Em meio às comemorações pelos 300 anos de Fortaleza, o Núcleo de Documentação e Laboratório de Pesquisa Histórica (Nudoc), vinculado ao Departamento de História da Universidade Federal do Ceará (UFC), apresenta a exposição Fortaleza (des)arquivada: histórias e memórias da cidade nos acervos do Nudoc.
A mostra reúne documentos inéditos sobre as múltiplas narrativas que constroem a história da capital cearense. Aberta ao público de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, a exposição segue até 9 de maio, na sede do Nudoc (avenida da Universidade, 2762, área 2 do Centro de Humanidades), no Campus Benfica.
Entre os destaques da exposição, parte do acervo da Associação Missão Tremembé (Amit), fundada em 1995, que foi doado para o Nudoc em 2019, reúne documentos sobre a luta e a resistência dos povos indígenas no Ceará e ajuda a compreender as diferenças na construção da identidade indígena moderna do estado. Já o Núcleo de História Oral traz um retrato plural das transformações da cidade ao longo do século XX, com depoimentos das elites urbanas e narrativas populares de trabalhadores e artistas.
O acervo Cláudio Pereira, que também poderá ser conferido na mostra, lança luz sobre a política cultural de Fortaleza no período da redemocratização, reunindo documentos, fotografias e publicações que registram o cotidiano da Fundação Cultural de Fortaleza (FCF) e a efervescência artística das décadas de 1980 e 1990, por meio da figura do agitador cultural e então presidente da FCF, Cláudio Pereira.
A mostra também destaca as publicações e edições do próprio Nudoc, reforçando o papel do núcleo na produção e difusão do conhecimento histórico. “O Nudoc busca contribuir para as reflexões sobre o tricentenário da cidade, retirando da escuridão das gavetas, armários, estantes, caixas e envelopes um conjunto significativo de documentos que, pela primeira vez, têm a oportunidade de ganhar a luz e serem expostos”, explica o professor Antonio Gilberto Ramos Nogueira, coordenador do núcleo.
Com curadoria geral assinada por Antonio Gilberto Ramos Nogueira e Antonio Wellington de Oliveira Junior, a exposição reúne uma equipe multidisciplinar do núcleo, com participação de pesquisadores, estudantes e profissionais das áreas de arquivo, biblioteca, montagem, design e comunicação.
SAIBA MAIS - Criado em 1983, o Nudoc surgiu com a missão de apoiar a pesquisa acadêmica e preservar o patrimônio documental. O núcleo também se consolidou como espaço de defesa do direito à memória, à informação e à cultura. “Com a Constituição Cidadã de 1988, os arquivos adentraram no campo do direito e da cidadania, incidindo no protagonismo das universidades na constituição das políticas de memória entrelaçadas ao exercício de (re)escritas de histórias e da proteção do patrimônio documental local e regional. É neste contexto que o Nudoc, como arquivo, pressupõe e é um lugar de memórias da cidade”, ressalta o professor Antonio Gilberto Nogueira.
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