A cantora e pianista retornou a Fortaleza para uma temporada especial que marcou seus 45 anos de carreira. No palco, a artista dividiu a cena com Hudson Sete Cordas (violão de 7 cordas), Diego Zangado (bateria), Leandro Pereira (cavaquinho), Júlio Florindo (contrabaixo) e Luiz Augusto (percussão), além de conduzir momentos solo ao piano, em apresentações que evidenciam a maturidade artística construída ao longo de décadas, tudo isso na Caixa Cultural.
O repertório reúne nomes fundamentais do samba, além de canções marcantes e composições autorais, como “Minha Mangueira”, homenagem à escola Estação Primeira de Mangueira. A direção musical é da própria artista, com roteiro e direção de Marcus Fernando.
Em entrevista ao DIVIRTA-CE, Leila reflete sobre esse momento da carreira, o aprofundamento no samba e a expectativa para o reencontro com o público cearense.
DIVIRTA-CE – Ao celebrar 45 anos de carreira com “Viva Meu Samba”, como você enxerga a evolução do samba dentro da sua trajetória — de repertório pontual a eixo conceitual de um espetáculo?
LEILA PINHEIRO – Acho natural e bem-vindo este mergulho mais profundo nos sambas. Me sinto mais desafiada agora, neste show “Viva Meu Samba”, porque escolhi sambas pouco conhecidos por mim, alguns sendo cantados pela primeira vez. Escolhi a alegria contagiante do samba. Isso faz toda a diferença.
DIVIRTA-CE – O espetáculo reúne compositores de diferentes gerações. Que critérios orientaram essa curadoria e como você pensou o diálogo entre esses repertórios no palco? Ao revisitar nomes como Dona Ivone Lara e Arlindo Cruz, você busca preservar a tradição ou propor novas leituras estéticas dessas obras?
LEILA PINHEIRO – O roteiro do show foi criado por mim e por Marcus Fernando, pesquisador musical com profundo conhecimento do samba e seus compositores. Essa costura foi acontecendo naturalmente e a beleza da música, sempre soberana, era quem norteava a minha escolha final.
DIVIRTA-CE – Fortaleza tem uma tradição musical muito forte, especialmente no samba e na música popular. De que forma você percebe o diálogo entre o repertório de “Viva Meu Samba” e a sensibilidade do público local?
LEILA PINHEIRO – Tenho um público fidelíssimo em Fortaleza, que prestigia meus shows sempre, independente do que eu esteja cantando. Com certeza, desta vez será uma emoção imensa o nosso reencontro.
DIVIRTA-CE – O show inclui momentos mais intimistas, com você ao piano. Em um espaço como a CAIXA Cultural, que favorece a proximidade, como isso impacta sua entrega artística?
LEILA PINHEIRO – Sempre que vou para o piano, em momentos solo, o público reage muito especialmente. É hora de troca máxima com a plateia: eu, minha voz e o piano. Meu público também já me assistiu muitas vezes em shows solo, e nessa hora, nossa sintonia é absoluta. Sugiro que cantem comigo e é sempre muito emocionante.
DIVIRTA-CE – Você já transitou por projetos dedicados à bossa nova e à MPB. O que o samba permite expressar hoje que talvez outros gêneros não permitam? Em um momento em que a música brasileira dialoga fortemente com o digital e novas sonoridades, qual o lugar de um espetáculo centrado na tradição do samba?
LEILA PINHEIRO – A alegria contagiante do samba é o que me interessa no show de agora. O ritmo contagiante, a pulsação forte, cinco músicos com vivências muito ricas dentro do samba, dividindo o palco comigo. O que resulta de nós é pura alegria e ela arrebata o público. O mundo digital favorece o encontro desse público com as novas sonoridades, espalhadas infinitamente pelas redes. Essa democracia é perfeita. Cada um ouve o que gosta e deseja. As minhas plateias lotadas me mostram que o público segue querendo ouvir o que canto e da forma como apresento a minha música. Isso é o que me importa.