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Dragão do Mar realiza encontros abertos para dialogar sobre cultura e território a partir desta segunda (24)
Dando início à programação celebrativa dos seus 24 anos, o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC), complexo cultural da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult Ceará), gerido em parceria com o Instituto Dragão do Mar (IDM), realiza, nos dias 24 e 25 de abril, no auditório do Dragão, o "Dragão em Movimento - Diálogos sobre Cultura e Território", encontro que convida trabalhadores da cultura, moradores do entorno, empresários e a sociedade civil para discutir, entre outras questões, temas como articulação territorial entre o complexo cultural e a rede parceira, os desafios da inclusão cultural e a ação cultural do CDMAC. O acesso é gratuito e livre.
Segundo a superintendente do Dragão, Helena Barbosa, os três primeiros meses da gestão foram concentrados na escuta ativa dos colaboradores do complexo cultural e dos moradores e empresários do seu entorno, a fim de dar início a um diagnóstico das principais fragilidades que impactam o centro e seus frequentadores. "Dando continuidade a esse processo de mapeamento, chega o momento de abrir espaço para a contribuição dos agentes culturais e da sociedade civil, estabelecendo um canal aberto de diálogo, mediação e aproximação, um grande pacto social coletivo para a revitalização da região", afirma a gestora.
Na segunda-feira (24), a partir das 9h30, com o tema "Territórios e Negócios", o encontro terá como pauta central a articulação territorial entre o complexo cultural e parceiros. Na ocasião, serão apresentadas as equipes do Núcleo de Articulação Territorial (NAT), setorial do CDMAC recentemente criada para mediar a articulação entre agentes diversos no processo de análise, reflexão e proposição de um plano permanente de cuidados para o Dragão do Mar, e do Iracema - Território Vivo, projeto conduzido pela vice-governadoria. Após o levantamento de propostas dos participantes, a proposta é que seja criado um grupo de trabalho para acompanhar os encaminhamentos.
No mesmo dia, das 14h às 17h30, a temática será "Territórios e políticas públicas", quando serão discutidas alternativas para a promoção da inclusão no que diz respeito ao acesso de bens e serviços culturais.
Na terça-feira (25), também no turno da tarde, "Política de fomento à arte" será o assunto. A equipe de Ação Cultural do CDMAC apresentará o seu programa e artistas, produtores, técnicos e gestores culturais poderão contribuir com sugestões para a próxima Cena Ocupa, convocatória de projetos artísticos para a ocupação do Teatro Dragão do Mar.
Inclusão Cultural
Além dos encontros propositivos, o CDMAC realizará, neste mesmo dia, a primeira ação que contempla a população em situação de rua do entorno mais diretamente com a programação, com a oferta do Cinema na Rua, iniciativa coordenada pelo Núcleo de Articulação Territorial, que exibirá, gratuitamente, os filmes “Aquele que veio do oeste” (Wesjley Maria) e “Rua Dinorá” (Natália Maia e Samuel Brasileiro), produções cearenses que abordam questões como comunidade e pertencimento e tem uma linguagem direta, acessível. A atividade é fruto do mapeamento de interesses dessa população, conduzido pelo NAT e por parceiros, em roda de conversa realizada no mês de março.
De acordo com a assessora do NAT, Andreza Magalhães, a ação atende a uma demanda dessas pessoas em situação de vulnerabilidade social, um processo lento e delicado de estreitamento das relações. "É a arte e a cultura como via de cidadania e de mobilização social, afirma a assessora"
PROGRAMAÇÃO
24/4 (segunda-feira)
Dragão em Movimento - diálogos sobre cultura e território
9h30 às 12h: Territórios e Negócios
14h às 17h: Territórios e Políticas Públicas
No Auditório do Dragão do Mar
Acesso gratuito e livre
25/4 (terça-feira)
Dragão em Movimento - diálogos sobre cultura e território
14h às 18h - “Política de Fomento à Arte”
No Auditório do Dragão do Mar
Acesso gratuito e livre
18h - [Programa Se Achegue!] Cinema na Praça - Exibição dos filmes 'Aquele que veio do oeste' (Direção: Wesjley Maria // 19 min // Livre // Ficção // 2021) e 'Rua Dinorá' (Direção: Natália Maia e Samuel Brasileiro // 17 min // Livre // Ficção // 2021)
No Espaço Rogaciano Leite Filho
Acesso gratuito e livre
Serviço: [24 Anos do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura] Dragão em Movimento - diálogos sobre cultura e território + Se Achegue!
Dias 24 e 25 de abril de 2023
No Auditório e no Espaço Rogaciano Leite Filho do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (Rua Dragão do Mar, 81 - Praia de Iracema)
Acesso gratuito e livre
Mais informações: (85) 3488.8610
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Sesc realiza programação em homenagem ao Dia Internacional da Dança
Dia dos Povos Indígenas é festejado na Aldeia Pitaguary em Pacatuba com apresentações artísticas da 2ª Bienal Criança
Uma noite festiva, com muita arte e tradições culturais, vai lembrar o Dia dos Povos Indígenas nesta quarta-feira, 19 de abril. A programação acontecerá na escola indígena ITA-ARA, na aldeia indígena Pitaguary - Monguba, em Pacatuba, a partir das 18 horas, e terá transmissão ao vivo no canal da Bienal de Dança no YouTube. O link pode ser acessado no perfil do instagram @bienaldedanca.
A abertura será com “A Cadeirinha e Eu”, uma das obras mais icônicas da coreógrafa cearense Silvia Moura, uma artista das conexões possíveis, entre o corpo e o pensamento, que utiliza a dança, a performance e a palavra como principais pontes para essa viagem, entre sua vida e o olhar do público. Nesta obra, criada em 1994, a artista percorre o caminho das mulheres, da infância à vida adulta. Com a comunidade da Aldeia Pitaguary - Monguba, Silvia Moura realizou uma residência artística, cujo resultado, com o tema "Fartura", também será apresentado nesta noite.
“Quintal de Mangue”, espetáculo da Companhia Vidança, de Anália Timbó, e “A Mulher Mais Forte do Mundo”, com a artista Sâmia Bittencourt, da Cia CLE, também serão apresentados nesta programação, que marca o lançamento da 2ª Bienal Criança, parte integrante da VII Bienal Internacional de Dança do Ceará - De Par em Par, que terá abertura oficial no dia 28 deste mês no Cineteatro São Luiz, em Fortaleza. Além de Pacatuba, a Bienal Criança terá atividades em mais oito municípios cearenses, encerrando no dia 31 de maio. Tudo com acesso gratuito.
Encerramento com Toré
O encerramento da programação desta noite na Aldeia Pitaguary – Monguba será com o ritual do “Toré”, uma manifestação cultural dos povos indígenas que envolve tradição, música, religiosidade e brincadeira. O Toré, dança sagrada dos povos indígenas do Nordeste, liga o mundo visível e o invisível. É dança de cura; de ligação e liberdade do espírito. "É quando nossos antepassados vêm dançar (...). O Toré na nossa aldeia tem a função de unir, unificar todos os povos, todas as línguas e todas as cores, pois significa 'o mundo'. Então a gente dança, sempre em círculo, cantando música da natureza, em prol de um Deus, agradando a um grande Deus, que nem criança dançando pro seu pai, pedindo uma luz, uma benção, mostrando que a gente está feliz pela nossa vida!", explica Francilene Pitaguary.
Apresentada pelo Ministério da Cultura e o Instituto Cultural Vale, a VII Bienal Internacional de Dança do Ceará De Par em Par - 2ª Bienal Criança é uma realização da Indústria da Dança, tendo como patrocinadores Cagece, Cegás, EDP, Instituto Cultural Vale e Governo Federal, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Apoio Institucional: Cineteatro São Luiz, Centro Cultural Bom Jardim, Rede Cuca, Vila das Artes, Instituto Iracema e Prefeitura de Fortaleza, por meio da Secultfor e Secretaria Municipal da Juventude. Parceria: Prefeitura de Itapipoca (através da Secretaria da Cultura), Prefeitura de Paracuru, Prefeitura de São Gonçalo do Amarante, Prefeitura Municipal de Trairi, Prefeitura de Tururu, Prefeitura de Sobral, Escola Indígena Ita-Ara, CAPS Geral Pacatuba, Centro Cultural Companhia de Dança, Escola de Dança de Paracuru e Paracuru Cia de Dança. Patrocínio: Lei de Incentivo à Cultura, Ministério da Cultura e Governo Federal União e Reconstrução.
SERVIÇO
VII Bienal Internacional de Dança do Ceará De Par em Par - 2ª Bienal Criança – Lançamento no dia 19 de abril, a partir das 18h, na Escola ITA-ARA, na Aldeia Indígena Pitaguary - Monguba, em Pacatuba (Av. Dr. Mendel Steinbruch, 7240 – Monguba, Pacatuba/CE). Abertura oficial no dia 28 de abril no Cineteatro São Luiz, em Fortaleza. A programação completa poderá ser consultada em breve no site www.bienaldedanca.com e no instagram @bienaldedanca. Informações: bienaldedancace@gmail.com. Toda a programação tem acesso gratuito.
DANÇA: Wilemara Barros apresenta solo "Preta Rainha" no Theatro José de Alencar e Centro Cuptural Bom Jardim
Comemorando em abril 59 anos de idade, a bailarina e professora de balé clássico Wilemara Barros apresenta o solo autobiográfico Preta Rainha, que gira em torno da sua trajetória de 50 anos no universo da dança. O espetáculo terá duas apresentações gratuitas: dia 27 de abril, às 19h, no Centro Cultural Bom Jardim; e dia 28 de abril, às 19h30, no palco principal do Theatro José de Alencar.
“Seguir na cena com quase 60 anos de idade e 50 de carreira é uma dádiva. Os anos me trouxeram maturidade artística e crescimento como ser humano. Atravessei o tempo e gerações tendo meu corpo como discurso político. O palco é um lugar sagrado, a dança é o ar que eu respiro. Sigo até o fim, com as dores e as delícias que a maturidade e a arte trazem”, celebra Wilemara.
Em Preta Rainha, Wilemara Barros visita as suas memórias afetivas, tomando para si o legado cultural e ancestral vindo de sua família: a dança, o canto, a percussão, a crença, o corpo e a voz. Wila, como é carinhosamente conhecida na cena local e nacional, faz emergir a poética e a política, criando uma obra antirracista reflexiva e potente que celebra as cinco décadas de dedicação à dança.
“Na maior parte da minha infância e adolescência não tive consciência das minhas raízes e é, a partir dessas vivências, que o trabalho Preta Rainha faz um mergulho na minha ancestralidade, onde volto ao passado para caminhar no presente. Revisito crenças, culturas e afirmo meu discurso antirracista, acreditando que o lugar de fala é meu, mas a ação é de todos”, afirma Wilemara.
Experiências marcantes e essa busca pelo contato com a ancestralidade são pontos chave no espetáculo. Através de sua trajetória de vida, ela busca criar outras narrativas para que o público seja tocado pela sua obra. A artista propõe um mergulho em si mesma, resgatando a sua criança tantas vezes deslocada de tempo e lugar.
“No palco, apenas a presença desta mulher negra e de sua força, que fala (e escuta), toca, canta (e silencia), faz o público sentir raiva e amar… E como dança! Wilemara Barros é acompanhada em cena com a percussão do bailarino/músico/ator Jhon Morais”, afirma Fauller, coreógrafo e fundador da Cia. Dita, realizadora do projeto.
50 anos de balé
Wila foi levada para o universo do balé clássico aos 10 anos de idade por dona Maria Neide, sua mãe, quando foi selecionada, dentre outras 400 crianças, em audição realizada na Escola de Balé Clássico e Dança Neoclássica do SESI da Barra do Ceará. A partir dos ensinamentos do professor Dennis Gray (Maïtre do Theatro Municipal do Rio de Janeiro), se viu transitar da infância para a adolescência dentro dessa escola.
Quando criança, Wilemara Barros tinha o biótipo padrão de uma bailarina clássica: tronco pequeno e pernas longas e finas. Porém, as mudanças trazidas pela adolescência fizeram com que ela começasse a ser rechaçada em sala de aula, incluindo comparações com as Mulatas de Sargentelli.
Em sua carreira, Wila ministrou aulas para renomadas companhias de dança, como a de Deborah Colker, e para o Projeto Corpo Cidadão, desenvolvido pelo Grupo Corpo, além de possuir vasta experiência em escolas de balé de Fortaleza, Quixadá, Sobral, Juazeiro do Norte e em diversas capitais brasileiras, tendo experiência como professora residente dos cursos do Colégio de Dança do Ceará e Curso Técnico em Dança do Ceará.
Os 50 anos de carreira consolidaram Wila como uma das mais importantes bailarinas brasileiras de sua geração e em uma mestra da técnica clássica. No entanto, Wila sempre se esquivou de dançar qualquer peça que lhe solicitasse a estética do balé, tamanha foi a ferida deixada dentro de si quando criança. A partir do encontro com Fauller e das realizações conjuntas na Cia Dita, Wila passou a quebrar suas resistências e reconhecer a solidez de sua formação acadêmica.
Desde então, tem estado em espetáculos e peças teatrais usando sapatilhas de pontas ou desafiando-se em estruturas coreográficas que exigem uma técnica apurada do balé clássico. Dentre estas realizações, destacam-se os espetáculos “Óbvio”, onde Wila sola nas sapatilhas de ponta, imprimindo rigor técnico a esta composição; “Mulata”, aula-espetáculo na qual ela corajosamente desnuda a sua trajetória em cena; e “A Morte do Cisne”, remontagem fiel da Cia. Dita para a emblemática composição de Fokine, apresentada na abertura da Bienal Internacional de Dança do Ceará, em 2017.
Onde estão os Negros?
Preta Rainha integra o projeto Onde Estão os Negros?, que dá continuidade às pesquisas de Wila sobre ancestralidade, negritude, corpo e localização social. Esse materializa questões para a reflexão da sociedade, por meio das quais Wila rememora as passagens do tempo desde sua infância, analisando a trajetória de uma mulher negra, com formação e uma vida longe da violência doméstica e da hiper sexualização, ainda tão comuns às meninas negras das periferias das cidades brasileiras.
Nesses 50 anos de balé, Wilemara Barros firma o seu lugar no cenário da dança brasileira como uma artista negra-nordestina-periférica. Suas pesquisas e experiências foram fundamentais para que desse especial atenção às questões ligadas à sua negritude, pertencimento, empoderamento e lugar de fala, chegando à pergunta central do projeto Onde Estão os Negros?.
“Onde estão os negros? Quais espaços estes corpos ocupam? Estes corpos negros ocupam bancadas de avaliações em audições de arte ou ministrando cursos? Passeiam em shoppings, visitando livrarias, museus, cafés e teatros? Ocupam lugares acadêmicos, intelectuais ou empresariais? Estão em reconhecidos lugares de poder? A partir destas questões, percebi que minha própria existência nestes espaços é a materialização do contraponto, é enfrentamento”, reflete. “Ocupar estes lugares como uma artista e tratar destas questões em cena é de suma importância para mim”, conclui.
“Onde Estão os Negros?” é um olhar para si mesma, um reconhecimento de seu pertencimento ao mundo, um acerto de contas com tudo o que lhe foi negado. É a própria construção de um lugar possível antes pouco imaginado. O território de uma mulher que construiu o seu percurso carregando pedras para sedimentar passo a passo o caminho trilhado por quem veio em seguida, e que tem uma linda história de luta da cena da dança brasileira”, complementa Fauller.
O projeto marca os 20 anos da Cia Dita e é realizado com o apoio da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult), por meio do edital XII Ceará de Incentivo às Artes, e produção da Casa das POC – Produções Criativas. A proposta, em geral, é dar continuidade aos diálogos e pensamentos acerca do corpo negro e suas possibilidades na dança, através de possíveis dispositivos interraciais e suas estratégias de empoderamento, contribuindo com a visibilidade dos corpos negros e sua luta por inclusão social.
Serviço:
Solo Preta Rainha
Centro Cultural Bom Jardim: 27 de abril de 2023, às 19h
Theatro José de Alencar: 28 de abril de 2023, às 19h30
Classificação indicativa: 10 anos
Censura: livre
Duração: 40min
Gratuito. Distribuição de ingressos 1h antes