultural Kinoforum. O festival proporciona a produção e exibição de conteúdos audiovisuais inéditos e prevê a exibição das obras na TV Pública. Outras informações: www.teladigital.org.br/ .



PITCHING INTERNACIONAL
Até 10 de maio

Entre os dias 6 e 11 de julho acontece o festival de televisão italiano RomaFictionTV cujo objetivo é mostrar os melhores filmes, séries e novelas já produzidos para a televisão em todo mundo. Nesta edição, os produtores brasileiros poderão participar de um pitching com inscrições abertas até 10 de maio. Os selecionados ganharão hospedagem por três dias em Roma, quando poderão mostrar seus programas para especialistas. O anúncio dos 30 finalistas selecionados sairá no dia 8 de junho. The RomaFictionFest é promovido pela Associação Italiana de Produtores de Televisão, juntamente com a Câmara de Comércio de Roma em parceria com a Região de Lazio e a colaboração da Agenzia Sviluppo Lazio. Outras informações: www.cultura.gov.br/ .



COMUNICURTAS
Até 26 de junho

Estão abertas até o dia 26 de junho as inscrições de vídeos para a quarta edição do Comunicurtas - Festival Audiovisual de Campina Grande, que acontece de 24 a 28 de agosto. Este ano, o evento homenageará a atriz paraibana Marcélia Cartaxo. Além das mostras competitivas de curtas-metragens, o festival contemplará reportagens de televisão, com a Mostra Tropeiros de Telejornalismo, e peças publicitárias na mostra A Ideia é... voltadas à produções paraibanas. Foi criada ainda, para vídeos de um minuto, produzidos em qualquer formato, a mostra Estalo, direcionada a diretores e produções campinenses. Para participar o interessado deve preencher a ficha disponível na página do Comunicurtas www.comunicurtas.com.br e enviá-la até o dia 26 de junho, por sedex, juntamente com uma cópia do vídeo para o endereço: Departamento de Comunicação Social da UEPB, Rua Pedro I, S/N - bairro São José - CEP 58.107-615 - Campina Grande – PB. A postagem deve ser enviada aos cuidados de André da Costa Pinto. Maiores informações: comunicurtasprogramacao@gmail.com./

FILME ETNOGRÁFICO

Até 31 de abril


Estão abertas as inscrições de documentários, vídeos experimentais e de animação produzidos a partir de 2006 para o I Festival do Filme Etnográfico do Recife, promovido pelos programas de pós-graduação em Antropologia e em Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O evento será realizado de 1 a 4 de junho de 2009 no espaço do Cinema da Fundação e premiará produções cinematográficas/vídeográficas, nacionais e internacionais, que abordem questões de interesse antropológico. A mostra competitiva ocorrerá às 19h durante todos os dias do festival. Outras informações: www.ufpe.br/recife-etnodoc/ .


MOSTRA TV NO PARQUE
De maio à outubro


Estão abertas as inscrições de vídeo para a Mostra TV no Parque, que será realizada no Parque 13 de Maio (Centro do Recife) nos meses de maio a outubro, sempre no último domingo de cada mês. Os vídeos selecionados também serão exibidos na TV Universitária de Pernambuco (canal 11). O evento, patrocinado pela Fundarpe/Funcultura, é uma realização dos coletivos Media Sana e Ventilador Cultural, em parceria com a Plural Projetos e Produções Artísticas. Os filmes devem ter duração de 1 a 5 minutos, em qualquer formato, abordando as temáticas “identidade cultural” e “direitos humanos”. Apesar de aberta para todo o Brasil, a mostra premiará apenas trabalhos realizados em Pernambuco. A cada edição mensal do evento, o público presente escolherá o melhor vídeo pernambucano exibido, que receberá R$ 1.000,00. O regulamento e a ficha de inscrição estão disponíveis no site: www.mediasana.org/ .

CRÔNICAS, ARTIGOS

Gripe Suína

José Saramago


Não sei nada do assunto e a experiência directa de haver convivido com porcos na infância e na adolescência não me serve de nada. Aquilo era mais uma família híbrida de humanos e animais que outra coisa. Mas leio com atenção os jornais, ouço e vejo as reportagens da rádio e da televisão, e, graças a alguma leitura providencial que me tem ajudado a compreender melhor os bastidores das causas primeiras da anunciada pandemia, talvez possa trazer aqui algum dado que esclareça por sua vez o leitor.

Há muito tempo que os especialistas em virologia estão convencidos de que o sistema de agricultura intensiva da China meridional foi o principal vector da mutação gripal: tanto da "deriva" estacional como do episódico "intercâmbio" genómico.

Há já seis anos que a revista Science publicava um artigo importante em que mostrava que, depois de anos de estabilidade, o vírus da gripe suína da América do Norte havia dado um salto evolutivo vertiginoso. A industrialização, por grandes empresas, da produção pecuária rompeu o que até então tinha sido o monopólio natural da China na evolução da gripe. Nas últimas décadas, o sector pecuário transformou-se em algo que se parece mais à indústria petroquímica que à bucólica quinta familiar que os livros de texto na escola se comprazem em descrever...

Em 1966, por exemplo, havia nos Estados Unidos 53 milhões de suínos distribuídos por um milhão de granjas. Actualmente, 65 milhões de porcos concentram-se em 65.000 instalações. Isso significou passar das antigas pocilgas aos ciclópicos infernos fecais de hoje, nos quais, entre o esterco e sob um calor sufocante, prontos para intercambiar agente patogênicos à velocidade do raio, se amontoam dezenas de milhões de animais com mais do que debilitados sistemas imunitários.

Não será, certamente, a única causa, mas não poderá ser ignorada. Voltarei ao assunto.

.....................

Continuemos. No ano passado, uma comissão convocada pelo Pew Research Center publicou um relatório sobre a "produção animal em granjas industriais, onde se chamava a atenção para o grave perigo de que a contínua circulação de vírus, característica das enormes varas ou rebanhos, aumentasse as possibilidades de aparecimento de novos vírus por processos de mutação ou de recombinação que poderiam gerar vírus mais eficientes na transmissão entre humanos". A comissão alertou também para o facto de que o uso promíscuo de antibióticos nas fábricas porcinas - mais barato que em ambientes humanos - estava proporcionando o auge de infecções estafilocócicas resistentes, ao mesmo tempo em que as descargas residuais geravam manifestações de escherichia coli e de pfiesteria (o protozoário que matou milhares de peixes nos estuários da Carolina do Norte e contagiou dezenas de pescadores).

Qualquer melhoria na ecologia deste novo agente patogênico teria que enfrentar-se ao monstruoso poder dos grandes conglomerados empresariais avícolas e ganadeiros, como Smithfield Farms (suíno e vacum) e Tyson (frangos). A comissão falou de uma obstrução sistemática das suas investigações por parte das grandes empresas, incluídas umas nada recatadas ameaças de suprimir o financiamento dos investigadores que cooperaram com a comissão. Trata-se de uma indústria muito globalizada e com influências políticas.

Assim como o gigante avícola Charoen Pokphand, radicado em Bangkok, foi capaz de desbaratar as investigações sobre o seu papel na propagação da gripe aviária no Sudeste asiático, o mais provável é que a epidemiologia forense do surto da gripe suína esbarre contra a pétrea muralha da indústria do porco. Isso não quer dizer que não venha a encontrar-se nunca um dedo acusador: já corre na imprensa mexicana o rumor de um epicentro da gripe situado numa gigantesca filial de Smithfield no estado de Veracruz. Mas o mais importante é o bosque, não as árvores: a fracassada estratégia antipandêmica da Organização Mundial de Saúde, o progressivo deterioramento da saúde pública mundial, a mordaça aplicada pelas grandes transnacionais farmacêuticas a medicamentos vitais e a catástrofe planetária que é uma produção pecuária industralizada e ecologicamente sem discernimento.

Como se observa, os contágios são muito mais complicados que entrar um vírus presumivelmente mortal nos pulmões de um cidadão apanhado na teia dos interesses materiais e da falta de escrúpulos das grandes empresas. Tudo está contagiando tudo. A primeira morte, há longo tempo, foi a da honradez. Mas poderá, realmente, pedir-se honradez a uma transnacional? Quem nos acode?



Qual é o perfil ideal para vendas?

*Edson Rodriguez

O perfil ideal é aquele que vende, que traz resultados. Pode parecer redundante, mas não é. Esse perfil não é estático, pode mudar com o passar do tempo. As necessidades de mercado mudam, o produto muda, o perfil da empresa muda, tudo muda enfim.

O perfil de sucesso no passado pode não ser mais aplicável hoje, assim como o perfil de sucesso no presente pode não espelhar a necessidade do futuro. Assim, a observação das nuances de mercado, das mudanças de produtos e serviços é crucial para se manter à frente. Entender o reflexo disso na rotina de vendas é fundamental para se manter o perfil modelo sempre atualizado.



Uma das fortes razões (na verdade a mais forte) para um vendedor vender mais que outros é que o primeiro usualmente tem perfil mais adequado. Uma pessoa sem perfil adequado pode ser bem sucedida em vendas? Pode, mas é preciso lembrar que vai ser mais difícil. Quanto mais distante do perfil o indivíduo estiver, mais esforço terá que fazer para compensar as diferenças. É o caso do treinador de vôlei avaliando novatos, candidatos ao time. Um fator que ele olha logo de cara: a altura dos jogadores. Rapazes com mais de 1,90 m tem uma vantagem nítida e provavelmente serão escolhidos primeiro. A razão disso: altura acima de 1,90 é importante para o jogo, porque os jogadores têm que pular muito alto para alcançar a rede. Assim, pessoas com esse perfil físico são matéria prima melhor para essa atividade. Candidatos com 1,70 m poderão até ser considerados, mas precisarão apresentar quesitos adicionais muito fortes para compensar a altura insuficiente.



Na área de vendas é a mesma coisa. O investimento na formação de profissionais muitas vezes é alto e a forma de maximizá-lo é investir em quem tem a matéria prima melhor, nesse caso o perfil comportamental adequado.



Quando você contrata alguém com perfil está maximizando o investimento e minimizando os riscos e acredite, os riscos podem ser enormes. Quanto custa um vendedor que vende pouco, aquém do mínimo esperado? Só o resultado insuficiente? Ou ele custa ainda mais caro porque pode estar atendendo mal aos clientes e gerando insatisfação? Do total de clientes que entraram na loja, quantos deixaram de comprar?



Mas há exceções e é bom estar preparado para elas. O aspecto gerenciamento e treinamento, por exemplo, podem suprir algumas lacunas do tipo: “...Esse vendedor, pelos parâmetros usuais não teria perfil para vendas, mas veja, ele trabalha com muito afinco. Visita muitos clientes todos os dias e acaba vendendo razoavelmente por pura insistência em visitar grande número de casas diariamente...”.



É verdade, isso pode acontecer e conhecemos casos (raros) onde essa insistência é o fator primordial para se obter resultados. Aqui, falamos de um grupo de vendedores com características diametralmente opostas ao que normalmente vemos em grupos campeões. Entretanto, e em face da peculiaridade do negócio, a característica comportamental mais necessária é a paciência de seguir uma rotina diária estafante e enfadonha de bater em mais de 50 portas por dia, todos os dias.



Resumindo: conhecer o perfil comportamental dos campeões de venda em um determinado segmento, verificar quais são os pontos em comum que eles apresentam e usar isso como referência é, de longe, a decisão mais acertada em processos para definição de perfis modelo que servirão de base para a contratação de novos vendedores, além de prevenir situações de exceção. Afinal, o perfil ideal é aquele que vende, mesmo que tenha menos que 1.70m de altura...



*Artigo extraído do livro Conseguindo Resultados Através de Pessoas - Editora Campus/Elsevier. O autor é Edson Rodriguez, vice -presidente da Thomas International Brasil, consultor e palestrante em assuntos que envolvem a gestão de pessoas e também autor do livro Futebol para Executivos e Porque alguns vendedores vendem mais do que outros.




Cinzas do Paraíso

Crônica de Ricardo André Bessa


Quando uma relação termina, não significa que o amor terminou. Já dizia alguém que passou rápido na minha vida, mas não de maneira insignificante, que amor só traz dor e sofrimento . Sim, dói, machuca, pois amor é amor, mas também traz alegrias, momentos maravilhosos, pequenas pérolas que nos lembraremos pelo resto da vida. Mas quando uma relação termina, vivemos semanas angustiosas, dolorosas, em que derramamos um rio de lágrimas. Depois vem a fase das mágoas, dos ressentimentos. Vivemos uma vida atribulada, mas nos momentos dolorosos, só conseguimos lembrar dos fatos ruins. Ninguém recorda daquele carinho, tão simples, de preparar um chá, de conversar todos os dias, de abraçar, beijar, de contar pequenas coisas do dia-a-dia, que constrói uma relação. Dos cartões guardados no fundo das gavetas. Quando uma relação acaba, parece que teremos que riscar toda uma história para construirmos outra. Quando um namoro finda não significa que o amor terminou. Há várias formas de amor. Amei de diversas formas. Fui incompreendido de diversas maneiras. Fico triste quando somos jogados da vida como mazelas. No fim, só restam cinzas? Cinzas do paraíso.O vento passa e parece que tudo voou para o infinito. Talvez o melhor seja a solidão, que para alguns traz alegria e felicidade. Mas a solidão companheira, a boa amiga. No fim, sobrarão lembranças, muitas lembranças. Carregarei todas as boas. E quanto ao amor, podemos amar uma pessoa mesmo não estando com ela.

CURSOS, SEMINÁRIOS, OFICINAS, DEBATES

FEIRARTE NO CEARÁ - UMA HOMENAGEM AOS 30 ANOS DO MASSAFEIRALIVRE

PROGRAMAÇÃO:

* VIII Encontro Cearense dos Historiadores da Educação

I Encontro Cearense de Geografia da Educação

Conversa MASSAFEIRALIVRE com Ednardo, Rodger Rogério e Teti Local: Teatro José de Alencar

Data: 25 de maio de 2009

Horário: 20hs

* Audiência Publica:

FEIRARTE No Ceará: Uma Homenagem Aos 30 Anos do MASSAFEIRALIVRE

Requerente: V. Ex.ª Vereador Municipal de Fortaleza Ronivaldo Maia

Comenda Honra ao Mérito Augusto Pontes:

Homenageados: Augusto pontes, BC Neto, Manasses, Fátima Mesquita, Gentil Barreira, Cale Alencar

Local: Câmara Municipal de Fortaleza

Data: 26 de maio de 2009

Horário: 14h30minh

* Exposição:

FEIRARTE No Ceará: Uma Homenagem Aos 30 Anos do MASSAFEIRALIVRE

Curadoria: Augusto Pontes e Nelson Augusto

Local: MIS – Museu da Imagem e do Som

Avenida: Barão de Studart, 410.

Data: 26 a 29 de maio de 2009

Horário: 8h às 17hs

Abertura: 26 de maio 2009 às 19hs

* Audiência Publica:

FEIRARTE No Ceará: Uma Homenagem Aos 30 Anos do MASSAFEIRALIVRE

Requerente: V. Ex.ª Deputado Estadual do Ceará Prof. Artur Bruno

Homenageados: Augusto Pontes, Ednardo, Rodger Rogério, Teti, Auto filho

Local: Assembléia Legislativa do Ceará

Data: 27 de maio de 2009.

Horário: 15hs

* Lançamento dos Livros:

No Tom da Canção Cearense do Radio e TV dos Lares e Bares na era dos Festivais

Autor: Wagner Castro

Terral dos Sonhos: O Cearense na Musica Popular Brasileira - Autora: Mary Pimentel

Pessoal do Ceará Habitus e Campo Musical na Década de 70 - Autor: Pedro Rogério

Local: Livraria Livro Técnico (Centro Cultural de Arte e Cultura Dragão do Mar)

Data: 27 de maio de 2009

Horário: 20hs

* Exibição do Filme: Patativa Ave Poesia de: Rosemberg Cariri

Exibição do Documentário: Massafeira: Festival de Amostragem de: Roberio Araújo

Local: SESC SÃO LUIZ (praça do Ferreira)

Data: 27 de maio de 2009

Horário: 17hs

* SHOW

FEIRARTE No Ceará: Uma Homenagem Aos 30 Anos do MASSAFEIRALIVRE

Com os Artistas: Ednardo, Rodger Rogério, Teti, Lucio Ricardo, Chico Pio, Calé Alencar, Regis e Rogério.

Local: Praça do Ferreira

Data: 29 de maio de 2009

Horário: 20hs



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Começa o seminário “Comida Ceará”
Pesquisa etnográfica pelas cidades cearenses revela a gastronomia e rituais de comer

O Governo do Estado do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura, e o Centro Dragão do Mar realizam nos dias 12 e 13 de maio o Seminário Comida Ceará que apresenta os primeiros resultados da pesquisa etnográfica empreendida pelas cidades do Ceará no segundo semestre de 2008 pelo grupo de pesquisadores vinculados ao Memorial da Cultura Cearense. A abertura acontece às 15h, no auditório do Dragão do Mar, com a palestra “O lugar da comida no Ceará: a perspectiva do Memorial da Cultura Cearense”, de Valéria Laena - Diretora de Museus do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura e coordenadora do Projeto Comida Ceará.
No dia 13 de maio, às 15h30min, é vez do antropólogo Raul Lody falar sobre “Antropologia da Alimentação. Introdução as pesquisas de campo”. Pesquisador renomado no Brasil, Lody tem diversos livros publicados como “A mesa com Gilberto Freire” (2004) e é também o idealizador do Museu de Gastronomia Baiana .
O Projeto "Comida Ceará" tem o objetivo de promover etnografias que apontem caminhos e formas dos sistemas alimentares cearenses e seus respectivos testemunhos sobre ingredientes, tecnologias, cardápios, rituais do comer no cotidiano e nas festas. Seu desdobramento é a realização, em 2009, de exposições, publicações e roteiros gastronômicos que promovam cartografias dos sabores, das cores e dos cheiros do universo da comida cearense, revelando, desse modo, a diversidade cultural do Ceará.



“Emergência Étnica” debate a criação de centros de memória

O evento reúne representantes dos povos indígenas, de comunidades quilombolas e do movimento negro urbano de todo o Ceará

A Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, por meio do Museu do Ceará e do Sistema Estadual de Museus do Ceará, em parceria com a ONG Instituto da Memória do Povo Cearense (Imopec), promovem nos dias 15, 16 e 17 de maio o Seminário Emergência Étnica: índios, negros e quilombolas construindo seus lugares de memória no Ceará, no CEU – Condomínio Espiritual Uirapuru. O evento reúne representantes dos povos indígenas, de comunidades quilombolas e do movimento negro urbano de todo o Ceará para discutir a criação de memoriais/museus, além de potencializar e estruturar outros centros culturais já existentes. Neste encontro serão debatidas e deliberadas propostas de políticas públicas para a área de museu, memória e patrimônio referentes às comunidades étnicas no Ceará.
Na programação serão apresentadas experiências de construções coletivas de museus afro, indígenas e quilombolas noutras regiões do Brasil. Entre 2008 e 2009, o Sistema Estadual de Museus do Ceará, vinculado à Secult, realizou visitas técnicas visando traçar um diagnóstico da situação dos espaços de memória em comunidades indígenas no Ceará, com o objetivo de incentivar a criação de memoriais étnicos. No seminário, os grupos visitados serão convidados a apresentar os seus relatos de experiência e a sua avaliação dos diagnósticos realizados. A seguir, todos os participantes serão divididos em grupos de trabalho específicos para elaborarem propostas dirigidas ao Governo do Estado do Ceará, que por meio da Secretaria da Cultura, disponibilizou recursos financeiros para a construção e/ou reorganização dos memoriais indígenas, e negros/quilombolas no estado.
O Seminário Emergência Étnica abre espaço para a história de grupos sociais que até bem pouco tempo atrás, estavam silenciada na historiografia e, sobretudo, nos museus históricos tradicionais, entendidos como espaços propícios à legitimação de uma “história oficial” dos grupos dominantes. Quando eram mencionados nesses espaços museológicos, tanto índios como grupos negros e quilombolas eram, em geral, apresentados como elementos “subalternos”, “primitivos” ou “exóticos” da nação brasileira. A ampliação de espaços que contem “outras” histórias permitem a reflexão sobre as potencialidades de espaços museológicos como ferramentas de luta política paera estes grupos sociais. Em consonância com a “história social” e a “nova museologia”, este seminário pretende construir uma visão de museus enquanto espaços propícios para a difusão das trajetórias e memórias de luta e resistência dos grupos indígenas e negros/quilombolas.
No início de 2009, graças a uma pesquisa etnográfica empreendida pelos técnicos do Sistema Estadual de Museus, foram diagnosticados três museus indígenas em funcionamento no Ceará: o Memorial Cacique-Perna-de-Pau, construído pelos Tapeba, em Caucaia; a Oca da Memória organizada pelos povos Kalabaça e Tabajara, em Poranga; e o Museu dos Kanindé, em Aratuba. Partindo dessas considerações, o Seminário se propõe a realizar um diagnóstico participativo destes museus existentes, com a mediação de técnicos especializados, possibilitando uma reestruturação dos acervos, conforme as normas da museologia contemporânea e as demandas de cada grupo visitado. A partir dos diagnósticos, serão apresentadas as propostas de reorganização dos “lugares da memória” já existentes.
Aos diagnósticos serão acrescidas novas informações acerca da atual situação dos grupos étnicos (indígenas, negros e quilombolas) cearenses, que ainda não possuem memoriais. Essas informações serão reunidas em três livros, publicados com os títulos: “Na mata do sabiá: contribuições sobre a presença indígena no Ceará” (organização: Estevão Palitot), “Negros no Ceará: história, memória e etnicidade” (vários autores) e “Trocas Étnicas: observações sobre espacialidade e culturas indígenas, negras e populares” (Alex Ratts). Os livros serão lançados como subsídios para os debates do Seminário. O Seminário “Emergência étnica: índios, negros e quilombolas construindo seus lugares de memória no Ceará” pretende, portanto, garantir o diálogo entre esses segmentos sociais e o Governo do Estado do Ceará, em todas as suas etapas, ampliando assim o debate democrático sobre o direito e o respeito às diferenças étnico-culturais./



I Colóquio Discurso e Práticas Culturais - DIPRACS

(Cultura, Cotidiano e Identidades Discursivas)

Primeira Chamada de Trabalhos

O Grupo de Pesquisa Discurso, Cotidiano e Práticas Culturais (Discuta) do Programa de Pós-Graduação em Lingüística da Universidade Federal do Ceará realizará, entre os dias 11 e 14 de agosto de 2009, em Fortaleza - CE/Brasil, o I Dipracs – I Colóquio Discurso e Práticas Culturais. O evento tem por objetivo promover a integração e interação entre grupos de pesquisadores em Análise do Discurso e de outras áreas das ciências humanas que têm os fenômenos culturais como objeto, além de estimular a criação de novos grupos de estudos e pesquisa sobre a cultura e fortalecer os estudos sobre cultura brasileira no espaço acadêmico. O Evento constará de 6 mesas-redondas, além das conferências de abertura e encerramento. Estão previstos os seguintes temas: Discurso literomusical; Discurso literário; Discurso, Identidade e interculturalidade; Discurso religioso; Discurso regionalista, identidade nacional e globalização; Discurso e imagem. Ao definir esses temas, o Grupo Discuta pretende, nos quatro dias do encontro, fundar uma arena interdisciplinar que reúna pesquisadores brasileiros de diversas áreas interessados na investigação da relação entre cultura, discurso e identidade no mundo contemporâneo. Apesar dessa perspectiva mais central, o I DIPRACS estará aberto para discutir também princípios e metodologias pertinentes à presença da cultura em áreas tais como o ensino/aprendizagem da Língua Portuguesa e de línguas estrangeiras, a Dialetologia, a Etnolinguística, a Sociolinguística, a Semântica, dentre outras.

Presenças confirmadas:

Arthur Nestrovski (USP), Carlos Sandroni (UFPE), Claudiana Nogueira de Alencar (UECE), Durval Muniz (UFRN), João Batista Costa Gonçalves (UECe), João Wanderley Geraldi (Unicamp), José Miguel Wisnik (USP), Kanavilil Rajagopalan (Unicamp), Nádea Gaspar (UFSCar), Ruberval Ferreira (UECE), Tânia Clemente de Sousa (UFF), Tércia Montenegro Lemos (UFC).





Mais informações a respeito de valores, procedimento de inscrição, submissão de trabalhos, minicursos, programação, lançamento de livros, etc. podem ser encontradas no site do Grupo Discuta (http://www.grupodiscuta.ufc.br) ou pelo email grupo.discuta@gmail.com.



Organizadores:

Nelson Barros da Costa - Presidente

(Doutor em Linguística Aplicada - PUC-SP - Prof. do Programa de
Pós-Graduação em Lingüística - PPGL/UFC)

Aline Fabíola Freitas Mendes

(Mestranda em Linguística - PPGL/UFC)
Altaíla Alves Lemos

(Mestre em Linguística - PPGL/UFC)
Bruno Cruz Santos

(Graduando em Letras / UFC- Bolsista PIBIC)

Carmem Silvia de Carvalho Rego

(Mestranda em Linguística - PPGL/UFC)
Cristiane Alves Silva

(Mestranda em Linguística - PPGL/UFC)
Geânia Nogueira de Farias Pinheiro

(Mestranda em Linguística - PPGL/UFC)
Josely Teixeira Carlos

(Mestre em Linguística - PPGL/UFC, doutoranda em Filologia e Língua Portuguesa - USP; Profa. do Curso de Letras - UECE)
Lígia Cristina de Morais Bezerra

(Mestre em Linguística - PPGL/UFC, doutoranda em Estudos Luso-Brasileiros em Indiana University - EUA)
Maria das Dores Nogueira Mendes

(Mestre e doutoranda em Linguística - PPGL/UFC)
Maria do Livramento Rios Osterno

(Mestranda em Linguística - PPGL/UFC)
Maria Neile Alves da Silva

(Mestre em Linguística - PPGL/UFC)
Michael Peixoto Viana

(Mestre e doutorando em Linguística - PPGL/UFC)
Tércia Montenegro Lemos

(Escritora, mestre em Literatura e doutora em Linguística PPGL/UFC - Profa. do Curso de Letras da UFC)

DANÇA

Novo Passo de Arte

Festival acontece de 4 a 7 de junho no Centro de Convenções do Ceará

Mais de mil bailarinos das duas regiões concorrem a prêmios e vagas para o Youth America Grand Prix em Nova Iorque


Pelo terceiro ano seguido Fortaleza recebe cerca de mil bailarinos para a edição regional de uma das mais tradicionais e conceituadas competições de dança do país. É o festival Passo de Arte Norte e Nordeste, que acontece de 04 a 07 de junho no Centro de Convenções do Ceará (Auditório Principal). Os concorrentes disputam prêmios em dinheiro e vagas para duas competições internacionais: a 17º edição do Festival Passo de Arte, em julho próximo em Indaiatuba, São Paulo, e o concurso Youth America Grand Prix em Nova Iorque, em abril de 2010. O Festival classifica os participantes por categorias específicas, onde os trabalhos são agrupados por modalidades e avaliados por uma comissão julgadora.
A Cia. de Dança Sesiminas (fotos) participa como convidada do Passo de Arte Norte e Nordeste, abrindo a programação nos dois primeiros dias. A companhia desenvolve um trabalho calcado na tradição dos balés de repertório e neo-clássico. No dia 04, quinta-feira, primeiro dia do Festival em Fortaleza, a Cia. SESIMINAS apresenta os primeiros bailarinos Paula Assis e Fhilipe Teixeira, com o “Grand Pas de Deux Diana e Acteon”, uma coreografia de Vaganova com remontagem de Cristina Helena, diretora artística da companhia.
Na sexta-feira, 05, a companhia apresenta o clássico do repertório cubano “Majisimo”, uma coreografia de Jorge Garcia, com remontagem de Pablo Moret. No palco, os bailarinos Paula Assis e Daniel Canedo, Ruth Vesperman e Namur Barcelos, Dyane Amaral e Lucas Pierre e, como solistas principais, Betânia Paiva e Fhilipe Teixeira.
Com o tema o Brasil Unido pela Dança, o Festival passa a abranger quase todo o país com competições no Rio de Janeiro (Festival Nacional de Dança do CBDD), Minas Gerais (Passo de Arte Minas), Ceará (Passo de Arte Norte e Nordeste), São Paulo (Passo de Arte São Paulo) e Sul (Passo de Arte Sul). Além disso, as melhores colocações nos festivais Matogrossense/MT, Mery Rosa/SC, Bento em Dança/RS, Festival da Cidadania de São Vicente/SP e Meeting de Hip-Hop de Valinhos/SP estarão credenciadas para o 17º Passo de Arte, com a presença de 4 mil bailarinos do Brasil e da América Latina. Mais informações: www.passodearte.com.br , (11)4979.5709, (11)9480.8501 e marisa@passodearte.com.br.




CAMPANHA EDISCA SALVA VIDAS

Em solidariedade aos desabrigados das enchentes que assolam o interior do nosso estado, a EDISCA (Escola de Dança e Integração Social da Criança e do Adolescente) decidiu promover a campanha Movimento Salva Vidas, com exibição do espetáculo beneficentes do seu premiado Ballet Mobilis. O lançamento da campanha aconteceu nesta quinta, dia 21 de maio, na sede da Edisca e contou com a adesão de várias entidades e personalidades como a Cáritas Arquidiocesana de Fortaleza, escolas e de profissionais liberais.



A campanha Movimento Salva Vidas traz como estratégia principal a realização de uma temporada do espetáculo de dança Mobilis, sucesso de público e crítica em Fortaleza, Brasília e Rio de Janeiro, além de ter excursionado em Nova York, EUA. Serão 06 apresentações a serem realizadas no teatro Nila Soárez, contando com ingressos populares mais um quilo de alimento não perecível. Toda a renda apurada será integralmente revertida em prol das vítimas das chuvas.



A campanha visa mobilizar alunos de várias escolas, entidades e empresas com o objetivo de minimizar o sofrimento das vítimas das enchentes no interior do Estado do Ceará. Para valorizar ainda mais o engajamento dos estudantes do ensino médio, algumas apresentações vão acontecer durante o período da manhã e tarde, no teatro Nila Soárez, Rua Maximiano da Fonseca, 1395, Edson Queiroz.



PROGRAMAÇÃO:

Arrecadações na sede da Edisca, Rua Desembargador Feliciano de Ataíde, 2309, Água Fria. A rua fica ao lado da Caixa Econômica vizinha ao Siará Hall, na Washington Soares.

Pontos de arrecadação: Edisca e Teatro Nila Soárez.

Serviço:

Movimento Salva Vidas

Balé MOBILIS (Edisca)

Teatro Nila Soárez - , Rua Maximiano da Fonseca, 1395, Edson Queiroz.

Dias:

04 e 05 de junho – horários: 09h, 10h, 15h e 20h

06 e 07 de junho – horários: 18h e 20h

Ingresso: R$ 20,00 e R$ 10,00 (estudantes e melhor idade) + 1 kg de alimento não perecível

Informações: (85) 3278.1515


MOBILIS
Essência

Por que existe alguma coisa ao invés de nada existir? E por que algumas dessas coisas que existem, como se existir não lhes bastasse, são animadas, possuem vida? E por que, ainda, algumas dessas animadas e vivas coisas têm, por acréscimo, consciência e podem ver, pensar, sentir e se emocionar? Essas perguntas jamais seremos capazes de responder. Isso não nos impede, porém, de pensá-las e questioná-las através da arte. O mundo, para que de várias possibilidades se possa recolher em atual existência, precisa de uma consciência a lhe observar. Sem observador as coisas tendem a desaparecer, mesmo as coisas deste espetaculoso mundo. Nada impedirá que a vida, cuja razão haveremos de sempre ignorar, cujo movimento jamais viremos a por completo entender, cuja desigualdade sempre perplexos contemplaremos, deixe de entranhar-se em movimento em nosso corpo. A arrogância inteira do mundo não virá a impedir que os nossos corpos de vida e de projeções se realizem, para viver, pensar e sermos, pelos momentos breves em que aqui estaremos, o que vive, vê, pensa e se move. Pois, para além da ignorância, do medo e da brevidade efêmera de tudo o que existe, o mundo e a vida conosco e nós com a vida e o mundo, não cessaremos.



Substância



Mobilis é a observação do que há para além da forma, aquilo que o movimento aponta, o traço e o insinuado. A relação entre um espaço criado e um corpo plural composto de substância, imagem e sentidos que se articulam e provocam associações livres. Mobilis é um jogo de gravidade e suspensão, equilíbrios e dinâmicas, ordem e caos, investigando as relações entre o real e o virtual. A imagem, ampliando as possibilidades da realidade e subvertendo a lógica do movimento, coloca em questão o condicionamento às aparências e os modos de percepção do mundo. Nada existe por si só, tudo aparece como existência a partir do olho do observador.



Forma



Quem vê uma criança saudável, sorrindo, correndo em direção aos seus interesses e curiosidades se maravilha, mesmo muitas vezes não dimensionando o que está por trás de tudo isso. Simplesmente é belo uma criança correndo feliz. Que energias, que motivações possibilitam o sorriso e a disposição para o deslocamento do vir a ser, para o ser? Um movimento tão belo quanto o da criança feliz é aquele que proporciona essa possibilidade de ser o que em potência se é. A Edisca vê e opera nessa dimensão que torna o possível realidade, oferecendo às crianças, que chegam em um período definitivo de suas vidas, o direito de estarem nutridas, saudáveis, amadas para usufruirem das diversas oportunidades educativas em arte e educação para a vida. A Edisca acredita que uma educação inspirada e comprometida com o desenvolvimento humano, neste especial momento de transição da infância-adolescência e entrada para o mundo dos adultos, faz a diferença.



CONTEÚDO



A Edisca concebe sua pedagogia dentro do conceito grego da Paidéia, o desenvolvimento das diversas dimensões do ser. Pensando e promovendo uma educação integral e interdimensional onde o Logos, a dimensão da razão, Eros a dimensão corpórea, Pathos a dimensão do sentimento, e Mytus a dimensão transcendental se conjugam, a Edisca contribui assim para a retomada de uma via pedagógica humanizadora.



Em seus diversos centros de resultados a instituição zela pela qualidade da educação formal oferecendo aulas de fortalecimento e complemento de conteúdos, assim como informática educativa e curso de língua inglesa. Promove a saúde física e psicológica de forma preventiva e terapêutica além de assegurar suporte e acompanhamento nutricional. Desenvolve processos educativos, criativos e formativos através da Dança, Teatro, Áudio Visual e Artes Plásticas, tomando a dimensão estética como eixo fundamental. Considerando a família como núcleo formador básico, todas as ações repercutem de forma direta ou indireta no contexto familiar numa estratégia de empoderamento e co-responsabilidade das mesmas.



A Edisca vem se tornando um Centro de Referência em Educação e Arte possibilitando através da Partilha- Centro de Estudos e Disseminação de Tecnologias Sociais, troca de experiências e formação dirigida a outras organizações que compartilhem dos mesmos ideais.



GENTE

Coreografia: DORA ANDRADE E GILANO ANDRADE; Afinação de espetáculo: CLAUDIA ANDRADE; Assistência de coreografia: TATIANE GAMA e MÔNICA MARQUES; Corpo docente do Corpo de Baile: RITA DANTAS, DANIEL LESSA, ROBSON MARQUES; Trilha Original: MANASSÉS DE SOUSA; Figurino: LINO VILAVENTURA; Cenografia: AUGUSTO OLIVEIRA, BIANCA KOVACH, HEMETÉRIO P.A. FILHO; Cabelo e Maquiagem: Marquinho Oliveira, Clara Boussaingault e alunos da Edisca; Imagens: CIA DE IMAGEM; Operação de vídeo: Paulo Pina; Projeto de iluminação: Samir Kassouf; Operação de Iluminação: SS Iluminações; Fotografia: MILA PETRILLO; Projeto Gráfico: ALEXANDRE SANTOS; Textos: Gilano Andrade E Tarcísio Pequeno; Texto e Letra do Vídeo Institucional: TIAGO ARARIPE; Tradução de texto: Jesper Sampaio; Música do Vídeo Institucional: MANASSÉS DE SOUSA; Produção: GERUSA PACHECO; Direção Artística: GILANO ANDRADE; Direção Geral do Espetáculo: DORA ANDRADE





Dança para ocupar a Vila

O espaço cultural A Vila das Artes recebe até o dia 28 de maio inscrições para o Programa de Ocupação de sua sala de dança. O edital de seleção pode ser solicitado pelo email escoladedancadefortaleza@gmail.com e o interessado deve apresentar cópias do registro de identidade, CPF, comprovante de endereço e currículo artístico pessoal ou da Companhia (no caso de projetos inscritos para ensaios). Além disso, o candidato deve apresentar proposta de projeto para ocupação da sala contendo apresentação e justificativa. As propostas devem ser encaminhadas à secretaria da Vila (Rua 24 de Maio, 1221, Centro). Outras informações: www.fortaleza.ce.gov.br/





Secult e Prodança promovem programa de formação
do Festival de Dança do Litoral-Oeste

A Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult) e a Associação dos Bailarinos, Coreógrafos e Professores de Dança do Ceará (Prodança) realizam mais uma ação preparatória do Festival de Dança Litoral Oeste. De 25 a 29 de maio, o programa de formação realizará em Trairi a residência “Ensino de dança hoje” com a pesquisadora Isabel Marques, diretora do Caleidos Cia. de Dança (SP), que se notabilizou por propostas inovadoras no campo da dança. Mestre em Dança pelo Laban Centre for Movement and Dance (Londres) e Doutora em Educação pela USP, Isabel é considerada uma das principais estudiosas do método Laban no Brasil. A residência trabalhará teorias e prática na área de ensino de dança para trabalho com crianças e adolescentes.
A ação preparatória para o Festival de Dança Litoral Oeste teve início ainda em abril de 2009, em Paracuru, com a residência artística “Da energia à ação”, ministrada por Carlo Simioni, ator e diretor do Grupo Lume Teatro, conhecido internacionalmente por seus métodos de treinamento físico e vocal para atores e dançarinos se utilizando uma metodologia própria, baseada na experiência de mais de 20 anos de pesquisa voltada ao desenvolvimento de técnicas de atuação.
Em julho, Isabel Marques ministrará a residência “Linguagem da dança: princípios para o ensino de dança”, em Itapipoca. O objetivo dessa residência é introduzir na teoria e na prática os princípios de Rudolf Laban que regem a compreensão corporal, mental e expressiva da Dança enquanto Arte.
Após a realização dessas residências, um participante de cada cidade participará de um intercâmbio e conhecerão de perto o trabalho desenvolvido por cada professor das residências. No caso o participante de Paracuru conhecerá o dia-a-dia do Grupo Lume Teatro e os participantes de Trairi e Itapipoca conhecerão o trabalho do Caleidos Cia. de Dança. O interesse é fazer com que troca de conhecimentos e experiências possibilitem novos trabalhos e parcerias para além do Ceará.
Festival de Dança Litoral Oeste - O Festival de Dança Litoral Oeste acontece de 15 a 18 de julho, sediado concomitantemente em Paracuru, Itapipoca e Trairi, e é realizado em uma parceria da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult) e a Associação dos Bailarinos, Coreógrafos e Professores de Dança do Ceará (Prodança). Contemplado pelo Edital Festivais de Teatro e Dança 2009 da Caixa Econômica, o evento abrange diversas linguagens da dança cênica (popular, salão, contemporânea, entre outras), reunindo espetáculos locais, nacionais e internacionais. A idéia é destacar a diversidade e a liberdade de expressão. Serão realizados oficinas, debates, mostras de vídeos e espetáculos de qualidade, ocupando diversos espaços públicos de Paracuru, Trairi e Itapipoca, que reunirá cerca de 400 artistas e um público estimado de 15.000 pessoas, entre população local e turistas. O evento conta com a curadoria composta por profissionais do cenário da dança estadual (Cláudia Pires e Ernesto Gadelha) e locais (Alex de Paracuru, Gerson de Itapipoca e Neném de Trairi).
Realizado na alta estação, o Festival concilia o tradicional turismo de lazer de praias com uma proposta que democratiza o acesso à cultura., contribuindo para a economia local de forma sustentável.
O que é o método Laban - Rudolf Laban foi um bailarino alemão que criou um sistema de movimento, conhecido como o método Esforço/Forma. Defendia a idéia de que o homem precisa esforçar-se para ir além da existência cotidiana, a fim de alcançar um estado de "festiches sein" (ser ativo). Laban fazia parte de uma geração de bailarinos e coreógrafos alemães expressionistas. Buscavam libertar o vocabulário da dança dos códigos de balé rígidos e anacrônicos e criou um novo tipo de dança. O método Laban é um dos mais utilizados nos Estados Unidos e Europa. É fácil de entender, usa termos científicos de anatomia e física, é versátil, universal e flexível podendo ser aplicado em vários tipos de movimento.
Quem é Isabel Marques - Pedagoga, Mestre em Dança pelo Laban Centre for Movement and Dance (Londres) e Doutora em Educação pela USP. Foi professora da FE-UNICAMP, da Universidade Anhembi Morumbi e professora convidada da ECA-USP. Foi professora dos cursos de pós-graduação no Paraná (FAP), Rio de Janeiro (UniverCidade), Viçosa (UFV), Santa Catarina (UDESC), São Paulo (USP), entre outros. Apresentou trabalhos, espetáculos e proferiu palestras e cursos vários estados do Brasil e no exterior (Canadá, Portugal, Austrália, Finlândia, Estados Unidos, Inglaterra). É autora dos livros “Ensino de Dança Hoje” e “Dançando na Escola”, ambos em sua 4ª edição. Participou da elaboração do PCN/dança como assessora do MEC em 2007. Fundou e dirige o Caleidos Cia. de Dança há 13 anos, em São Paulo. Ganhou Bolsa Vitae de Artes 93, Prêmio Estímulo da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo em 2003, Lei de Fomento à Dança do Município de São Paul/2ª.edição, em 2007/08. Em 2009, ganha o ProAC da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo.


Serviço: “Ensino de dança hoje” com a pesquisadora Isabel Marques, diretora do Caleidos Cia. de Dança (SP), de 25 a 29 de maio, no Trairi. Informações: 85-9103-5085 (Cláudia Pires)




Quinta com Dança

No projeto Quinta com Dança do mês de maio, o espetáculo “Sólidos”, com a Cia. Ballet Baião, sob direção de Gerson Moreno. Em cena, tensões e estados corporais criados em solo e expandidos em contato com o espaço-objetos-corpos configuram personagens sagrados, lúdicos e poéticos que fazem parte da essência e estética do Ballet Baião desde o início de sua história.Todas as quintas, às 20h, no Teatro Dragão do Mar (3488-8600). Ingressos: R$ 2.



OUT CE

A magia de Pilobus

Um das mais importantes companhias de dança norteamericanas, pioneira da dança acrobática, chega ao Brasil em maio para apresentações em seis capitais

Bailarinos que são também acrobatas ou vice-versa - corpos que se fundem a outros ou a materiais inusitados criando formas surpreendentes – tudo isso é uma marca da dança contemporânea, explorada por diversas companhias. Entre todas elas, ninguém o faz de forma tão original ou inovadora quanto o Pilobolus Dance Theatre, até porque, a companhia norteamericana, criada há 38 anos, foi a pioneira no estilo, a grande responsável por uma revolução no cenário da dança moderna.

A companhia chega ao Brasil em maio para surpreender e encantar o público brasileiro. Eles mostram aqui um programa que reúne cinco de suas principais coreografias, criadas em épocas diferentes da trajetória da companhia (a mais antiga data de 1973 e a mais nova é de 2008). Eles se apresentam nos dias 22, 23 e 24 de maio no Vivo Rio, no Rio de Janeiro; no dia 28 de maio no Teatro Cláudio Santoro, em Brasília; nos dias 30 e 31 de maio no Via Funchal, em São Paulo; no dia 03 de junho no Teatro Castro Alves, em Salvador; no dia 05 de junho no Teatro Guaira, em Curitiba; e nos dias 06 e 07 de junho no Porto Alegre Bourbon, em Porto Alegre, numa produção da Dell´Arte Soluções Culturais, com patrocínio da Bradesco Seguros e Previdência.

Fundada por Moses Pendleton (que mais tarde criaria também o Momix) e Jonatham Wolken, o Pilobolus foi o primeiro grupo moderno a juntar à dança técnicas de força física, improvisação cênica e muitos efeitos visuais e de luz, apresentando ao público coreografias abstratas muito diferentes dos então padrões tradicionais da dança. Em 2007 tiveram uma de suas maiores consagrações: foram convidados para se apresentar na cerimônia do Oscar, vista por mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo, apresentando os filmes indicados ao prêmio principal.

A turnê brasileira do Pilobolus marca a estréia da Série de Dança realizada anuamente pela Dell’Arte Soluções Culturais, que tem marcado a cena cultural brasileira com a realização de grandes espetáculos de música clássica, óperas e balés. Em seus 27 anos de atividade, firmou-se como uma das principais empresas promotoras de evento da América Latina. A empresa apresenta hoje um dos mais sólidos e significativos portfólios de realizações artísticas da América do Sul, com estrelas do porte de Luciano Pavarotti, Jessye Norman, José Carreras, Plácido Domingo, Kiri Te Kanawa, Lorin Maazel, Daniel Baremboim, Simon Rattle, Kurt Mazur, Evgeny Kissin, Max Vengerov, Martha Argerich, Kirov Ballet, Ballet Bolshoi, Ballet da Ópera de Paris, New York City Ballet, New York Philharmonic Orchestra, Maurice Béjart, Antonio Gades, Sinfônica de Berlim, Filârmonica de Viena, MOMIX, Mitslav Rostropovich, Tereza Berganza, Monserrat Caballé, entre centenas de outras atrações.

O que é o Pilobolus


Pilobolus (cristalino) é um zigomiceta fototrópico — um fungo que adora o sol e que aparece nos currais e pastos. Ele cresce em um pedúnculo como uma pequena bexiga, pressurizada por alvéolos de seiva e encimado por um minúsculo chapéu preto cheio de esporos. Quando o tempo e o Pilobolus estão maduros, todo esse esporágio é expelido com força e os pequenos sacos de esporos podem ser atirados sobre uma vaca como palhaços lançados por um canhão. É relatado que a acelaração — de 0-45 mpg no primeiro mm de vôo — é a segunda mais rápida na natureza.
Pilobolus, o organismo artístico, germinou no solo fértil de uma sala de aula no Dartmouth College em 1971. O que emergiu foi um processo coreográfico colaborativo e um enfoque único de compartilhamento em uma parceria, que deu à jovem companhia um novo conjunto de habilidades não-tradicionais mais poderosas para criar coreografias. O grupo foi logo aclamado por sua surpreendente mistura de humor e invenção. Assim, o Pilobolus não tardou a tornar-se uma organização auto-suficiente, com seus membros coreografando, dançando, gerenciando e criando a publicidade de seus próprios programas.
O Pilobolus desenvolveu-se a partir desse coletivo de dança rumo a uma organização única nas artes norte-americanas, com três ramos principais de atividade: Pilobolus Dance Theatre, uma companhia itinerante integrada por sete pessoas; o Pilobolus Institute, um guarda-chuva para toda a programação educacional; e o Pilobolus Creative Services, uma estrutura administrativa que permite coordenar atividade criativa tanto com as organizações comerciais quanto artísticas fora da companhia.
Hoje, o Pilobolus é reconhecido como uma das principais companhias de dança americanas de prestígio internacional. Ele não abandonou, porém, seu ímpeto original. A companhia mantém um profundo esforço colaborativo com um diretor executivo, três diretores artísticos e sete bailarinos contribuindo para um dos mais populares e variados repertórios do gênero. Suas muitas décadas de consistente atividade artística colocam-se agora como um testamento da notável fecundidade e longevidade do grupo.
Todos os setores da companhia estão amarrados a esta missão: criar e manter uma organização artística dedicada à coreografia e à apresentação de obras de teatro dançado no mais elevado nível de imaginação e energia; e metodologia criativa para estimular, educar e expandir o público da dança através da inovação, colaboração e serviço público. O Pilobolus é uma corporação isenta de taxas, não-lucrativa, parcialmente mantida por fundos da Comissão de Cultura e Turismo de Connecticut e por um prêmio do National Endowment for the Arts, além de donativos. A Met Foundation é o patrocinador oficial das turnês do Pilobolus Dance Theatre.

Site oficial: www.pilobolus.org


SERVIÇO

Rio de Janeiro
Local: Vivo Rio
Datas: 22/05/2009 a 24/05/2009
Horários:
22/05/2009 (sexta-feira) às 21h
23/05/2009 (sábado) às 21h
24/05/2009 (domingo) às 17h
Preços:
Camarote A: R$ 150,00
Camarote B/Balcão: R$ 80,00
Frisas: R$ 50,00
Plateia VIP Premium: R$ 150,00
Plateia Auditório VIP: R$ 100,00
Plateia Superior 01: R$ 150,00
Plateia Superior 02: R$ 100,00
Plateia Superior 03: R$ 80,00
Vendas: VIVO RIO
Disque Dell`Arte: (021) 3235-8545 / 2568-8742
Abertura de vendas: já está aberta
Censura: 16 anos. Menores de 16 anos acompanhados de responsáveis.

Brasília
Local: Teatro Nacional Cláudio Santoro
Data: 28/05/2009 (quinta-feira)
Horário: 21h
Vendas: Teatro Nacional Claudio Santoro: Sala Villa Lobos
Disque: (061) 3325-6256/ 3325-6239
Abertura de vendas: a definir
Preço: R$ 140,00 (preço único)
Meia entrada: Estudante, Clube VIP, Doadores de alimentos (R$ 70,00)
Censura: Livre

São Paulo
Local: Via Funchal
Datas: 30/05/2009 e 31/05/2009
Horários:
30/05/2009 (sábado) às 21h
31/05/2009 (domingo) às 20h
Vendas: Via Funchal: Rua Funchal, 65 - Horário da bilheteria: das 12:00 às 22:00hs (de segunda à domingo) ou www.viafunchal.com.br
Abertura de vendas: 31/03/2009
Preços:
Plateia vip: R$ 150,00
Plateia 1: R$ 120,00
Plateia 2: R$ 90,00
Plateia 3: R$ 60,00
Plateia lateral: R$ 40,00
Camarote: R$ 150,00
Mezanino: R$ 120,00
Mezanino lateral: R$ 80,00
Censura: Livre

Salvador
Local: Teatro Castro Alves
Data: 03/06/2009 (quarta-feira)
Horário: 21hs
Vendas: Teatro Castro Alves: (071) 3339-8014
SAC Shopping Barra: (071) 3264-5955
Abertura de vendas: 18/05/2009
Preços:
Setor A: R$ 100,00
Setor B: R$ 80,00
Setor C: R$ 60,00
Censura: 12 anos. Menores de 12 anos somente acompanhados dos responsáveis.

Curitiba
Local: Teatro Guaíra
Data: 05/06/2009 (sexta-feira)
Horário: 21h
Vendas: Teatro Guaíra: (041) 3304-7900/7982
DiskIngressos (041) 3315-0808
Abertura de vendas: a definir
Preços:
Plateia: R$ 120,00
Primeiro Balcão: R$ 100,00
Segundo Balcão: R$ 60,00
Censura: Livre

Porto Alegre
Local: Teatro Bourbon
Datas: 06/06/2009 e 07/06/2009
Horários:
06/06/2009 (sábado) às 21h
07/06/2009 (domingo) às 18h
Vendas: Teatro do Bourbon Country
Bourbon Country / 2º piso (segunda a sábado 10h às 22h) e Tele-entregra Opus: (051) 8401-0555 (segunda a sexta 9h às 19h)
Abertura de vendas: a definir
Preços:
Plateia Baixa: R$ 100,00
Camarote: R$ 150,00
Plateia Alta: R$ 80,00
Mezanino: R$ 80,00
Galeria: R$ 60,00
Censura: Livre

DIVIRTA-CE COBERTURAS

2º Jeri Eco Cultural












ECOLOGIA, MEIO AMBIENTE

Proteção à camada de ozônio será reforçada com plano de eliminação do HCFC

Por Carlos Américo, do MMA

O governo federal lançou nesta terça-feira (05/05) as bases do Programa Brasileiro de Eliminação de HCFC (PBH) idealizado para banir o gás - usado como fluido refrigerante em geladeiras e aparelhos de ar-condicionado - que destrói a camada de ozônio e possui potencial de aquecimento global. O PBH será desenvolvido pelo Comitê Executivo Interministerial para a Proteção da Camada de Ozônio (Prozon), composto por sete ministérios e coordenado pelo MMA, em parceria com as agências de cooperação técnica GTZ e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, e deverá estar concluído em novembro de 2010.

O programa ajudará o Brasil a cumprir os prazos acordados entre as partes do Protocolo de Montreal, que estabelece a redução gradativa do uso e consumo do HCFC em países em desenvolvimento, até a eliminação total em 2040. A primeira etapa define o congelamento dos níveis de consumo em 2013 e a diminuição de 10% do uso do gás em 2015, com base na média de 2009/2010.

Nesta terça-feira (5), o Ministério do Meio Ambiente realizou o seminário "Governo e Sociedade a Caminho da Eliminação dos HCFC", em Brasília, iniciando o debate em torno das propostas para a criação do PBH. A coordenadora de Proteção da Camada de Ozônio do MMA, Magna Luduvice, disse que o Brasil tem total condição de atingir as metas de redução do HCFC. Ela também ressaltou o investimento de US$ 400 mil do Fundo Multilateral do Protocolo de Montreal para a elaboração dos programa.

O PBH será desenvolvido pelo Comitê Executivo Interministerial para a Proteção da Camada de Ozônio (Prozon), composto por sete ministérios e coordenado pelo MMA, em parceria com as agências de cooperação técnica GTZ e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, e deverá ser concluído em novembro de 2010. O governo considera fundamental a participação de todos os setores envolvidos.

Para este trabalho serão levadas em consideração particularidades de cada setor produtivo que utiliza o HCFC. Assim, serão desenvolvidos planos setoriais para quatro áreas: refrigeradores, ar- condicionado, espumas e solventes. Os planos serão integrados ao PBH. Técnicos visitarão empresas para mapear o consumo do HCFC no Brasil e gerar um banco de dados que facilitarão na busca de alternativas. A analista ambiental do MMA Tatiana Zanette disse que o governo já está tomando medidas, como a portaria do Ibama que estabelece limites para importações anuais de HCFC.

Para ajudar no desenvolvimento do programa, serão realizados três seminários, em diferentes regiões do país, para debater a questão local do consumo e manutenção de equipamentos com HCFC. O programa será avaliado por técnicos estrangeiros, que analisarão seu potencial de execução. Em seguida, o plano será disponibilizado para consulta pública.

Umas das idéias apresentadas no seminário é adotar modelos de países desenvolvidos, que já em 2010 deverão ter reduzido em 75% o consumo de HCFC. Um dos focos do trabalho é a capacitação de prestadores de serviços de manutenção de equipamentos com o gás e no certificado de boas práticas. Segundo a representante da GTZ, Flávia Franca, o setor de serviço é responsável por 53% do gás liberado na atmosfera.



Ambiente: A outra crise em Gaza

Por Erin Cunningham, da IPS

Inúmeras plantações de frutas desapareceram da faixa de Gaza, e fazendas inteiras foram destruídas. Os restos das milhares de casas destruídas espalham amianto no ar, enquanto a infra-estrutura dilapidada lança esgoto no mar Mediterrâneo. A profunda crise ambiental que a Gaza sitiada já sofria foi agravada pela última guerra. Ao longo de toda a Operação Chumbo Derretido, que durou três semanas, Israel atacou quase toda a infra-estrutura deste território costeiro. Casas, comércios, fábricas, redes elétricas, sistemas de distribuição de água e unidades de tratamento de esgoto foram reduzidos a montanhas de escombro.

Uma avaliação preliminar do dano ambiental e da infra-estrutura, elaborada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) indica que o ataque israelense, além de exarcebar as dificuldades já existentes em Gaza, criou novas ao contaminar tanto a terra como os ambientes urbanos, deixando uma pilha de escombros sem precedentes. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) anunciou no mês passado que enviaria uma equipe de especialistas à faixa de Gaza neste mês para avaliar as principais ameaças à população.

Antes da guerra, a infra-estrutura local estava paralisada devido a três anos de sanções e mais 18 meses de bloqueio conjunto egípicio-israelense que proibia a importação de todos os bens “essenciais”. Muitas áreas de Gaza, particularmente os crescentes acampamentos de refugiados, careciam de sistemas de saneamento. Onde existiam, não havia geradores ou eletricidade relacionada. A proibição de importar materiais para sua manutenção, como cimento, aço e tubulações, os condenava ao mau estado perpétuo.

Um informe divulgado pelo Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários apenas 10 dias antes do início da Operação Chumbo Derretido indicava que pelo menos 80% da água fornecida em Gaza “não atendia aos padrões da Organização Mundial da Saúde para ser bebida”. A “muito necessária manutenção é impedida por falta de tubulações, peças e materiais de construção. A degradação resultante do sistema impõe um grande risco sanitário público”, diz o documento.

As restrições aos bens e aos materiais deixaram pelo menos 70% da terra agrícola de Gaza sem irrigação, segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), enquanto as autoridades foram obrigadas a lançar aproximadamente 70 milhões de litros de esgoto ao mar diariamente. A escassez de combustível faz com que a coleta de lixo não seja freqüente, no melhor dos casos.

Durante o ataque, os projeteis israelenses afetaram os já frágeis sistemas de saneamento e tratamento de água, fazendo com que a água potável e a contaminada se misturassem nas áreas mais populosas de Gaza. Os tanques israelenses prejudicaram a maior estação de tratamento de água da região, na área de Sheikh Aljeen, fazendo com que o esgoto agora seja lançado diretamente na vizinhança, em fazendas e no mar. Quarenta por cento dos tanques de água nos tetos das casas de Kahn Younis foram danificados ou destruídos, e quatro poços ficaram completamente arruinados na cidade de Gaza, em Beit Hanoun e em Jabaliya, segundo o grupo Água, Saneamento e Higiene (Wash), que trabalha vinculado ao Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários das Nações Unidas.

“Depois da guerra, o maior impacto se sente nas áreas setentrionais de Gaza, onde a maioria das redes de água foi destruída”, disse Najla Shawa, a chefe de informação da Wash. “Em Kahn Younis também, onde apenas 30% contam como rede de saneamento”, acrescentou. Dez milhões de litros de esgoto são lançados mais do que antes da guerra no mar Mediterrâneo, afirmou Wash, ameaçando a vida marinha na costa de Gaza. Os mísseis israelenses também afetaram fábricas em áreas urbanas residenciais e rurais, liberando substâncias químicas potencialmente tóxicas tanto no ar quanto no solo. As pilhas de escombros que continuam marcando a paisagem de Gaza conteriam grandes quantidades de amianto, uma fibra mineral cancerígena usada comumente na construção civil.

“O lixo da demolição criada pelas últimas hostilidades contêm potenciais materiais de risco, como o amianto”, disse à IPS em conversa telefônica desde Genebra um representante do escritório de Pós-conflito e Administração de Desastres do Pnuma. “Os altos níveis de exposição ao amianto estão vinculados com o câncer de pulmão”, afirmou. Mais de 20 mil edifícios e cinco mil casas foram destruídos, segundo autoridades locais. Aproximadamente 600 mil toneladas métricas de escombros ainda devem ser retiradas.

Em fevereiro, estudos sobre mostras do solo de Gaza concluíram que havia fósforo branco. A pesquisa foi feita pela Universidade Técnica Yildiz, de Istambul, na Turquia. O solo de Gaza será afetado no longo prazo pelo uso por parte de Israel de fósforo branco na guerra, disse Sameera Rifai, representante da União Internacional para a Conservação da Natureza nos Territórios Palestinos Ocupados. “O solo da terra agrícola agora está contaminado pelas armas israelenses, particularmente o fósforo branco”, disse Rifai à IPS. Esta substância é um agente químico incendiário, e pode permanecer inalterado nos sedimentos do solo e nos corpos dos peixes por muitos anos, segundo a Agência para o Registro de Enfermidades e Substancias Tóxicas dos Estados Unidos. IPS/Envolverde

* Este artigo é parte de uma série produzida pela IPS (Inter Press Service) e pela IFEJ (Federação Internacional de Jornalistas Ambientais) para a Aliança de Comunicadores para o Desenvolvimento Sustentável (www.complusalliance.org).



Da era do consumo à política sóbria

Por John Lloyd, do jornal La Repubblica


Depois de uma longa euforia, estamos mudando de mentalidade: chegou o momento de nos tornarmos sóbrios. Uma pesquisa feita no Natal passado apresentou resultados surpreendentes: os entrevistados declararam que, mesmo que o seu orçamento para os presentes era diminuto, não estavam, por causa disso, mais tristes, mas sim mais felizes. A reportagem é de John Lloyd, publicada no jornal La Repubblica, 28-04-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto. Leia a seguir.

No seu último e incisivo livro intitulado “É la stampa, bellezza!”, Giorgio Bocca escreve algo particularmente pungente e severo sobre a natureza da publicidade moderna. “Ela é uma criadora irrefreável de desejos e de consumo, a potente locomotiva que arrasta o gênero humano a novas guerras e, talvez, à destruição”.

Talvez, a sua previsão é excessiva, mas reflete um medo crescente que a crise em curso colocou em particular evidência. O temor é o de se ter superado um limite, além do qual não estamos mais nos limitando a consumir, mas estamos prejudicando o nosso futuro e o de nossos filhos. Somos prisioneiros de um sistema global cuja legitimidade política depende da capacidade de assegurar padrões de vida sempre mais altos e de consumir sempre mais. Isso vale em qualquer lugar e para todos, da nova política democrática de Barack Obama ao regime capitalista-comunista chinês; do político bilionário Silvio Berlusconi que está sempre rindo ao escocês presbiteriano sempre sombrio Gordon Brown; da caótica democracia indiana ao sinuoso autoritarismo russo. Em todo lugar, as elites políticas sempre fazem mais promessas.

A grande panacéia da nossa época foi o constante incremento dos padrões materiais, que atenuou as desigualdades entre os nossos países - que se intensificaram enormemente - oferecendo a esperança de um futuro melhor às gerações vindouras. Nós, que continuamos enriquecendo sempre mais, observamos com comiseração os menos afortunados que, sobretudo na África, combatem em guerras genocidas, desencadeadas em primeiro lugar pela misérie e pela pobreza.

A improvisada diminuição dos nossos padrões de vida nos transmite alguma outra coisa: nós, habitantes dos países ricos, talvez não voltaremos à riqueza em constante crescimento que davamos facilmente por óbvia. Os nossos privilégios nasciam do pressuposto de existir mão-de-obra de baixo custo à nossa disposição, provenientes do Leste Europeu, da China, da Índia e das Filipinas. Essa mão-de-obra tão barata é composta também por consumidores, e os seus governos devem assegurar-lhes mais. O seu “mais” é o nosso “menos”.

A atitude que mais se adaptava à era do consumo era o hedonismo, cujos símbolos exteriores são os automóveis de grandes cilindradas, as TVs de plasma de dimensões exorbitantes, as roupas de marca, as férias nos resorts de luxo. Agora, ao invés, uma nova mentalidade começa a abrir caminho, que deve ser levada a sério: me refiro à sobriedade, à moderação, à simplicidade. Desde sempre prerrogativa daqueles que abraçaram estilos de vida “alternativos” - movimentos “verdes”, figuras religiosas, até alguns socialistas -, ela sempre pareceu, para grande parte de nós, excêntrica e ingênua. Mas… e se eles tinham razão?

A nós todos que habitamos nos países ricos, lançou-se a seguinte mensagem: é verdade, devemos enfrentar um ou dois anos difíceis, mas depois o crescimento voltará. Mas também é verdade que o crescimento pode não voltar como antes, e que a política que se seguir a isso pode não ser mais dominada pela oposição da esquerda e da direita, mas sim pela necessidade de diminuir as expectativas.

Uma nova política é importante, cujo sucesso dependerá de uma nova atitude coletiva, que melhor se expressa no conceito de “sobriedade”. Justamente como quem está bêbado é indiferente a si mesmo e àquilo que o circunda, quem é sóbrio, ao invés, é capaz de dar atenção a si e à sociedade. Depois de uma longa euforia, chegou o momento, para todos nós, de nos tornarmos sóbrios. Será difícil, mas provavelmente não teremos alternativas.

EXPOSIÇÕES

Ritual alimentar da Maravilha

Mostra da fotógrafa italiana Francesca Nocivelli é uma das atrações do seminário Comida Ceará


O Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura apresenta a exposição fotográfica e o livro “Maravilha”, da fotógrafa italiana Francesca Nocivelli, com abertura da mostra e lançamento da publicação dia 13 de maio, na Sala Multiuso. O trabalho é uma amostra dos pratos, comidas típicas e lugares onde são estocados os alimentos das pessoas da comunidade Maravilha, situada no Bairro de Fátima, em Fortaleza. As imagens foram registradas entre 2005 e 2007. A iniciativa do evento é do Memorial da Cultura Cearense, por ocasião do Projeto Comida Ceará, pesquisa etnográfica que analisa sistemas alimentares de todo o Ceará. O Projeto inicia suas ações neste mês através de seminário dias 12 e 13. Tanto o seminário quanto a exposição e o livro de Francesca revelam o comer sendo um ritual do que se consome e do que é oferecido.
A ideia de fotografar “a comida e o cotidiano” surgiu em 2002, quando Francesca ouviu falar no Programa Fome Zero: “O Lula estava sendo eleito, todo mundo falava no Fome Zero. Pensei em fazer um trabalho que registrasse a alimentação das pessoas numa comunidade”, afirma a fotógrafa. De início a ideia era de um trabalho que desse conta da renda familiar em cada casa, a quantidade de moradores etc. Mas as respostas obtidas nas entrevistas estavam cada vez mais distantes da realidade, sobretudo porque os personagens não tinham renda fixa. Então, Francesca resolveu fazer diferente. Trabalharia com o que lhe era oferecido à primeira vista: comida, prato e gente comendo. “O povo cearense é muito hospitaleiro. Quando se chega numa casa, logo te oferecem café ou água. Em Maravilha, as pessoas podiam até não ter geladeira, mas as que tinham faziam questão de dar água gelada”, conclui a fotógrafa.
Em 2007, o ensaio foi premiado na Edição Photo-Service (Rencontres Internationaux de la Photographie, Arles, França) e ganhou o FestPhotoPoA (Brasil). Foi exposto na VII° Mostra Albacete Documental (Espanha), no V° Congresso Internacional “Cultura y Desarrollo” (Cuba) e na Farmani Gallery (Los Angeles-USA).
Serviço: Abertura da exposição fotográfica e lançamento do livro “Maravilha”, de Francesca Nocivelli, dia 13 de maio de 2009, às 19h, na Sala Multiuso do Centro Dragão do Mar. Acesso livre. A exposição permanece de terça à quinta, de 9h às 19h (acesso até 18h30) e de sexta a domingo, de 14h às 21h (acesso até 20h30). Outras informações: 85.3488.8600






Em cartaz no Museu de Arte Contemporânea

Ressonância da Cor (Até 14 de junho)
Curadoria: José Guedes
Mostra de vídeos e instalações onde a cor talvez não seja o assunto principal das obras, mas é elemento indissociável de todos eles: pelo evidente caráter pictorial; pela ausência, num filme em preto e branco ou desbotado pela precariedade técnica potencializante; pela cor-luz estourada dos trópicos; ou pela poética simbólica.

Artistas participantes:
Marianita Luzatti
Maurício Coutinho
Jonathan Harker
Rosana Ricalde
Carlinhos Morais
Thomie Otake
Szusza Dardai
Vidal Jr.
Donna Conlon
Sergio Vega
Karim Aïnouz e Marcelo Gomes
Victor de Castro
Jussara Correia
Marina de Botas



Pianíssimo (De 08 de maio a 07 de junho)
Curadoria: José Guedes
As artes visuais representadas pela sutileza na coleção do MAC. O acervo do MAC foi cuidadosamente pesquisado e revelou obras delicadas, sutis. São desenhos, vídeos e gravuras que denunciam o silêncio em seus aspectos. A referência ao título "Pianíssimo", intensidade musical de tom muito baixo, quase inaudível, foi proposta pela melodia íntima e suave das obras.

Artistas participantes
Alex Cabral
Evandro Carlos Jardim
Camila Rodrigues
Nicolas Robbio
Gabriela Machado
Tony Camargo
Leya Mira Brander
Paulo Camilo Pena
Iran do Espírito Santo
Valdirley Dias Nunes
Sérvulo Esmeraldo
Marcelo Gandhi
Efrain Almeida
Luís Rodolfo Annes
Débora Santiago
Herbert Rolim
Cristiano Mascaro
Lina Kim
Rosana Monnerat
Mauro Restife
Diogénges Chaves
Laura Vinci
Albano Alfonso
Fábio Miguez
Leonardo Videla
Maurício Coutinho

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Mostra em cartaz no Museu de Arte Contemporânea, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, de terça a quinta, das 9h às 19h (acesso até 18h30), e de sexta a domingo, das 14h às 21h (acesso até 20h30). Ingressos: R$ 2,00 / 1,00. Outras informações: 85.3488.8622 / 8624.




Exposição Fotográfica retrata aspectos da finitude

Apreciadores da fotografia e o público em geral poderão conferir a Exposição Fotográfica Memento Mori do fotógrafo cearense Fernando Silva, a partir do dia 08 de maio, às 19h30, no Centro Cultural Oboé - anexo Praia de Iracema (Rua Almirante Barroso, 734). A Exposição permanece durante o período de 08 de maio a 08 de junho, no horário das 9h às 18h, de segunda à sexta-feira.

Memento Mori é uma expressão em latim que significa lembrem-se de que somos mortais, ou, ainda, lembrem-se de que todos morremos. A proposta artística do ensaio é tratar do fluxo do tempo, de questões sobre nossa relação com a morte e de como esse fenômeno que encerra nossa existência biológica é experimentado em nossa cultura. Ao todo são 40 imagens em preto e branco, todas ampliadas em papel fotográfico de tamanho 30x40 centímetros.

A ideia do ensaio surgiu quando o efeito do tempo sobre as coisas e sobre os seres passou a ser um questionamento constante. “A passagem do tempo, seu fluxo, o desgaste das coisas ao longo do tempo, isso tudo sempre me interessou bastante. E essa coisa da morte vem muito mais de sua ligação com o tempo do que com o aspecto de tragedia”, explica o fotógrafo que capturou as imagens num espaço de pouco mais de dois anos nas cidades de Fortaleza, Canindé e Juazeiro do Norte.

De acordo com o artista, apesar da morbidez proposta, à princípio, pelo tema o ensaio pretende ser uma celebração da vida. Quase como a expressão também de origem latina Carpe Diem (aproveite o dia), uma outra expressão em latim, Memento Mori “é um lembrete de que o tempo é irrefreável, uma constante, quase que uma dádiva que deve ser aproveitada enquanto apresenta-se disponível. O aspecto trágico da morte é relevado, e não é explícito nas imagens em momento algum. Mais do que um sombrio lembrete do que nos espera, Memento Mori é um exercício de humildade e respeito para com a existência”, enfatiza o fotógrafo Fernando Jorge.

SERVIÇO:

Exposição Fotográfica Memento Mori

Local: Centro Cultural Oboé - anexo Praia de Iracema (Rua Almirante Barroso, 734)

Horário: 9h às 18h no período de 8 de maio à 8 de junho (segunda à sexta)

SOBRE O FOTÓGRAFO FERNANDO JORGE SILVA

Fernando Jorge Silva, 28, é fotógrafo e professor de fotografia. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Ceará, com especialização em Teorias da Comunicação e da Imagem, atualmente leciona na Casa Amarela Eusélio Oliveira e nas Faculdades Cearenses. Já expôs em mostras coletivas, como o deVERcidade 2007 e a XIV Unifor Plástica. Sua produção fotográfica é de aspecto autoral e documental, buscando expressar sua criação artística através de imagens fotográficas feitas a partir de assuntos e situações cotidianas.




Exposição 100 x France na Unifor

A mostra reúne fotografias francesas antigas e contemporâneas e pode ser visitada no Espaço Cultural Unifor Anexo a partir de 8 de maio

Como parte das comemorações do ano da França no Brasil, evento que tem como objetivo aprofundar o diálogo entre Brasil e França, a Unifor, em parceria com a Aliança Francesa, traz a Fortaleza a exposição 100 x France. A mostra fotográfica conta a história da fotografia francesa das origens até os dias atuais.

As reproduções apresentadas foram escolhidas dentre milhares de cópias conservadas na Biblioteca Nacional da França, no Museu d'Orsay e no Centro Pompidou em Paris, três das mais ricas coleções públicas existentes no mundo.

Serão 100 fotos de fotógrafos como: Nicéphore niépce, Louis-Adolphe Humbert de Molard, Gustav Le Gray, Charles Nègre, Eugène Cuvelier, os irmãos Bisson, Fèlix Nadar e Eugène Atget; fotógrafos menos conhecidos como Édouard Baldus, Charles Marville e Auguste Collard, além de amadores anônimos. Trata-se de uma exposição itinerante que percorrerá todo o Brasil, sendo Fortaleza a primeira capital a recebê-la.

Serviço:
Exposição 100 x France
Abertura: 7 de maio, quinta-feira, às 20h
Visitação: De 8 de maio a 14 de junho
Local: Espaço Cultural Anexo
Entrada gratuita
Informações: 3477 3239


Mostra de Nelson Leirner propõe viagem bem-humorada ao mundo do casamento e da sociedade de consumo

Um grande tapete vermelho dá o tom da celebração de “Vestidas de Branco”, a exposição de Nelson Leirner no Centro Cultural Banco do Nordeste-Fortaleza (rua Floriano Peixoto, 941 – Térreo – Centro – fone: (85) 3464.3108) que terá o casamento como tema, a partir de amanhã (quinta-feira, 7), às 19 horas.

Gratuita ao público, a mostra individual de Nelson Leirner ficará em cartaz até o próximo dia 4 de julho (horários de visitação: terça-feira a sábado, de 10h às 20h; domingo, de 10h às 18h). Antes da abertura da exposição, às 18h30 desta quinta-feira, 7, Nelson Leirner terá um encontro com o público e artistas visuais cearenses, no auditório do CCBNB-Fortaleza (3º andar). A exposição tem curadoria de Moacir dos Anjos.



Um dos mais expressivos vanguardistas dos anos 1960

A criação é de Nelson Leirner, artista considerado um dos mais expressivos representantes do espírito vanguardista dos anos 1960, no Brasil e no mundo, e cujas realizações têm como foco a popularização da arte, a participação e identificação do público. Suas obras, emblemáticas e instigantes, criam um elo imediato de identificação com as pessoas, através dos elementos que ele utiliza, sempre familiares ao cotidiano do povo.

Em “Vestidas de Branco”, Nelson Leirner propõe uma viagem pelo mundo do casamento, da cerimônia à maternidade; da festa à lua de mel, do erotismo dos casais ao inevitável mundo do consumo. Com muito humor e irreverência, características inerentes ao artista.

A idéia de fazer uma exposição sobre o tema surgiu quando Leirner visitou o Museu Vale, em Vila Velha no Espírito Santo, e ficou impressionado com a quantidade de noivos e noivas que vão ao local diariamente para fazer as fotos do álbum de casamento. Com as roupas da cerimônia, muitas vezes acompanhados dos pais e damas de honra, eles escolhem os mais bonitos ângulos dos jardins daquele Museu.

“Parto muito da observação para realizar o meu trabalho. E a imagem dos noivos fotografados nas mais diversas poses não saiu mais da minha cabeça. Então, decidi: é isso! Está dado o tema da exposição”, conta o artista. “Vestidas de Branco” tem curadoria de Moacir dos Anjos e produção da Imago Escritório de Arte.



A mostra

Um enorme tapete vermelho na área central do espaço leva aos noivos; nas laterais, os convidados: imagens de santos, soldados, divindades afro-brasileiras, bonecos infantis e réplicas de animais, criações do artista já reverenciadas nas obras A Grande Parada (1998), O Grande Desfile (1984), O Grande Combate (1985) e O Grande Enterro (1986). No final da extensão do tapete, os noivos.

A caráter, e com caras de macaco!, outra marca registrada nos trabalhos de Leirner desde os anos 1970. “O macaco é único. É o animal que mais se assemelha ao homem e com o qual o homem tem grande identificação”, diz o artista ao lembrar de sua recente participação na Arco, em Madri, quando os seus macacos fizeram enorme sucesso.

A festa começa com o bolo, de seis andares, Padre Cícero ao alto, e uma série de bonecos do folclore brasileiro, personagens místicos e folclóricos que Nelson Leirner costuma utilizar em seus trabalhos. A música será representada por estantes de partituras e máscaras de macacas.

A “cena” seguinte é a Lua de Mel, com dois ambientes: praia e campo. No primeiro, barracas e cadeiras de praia. Na “cena” do Campo haverá um bosque de grama artificial, com 32 peças de base fina e fotos ovaladas de grama.

O erotismo dois noivos será lembrado com as imagens de três noivas: uma cercada de objetos de petshop, com apelo fálico; outra cercada de macacos; e a terceira, com flores artificiais de madeira também com aspecto fálico.

A penúltima instalação remete à Maternidade. Doze berços, com 12 macaquinhos de pelúcia, representarão a concepção. Por fim, o consumismo, com a instalação Bagalot, uma estrutura que ocupará a parede do fundo da sala com 500 bolsas coloridas penduradas.


“Vestidas de branco”, por Nelson Leirner
“ ... A idéia é representar o casamento, fazendo uma passagem do presente para o futuro, e deste para o passado. Será uma exposição espelhada, sem espelho. Ou seja, com a possibilidade de percorrê-la na ida, dentro estilo cronológico do casamento, da cerimônia à maternidade e ao consumo; e na volta, depois de experimentar as várias etapas e poder viver novamente o passado, o momento onde tudo começou”.



O artista

Nelson Leirner possui uma obra marcadamente política, na qual os traços de humor e corrosão crítica caminham juntos. Sua produção abrange diversas linguagens e suportes, entre eles objeto, happening, instalação, outdoor, desenho, gravura, design e cinema experimental.

Em todos os meios, afirma sua posição crítica e irônica ao sistema da arte abrindo brechas ao entendimento do público não-iniciado, através da utilização de materiais familiares ao povo, como imagens de santos e entidades do candomblé, soldadinhos, pequenos brinquedos, animais e adesivos autocolantes.

Nascido em São Paulo, em 16 de janeiro de 1932, Nelson Leirner, 77 anos, é considerado um artista polêmico, irreverente, contestador. Ele busca atingir as ruas de forma a criar indagações nas pessoas, e utiliza várias estratégias estéticas e/ou comportamentais de forma experimental, mesmo que isso cause certo estranhamento. O artista se recusou a participar das Bienais de 1969 e 1971 durante o período da ditadura.

Em 1974, criticou o regime militar através da série A rebelião dos Animais. Leirner iniciou a carreira na década de 1950 e, desde então, participou de mais de uma centena de coletivas, além de realizar individuais no Brasil e em várias partes do mundo e de atuar como professor em cursos de arte por mais de duas décadas.

Leirner fala sobre essa identificação: “o público em geral, independentemente do grau de instrução, se identifica muito com o meu trabalho, com os elementos que eu uso, mesmo não conseguindo conceituá-lo (porque a arte é elitista, carrega um conceito, o artista carrega um pensamento). O fato e que há uma identificação em si mesma, uma atração imediata. Não que eu faça uma arte para grandes públicos, mas o grande público se identifica com os elementos que uso, e as pessoas se encantam por reconhecerem na arte objetos muito familiares, como Iemanjá, São Sebastião, Saci etc. O meu maior fã clube são as crianças. Quando eu faço os stickers eles conhecem, eles identificam todos os elementos que vêem nos programas de televisão, nas revistas, nas histórias em quadrinhos”.

SERVIÇO:

Exposição “Vestidas de Branco”, mostra individual de Nelson Leirner, com curadoria de Moacir dos Anjos. Centro Cultural Banco do Nordeste-Fortaleza (rua Floriano Peixoto, 941 – Térreo – Centro – fone: (85) 3464.3108). Abertura nesta quinta-feira, 7, às 19 horas. Antes, Nelson Leirner participará de um encontro com artistas visuais cearenses, aberto ao público, no auditório do CCBNB-Fortaleza (3º andar), às 18h30. A exposição ficará em cartaz até 4 de julho de 2009, de terça-feira a sábado, de 10h às 20h, e domingo, de 10h às 18h. Grátis.






Mestre do expressionismo

Obras de Iberê Camargo estarão no
Espaço Cultural Unifor sob novo olhar

Fortaleza volta a receber uma exposição do pintor Iberê Camargo (1914-1994). A mostra Iberê Camargo: uma Experiência da Pintura foi concebida especialmente para o Espaço Cultural Unifor, da Universidade de Fortaleza, por meio de uma parceria entre a Fundação Edson Queiroz e a Fundação Iberê Camargo. São 67 obras do pintor nascido no Rio Grande do Sul, entre pinturas, desenhos, guaches e gravuras. Com abertura marcada para hoje, 30 de abril, às 20h, a exibição permanece em cartaz até 2 de agosto. Esta não é a primeira vez que a Universidade de Fortaleza, da Fundação Edson Queiroz, expõe trabalhos do mestre do expressionismo. Em 1994, a instituição apresentou uma mostra de desenhos e gravuras do artista.

A curadora Virginia Aita – pesquisadora em estética, doutoranda em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com cursos de Arte e Teoria pelo Barnard College da Universidade de Columbia, em Nova York – imprime um olhar inédito sobre o conjunto da obra de Iberê. Ao tomar da fenomenologia o conceito de “experiência”, Virginia quer na verdade destacar a maneira visceral como Iberê experienciou a arte. No ateliê, o pintor inquieto reeditava na tela sua tumultuada busca existencial. Atirava-se a um fazer e refazer obsessivo.

O público é convidado a testemunhar, em cada quadro, essa luta que ele empreendia à procura de uma verdade da pintura. Para isso, estão reunidas obras de importância ímpar na trajetória do pintor.
O visitante passeará por dois blocos principais, onde estão distribuídas 18 pinturas em tela, três pinturas sobre papel, 13 gravuras e 24 desenhos e guaches, do acervo da Fundação Iberê Camargo, além de nove obras do acervo da Fundação Edson Queiroz e do acervo particular. A primeira parte abrange das naturezas mortas às séries de carretéis, que, com o tempo, tornaram-se progressivamente abstratos.


A segunda parte foca na última fase de Iberê, marcada pela melancolia e por uma reflexão sobre o vazio existencial e a finitude. Informações: (85)3477-3319







Segue em cartaz a mostra "Retratos de um mundo às avessas"

A mostra apresenta a última série de trabalhos de Carlito - uma coleção de auto-retratos e retratos pintados sob o sentimento da solidão e do desamparo. Apropriando-se de velhos materiais “inúteis”, como porta de geladeira, pára-brisa de automóveis, tampa de fogão e pedaços de aglomerado de madeira sucateados – o artista recicla os suportes de sua arte “indomável” . Em cartaz até 24 de maio.

Serviço:
Exposição Retratos de um mundo às avessa no Sobrado Dr. José Lourenço (Rua Major Facundo, 154 – Centro). Informações: 85-3101.8826/ 8827. Visitação aberta ao público de terça-feira a sexta-feira das 9h às 19h; Sábados das 10h às 19h e domingos das 10 às 14h. Entrada gratuita.