A decisão da cantora Mari Fernandez de construir a maternidade ao lado da esposa por meio da reprodução assistida evidencia um movimento que vem ganhando força no Brasil: o crescimento da chamada maternidade compartilhada entre casais femininos.
O modelo, viabilizado por técnicas como a fertilização in vitro (FIV), inclui o método ROPA (Recepção de Óvulos da Parceira), no qual uma mulher fornece o óvulo e a outra realiza a gestação. A prática permite que ambas participem biologicamente do processo, ampliando o conceito tradicional de maternidade.
O tema acompanha uma transformação social relevante. De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), o número de procedimentos de fertilização in vitro no país tem crescido de forma consistente nos últimos anos, ultrapassando 380 mil ciclos realizados na última década, impulsionado não apenas por questões de infertilidade, mas também por planejamento familiar e novos arranjos familiares.
Para o ginecologista especialista em reprodução humana, Dr. Evangelista Torquato, a maior visibilidade de casos como o da artista contribui para ampliar o acesso à informação e reduzir tabus sobre o tema.
“A reprodução assistida hoje acompanha a evolução da sociedade. Não se trata apenas de tratar infertilidade, mas de permitir que diferentes modelos de família se concretizem com segurança e planejamento. No caso de casais femininos, o método ROPA traz um diferencial importante, que é a participação ativa das duas mulheres no processo”, explica.
Segundo o especialista, os avanços tecnológicos também têm ampliado as chances de sucesso.
“Hoje trabalhamos com protocolos mais personalizados, acompanhamento rigoroso para escolha de sêmen de doador e tecnologia laboratorial avançada, o que torna o processo cada vez mais eficiente e previsível.”
Além do avanço médico, o crescimento da procura também está ligado a fatores comportamentais, como o adiamento da maternidade e a maior autonomia feminina sobre o planejamento reprodutivo.
Nesse cenário, histórias como a de Mari
Fernandez deixam de ser exceção e passam a representar uma nova realidade, em que a maternidade se torna mais plural, consciente e apoiada pela ciência.
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