Projeto Territórios do Som busca democratizar o acesso à música de concerto e formar novas plateias em espaços comunitários da capital cearense
No dia 15 de maio, às 19h, na sede do Instituto de Música Jacques Klein (IMJK), localizada na Rua Martins de Souza, nº 1041, no bairro Passaré, em Fortaleza, acontece o concerto de estreia do projeto Territórios do Som, iniciativa que marca o início da temporada de concertos de 2026 da instituição. A apresentação, gratuita e aberta ao público, será conduzida pela Orquestra Jacques Klein e inaugura uma série de oito concertos que irão ocupar comunidades, praças, espaços públicos e ambientes abertos da capital cearense, especialmente na região do Grande Passaré e em outros territórios periféricos da cidade.
Com a proposta de democratizar o acesso à música de concerto, formar novas plateias e descentralizar a cultura dos espaços tradicionais, o projeto busca aproximar a música erudita do cotidiano da população, promovendo experiências culturais acessíveis e inclusivas. Inspirado no legado do pianista Jacques Klein e na trajetória social do instituto, o Territórios do Som transforma a cidade em um grande palco de encontros culturais, fortalecendo o pertencimento comunitário e o direito à cultura.
A iniciativa surge diante da necessidade de ampliar o acesso às atividades culturais em regiões historicamente afastadas dos grandes circuitos artísticos. Além das apresentações musicais, o projeto também contribui para a formação artística e humana de jovens músicos atendidos pelo instituto, utilizando a música como ferramenta de educação e transformação social.
O repertório do concerto de estreia reúne obras de importantes compositores da música clássica, como Johann Christian Bach, com a Sinfonia em Ré Maior; Johann Sebastian Bach, com o Concerto de Brandemburgo nº 3 – Allegro; e Joseph Haydn, com a Sinfonia em Sol Maior nº 27. O público também poderá apreciar a Suite Capriol, de Peter Warlock, composta pelos movimentos Danse Basse, Pavane e Mattachins, além dos temas de “A Bela e a Fera”, de Howard Ashman e Alan Menken, com arranjo de Calvin Custer, e a peça Plink, Plank, Plunk, de Leroy Anderson. A seleção musical foi pensada para dialogar tanto com apreciadores da música erudita quanto com pessoas que terão o primeiro contato com esse universo artístico.
Cultura no Brasil
O projeto também dialoga com dados recentes sobre acesso à cultura no Brasil. Pesquisas nacionais apontam que 39% dos brasileiros consideram prioridade máxima a criação e ampliação de programas gratuitos de acesso cultural, enquanto 32% defendem a realização de atividades culturais nos bairros, especialmente voltadas para crianças e adolescentes. O levantamento ainda revela que quatro em cada dez pessoas não têm acesso a atividades culturais dentro do próprio bairro.
Entre os jovens, o interesse pela música clássica também demonstra potencial de crescimento quando há oportunidade de acesso. Segundo o estudo Classical Pulse 2026, 96% dos jovens que já frequentaram concertos desejam repetir a experiência, enquanto 42% nunca participaram desse tipo de apresentação por falta de eventos próximos de onde vivem. O estudo também aponta que formatos híbridos, que unem o erudito e o popular, despertam maior interesse em parte significativa desse público.
Mais do que uma temporada de concertos, o Territórios do Som reafirma o compromisso do Instituto de Música Jacques Klein com a democratização cultural e com a construção de pontes entre arte, território e comunidade, levando a música de concerto para além dos palcos tradicionais e aproximando novos públicos da experiência musical.
O Instituto de Música Jacques Klein
Criado em 2012, o Instituto de Música Jacques Klein (IMJK) oferece educação musical gratuita para crianças e adolescentes de escolas públicas e comunidades em situação de vulnerabilidade em Fortaleza, com aulas de iniciação musical, canto coral e instrumentos como violino, viola, violoncelo, contrabaixo acústico e piano. O programa inclui também grupos de formação e referência — como a Orquestra Juvenil, o Coral Vozes de Iracema e a Orquestra Jacques Klein — que acompanham o desenvolvimento artístico dos alunos. Com uma proposta de educação humanista e um corpo docente qualificado que utiliza o Método Suzuki de ensino, o instituto busca desenvolver jovens talentos e formar cidadãos conscientes, solidários e preparados para construir um futuro melhor, acreditando na música como uma poderosa ferramenta de educação, inclusão e cidadania.
Crédito das fotos: Larissa Nobre
IMJK _ ensino coletivo _ foto joão di jorge